Graffiti Moon, Cath Crowley, tradução de Marina Slade, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Valentina, 2014, 240 páginas.
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O fim da vida escolar é mais do que um bom motivo para comemoração e a melhor maneira de se fazer isso é passar a noite em uma grande aventura. Lucy quer finalmente encontrar o grafiteiro Sombra, que deixou sua marca espalhada por toda a cidade e que ela, depois de se encantar por seus trabalhos, quer ter a chance de conhecer quem transforma a escuridão das ruas em paisagens coloridas.

Lucy só não deseja buscar por Sombra ao lado de Ed, o cara que tem evitado desde o fatídico encontro em que ela acabou dando um soco no nariz do garoto. Mas quando Ed diz saber onde pode encontrar Sombra, que faz seus trabalhos ao lado de Poeta, ela acaba aceitando a ideia e passa a se aventurar em busca da arte do grafiteiro e de quem sabe um grande amor para ao menos essa noite de comemoração.

“Senti saudade depois que ele foi embora. Quer dizer, o que eu sentia por ele não morreu porque ele pegou na minha bunda. No fim de semana depois do nosso encontro, fiquei desejando esfaqueá-lo com a minha caneta de patinho, e de olho no telefone, torcendo para ele ligar. Ficar com alguém é bem complicado” (pág. 51).
Graffiti Moon é um livro diferente e que ainda assim consegue surpreender. Surpreende por possuir o que o leitor pode ou não esperar, mas surpreende ainda mais por proporcionar um misto de emoções. Sendo mais que um romance adolescente, Graffiti Moon aborda momentos da vida urbana de uma única noite.

Além de sua edição tão bela e repleta de referências a arte urbana, o livro conquista por falar tão detalhadamente sobre a visão de artistas em relação a vida. Para isso, Cath Crowley explora três personagens bem distintos e que têm muito que passar aos leitores. Sozinhos, Lucy, Ed e Poeta seriam capazes de conduzir qualquer história criada pela autora, independente dos rumos tomados, já que suas personalidades são únicas.

Mas o principal ponto positivo está justamente no estilo escolhido pela autora para unir as três visões em uma única obra. Intercalando os capítulos, Crowley leva o leitor a conhecer os mais profundos sentimentos do trio. Conhecemos também o tom sentimental que Poeta retrata, apenas através de poemas, o que tem passado ao longo da história. Poucas vezes narrativas tão diferentes, unindo prosa e versos, se completaram tão perfeitamente.

Além disso, Graffiti Moon não é o tipo de história que facilmente se perde ao longo de seu enredo. Apesar de tantas situações para uma única noite, tudo é envolvente e está totalmente relacionado com o futuro desfecho que será apresentado ao leitor. Como exemplo dá para citar que tanto a festa inicial, como a busca pelo Sombra têm como aliados os diálogos e as reflexões marcantes. Tudo com humor, alegria, tristeza e aventuras pela noite.

Dá para dizer que tinha tudo para ser como uma história qualquer, porém isso também não acontece. Desde o primeiro momento, a relação dos dois já citados personagens é encantadora. Quando eles enfim ficam sozinhos e passam a se aventurar, e a se conhecer, todo o carinho por esse relacionamento se intensifica.

A obra pode ter a incerteza do desfecho e até não ter algo de muito diferente em seu contexto, ainda que priorize a arte australiana de maneira muito significativa, porém a essência faz grande diferença. Primeiro pela bonita história, que se destaca pela simplicidade, e também por mostrar como a felicidade pode estar muito próxima a partir do momento em que deixamos de nos importar apenas com nossos sonhos. Sabendo disso, é quase natural entender o porquê a obra foi tão premiada.

“Penso nela ficando decepcionada por eu ser um cara sem rumo, não um cara sensível, inteligente e divertido. Penso nela indo para a universidade e fazendo trabalhos em vidro e eu ficando onde estou, pintando muros com spray e contando dinheiro para pagar o aluguel” (pág. 119).

4 Comentários

  1. Olá Ricardo,

    Essa é asegunda resenha que leio desse livro que além de interessante, vemos a criatividade da obra sobre referencia da arte urbana...show de bola....abraços.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  2. Já tinha visto esse livro no twitter e não tinha me interessado. Depois de ler sua resenha decidi dar uma chance para ele e marquei no skoob. O que mais me interessou foi saber que o livro tem mais de um ponto de vista (adoro livros assim) e com diferentes tipos de escrita. Fiquei curiosa. Sem contar que acho que nunca li nada de algum autor australiano...

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  3. Logo, que ouvir falar do livro, achei que fosse uma grafic novel. Mas, me surpreendi ao saber se tratar de um livro.
    Achei a história interessante para ler... 200 páginas com uma história legal... li algumas páginas e gostei. Parece muito bacana de ler e curtir.
    Gosto de saber que é um livro que de certa forma surpreende.

    Jônatas Amaral
    alma-critica.blogspot.com.br

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  4. Acho massa quando os autores dividem a narrativa da trama por mais de uma personagem. Gosto também quando a autora tem a ousadia de colocar três visões completamente diferentes, e conseguir dar uma unidade interessante a obra. Mais um que pretendo dar uma conferida.

    @_Dom_Dom

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