Filho da Terra, Josy Stoque, 1ª edição, Praia Grande-SP:
Literata, 2012, 320 páginas.
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Durante toda a sua vida, Lucca Gonçalves sempre se sentiu deslocado vivendo com uma família que o adotou quando ainda era uma criança de apenas dois anos. Apesar de todo o amor dedicado por seus pais adotivos, Lucca tinha consciência de que não fazia parte daquela realidade e ainda assim conseguiu conquistar o seu espaço, se tornando um importante arqueólogo.

Mas, para Lucca, dar um passo adiante em seu relacionamento com Vitória, filha do terrível coronel José Cruz, sempre foi uma tarefa complicada. Quando decide finalmente que passou da hora de pedir a moça em casamento, uma força sobrenatural o puxa para a mata e ele se encontra pela primeira vez com uma índia, que tem um colar com uma pedra brilhante pendurado em seu pescoço. A partir desse momento, situações místicas passam a acompanhá-lo, ao mesmo tempo em que pessoas interessadas em salvá-lo esperam pelo momento ideal para agir.

“Meus olhos verde oliva podiam ver tão longe quanto uma águia. Meus ouvidos podiam escutar tão distante quanto um tubarão. Minhas pernas podiam correr tanto quanto um guepardo. Meus braços tinham a força da mandíbula de um leão. E podia enxergar tão bem no escuro como um morcego ou uma coruja” (pág. 97).
A continuidade de uma série tende a possibilitar uma infinidade de considerações diferentes, ainda que geralmente sigam as mesmas características. Com a série Os Qu4tro Elementos, porém, acontece o contrário, por isso é natural encontrar as mesmas falhas e principalmente os mesmos acertos em seu segundo livro, que continua unindo os elementos da natureza e a fantasia de um modo geral.

A série já se mostrou muito original e, sem a menor dúvida, isso tem um peso importante ao tornar possíveis os elogios, que são inúmeros. Como exemplo dessa originalidade basta citar que a série, além de se passar no Brasil, se aproveita de muitos elementos de nossa cultura. Em Filho da Terra de maneira mais especial. Deixar de lado os grandes centros e ambientar sua história no interior, mais precisamente próximo a uma reserva indígena, foi o que de melhor Josy Stoque poderia fazer.

Particularmente não sei dizer o que é real ou apenas ficção em relação aos índios, mas mesmo de forma superficial, é possível se encantar por essa rica cultura, que define o verdadeiro povo brasileiro. A maneira como foi trabalhada, desde os costumes até a própria relação dos índios com os brancos e seus próprios deuses, deixam tudo mais interessante e envolvente.

Parte disso se deve também a Mainá, uma personagem que conseguiu o que julgava impossível: ser tão encantadora quanto a garota Sofia, coadjuvante do primeiro livro, Marcada a Fogo. A importância de Mainá para a série, assim como a de Sofia, pode ser mínima, mas ambas se destacam e a índia ainda mais, já que por ser tão apaixonante, proporciona uma das mais belas cenas românticas da atual literatura brasileira. O amor nessa cena é o que podemos chamar de amor verdadeiro.

Mas, como citado, Filho da Terra possui os mesmos detalhes do título anterior, o que pode ser explicado pela autora preferir manter a mesma estrutura. Os personagens, por exemplo, são tão bem descritos que são únicos, mas o final é tão rápido que além de instigar o leitor, deixa aquela sensação de que poderia ter mais respostas e uma continuidade mais marcante. A diferença negativa é a quantidade de erros de revisão e/ou digitação, mas que com certeza já foram corrigidos na mais recente versão digital.

“Eu precisava ver aqueles olhos se derreterem em minha direção. Eu me virei lentamente, saboreando cada parte de seu corpo que meus olhos desvendavam primeiro. Por fim, nossos olhos se encontraram e pude ler toda a torrente de seus pensamentos. Apenas fiquei surpresa. Fique comigo. Ainda estou aflita” (pág. 200).

8 Comentários

  1. Ainda não tive a chance de ler algo escrito pela Josy Stoque, mas pelo que andei vendo no skoob essa série é o que mais me interessaria dentre as obras dela. A temática parece bem interessante e o fato de acontecer no Brasil é um super ponto positivo.
    Sei bem como é quando os personagens coadjuvantes conquistam um espaço "maior" na mente do leitor, senti isso ao ler Legend e também fiquei com a sensação de que faltou respostas.

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  2. Oie!
    Já faz um tempinho que esta série esta na minha lista de leitura, estou bem curiosa para ler.
    As capas são lindas.

    Beijos

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  3. Olá,

    O livro parece interessante, saber que uma série é legal! Porém, acho que esperava outra coisa, não sei, acabei desestimulando. Mas, acredito que esta obra possa trazer algo muito bom para o leitor, em termos de prazer, em termos de cultura.
    Parece ser um obra interessante!

    Jônatas Amaral
    alma-critica.blogspot.com.br

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  4. Eu ganhei este livro já tem um tempo, mas ainda não parei para ler.
    Bjs, Rose.

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  5. Muito legal quando uma série é ambientada aqui no Brasil. E acho que, o ponto forte desse segundo volume é abordar as "minorias". O cenário é uma cidade do interior, e algumas personagens são índios. Confesso que não me lembro de ler algo parecido. Outra coisa interessante é saber que a autora trabalhou bem no quesito Cultura Indígena. Se tiver oportunidade, vou dar uma conferida nessa série.

    @_Dom_Dom

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  6. Não conhecia o trabalho da autora e fiquei bastante interessado, a literatura nacional vem crescendo muito, mas são poucos os autores que ambientam suas histórias dentro do Brasil e ainda mais fora das grandes cidades, levar uma história para o interior, misturando magia e natureza são uma aposta arriscada e muito inteligente, o que deve enriquecer ainda mais essa continuação é sem dúvidas a forma como foram introduzidos todos os elementos indígenas, tomará que os próximos volumes mantenham a mesma qualidade e a revisão seja mais atenta quanto aos erros gráficos.

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  7. Oi Ricardo, poxa vida, jurava que tinha comentado em sua resenha. Acho que não foi e não percebi. Enfim, adorei seu ponto de vista, é o meu volume preferido da série, por sua riqueza de detalhes. Quanto a revisão, já está em andamento, agora com o lançamento da 2ª edição, de forma independente, e com as capas novas. Muito obrigada pelo apoio de sempre. Beijos

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    1. Muito obrigado por seu comentário, Josy. *-* Fico realmente feliz em saber que você gostou da minha resenha, tanto quanto eu gostei da obra. Entendo perfeitamente porque é o seu preferido da série. :)
      Desde já te digo que quero ter a coleção completa com as novas capas, que são belíssimas.
      Beijos!

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