Tigana: A Voz da Vingança, Guy Gavriel Kay, tradução de Ana Cristina Rodrigues, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Saída de Emergência Brasil, 2014, 352 páginas.
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Como todos sabem, os leitores podem ser divididos em dois grupos: quem não entende a insistência de alguns autores em criar séries intermináveis e quem é apaixonado por essas próprias séries. O fato é que existem situações e situações, por isso, por mais estranho que possa parecer, em alguns casos é impossível não desejar que um mundo literário seja abordado o máximo possível. Mesmo que você não suporte séries.

A obra-prima de Guy Gavriel Kay, que no Brasil foi dividida em dois volumes, é o que podemos classificar como um livro inesquecível. Isso porque não é o tipo de história que marca sua vida por um determinado motivo, mas sim pelo conjunto da obra, seja em Tigana: A Lâmina na Alma ou em sua segunda parte, Tigana: A Voz da Vingança.

Falar de Tigana é muito mais do que falar sobre uma fantasia épica. Além de um mundo fantástico em que os interesses são muito semelhantes aos de nossa própria sociedade, encontramos uma história original e envolvente, que encanta pela essência e pela união de personagens perfeitos. Como se trata de um único livro, apenas dividido em duas partes, claro que o desenvolvimento é evidente, assim como o amadurecimento de todos os personagens, sejam eles protagonistas ou antagonistas.

É quase impossível comentar sobre Tigana: A Voz da Vingança sem revelar detalhes importantes da parte inicial, mas basta dizer que a busca pela liberdade de um povo é ainda mais intensa, já que o momento mais aguardado pelo Príncipe Alessan e seus aliados finalmente se aproxima. Mas será que o grupo representando a banida província de Tigana alcançará o objetivo? Se sim, quais as consequências dessa batalha? Se não, o que acontecerá com Tigana? As respostas surgem naturalmente, sempre de forma imprevisível, o que torna a leitura ainda mais incrível.

O interessante é que a segunda parte aborda impecavelmente o único ser mitológico do mundo de Tigana. Baseado em Rusalka, ser da mitologia eslava, Riselka é citada em poucas oportunidades, porém tem papel fundamental na construção do enredo e também é responsável pelo já citado desejo por mais histórias nesse universo, já que fica o inevitável gostinho de quero mais. Possibilidades não faltariam para ilustrar toda a península de Palma e as terras ao seu redor.

A divisão realizada no momento ideal da história serviu para que a expectativa fosse altíssima e felizmente o resultado não poderia ser melhor, inclusive com o final capaz de deixar o leitor sem reação. Como uma das melhores obras de fantasia épica da literatura, Tigana merece ser lido por todos os fãs do gênero e também por aqueles que estão dispostos a conhecer uma história que só poderia ter sido escrita pelo herdeiro literário de J. R. R. Tolkien.

Com toda a qualidade de sua narrativa, a força de seus diálogos e a originalidade de suas lendas e deuses, Guy Gavriel Kay construiu o que de melhor poderíamos desejar. Isso é mais do que um bom motivo para comemoração ao doce som da flauta. O mesmo som que se tornou trilha sonora para que um povo lutasse por um bem comum e para tentar resolver antigos problemas políticos que também envolviam magia.

“Estava farto de se esconder. A hora de fugir acabara; a temporada de guerra havia começado. É verdade que eram barbadianos e não ygratheanos, os soldados que empunhavam espadas contra eles, mas, no fim, dava tudo no mesmo. (...) Deveriam derrubar os dois ou não estariam mais perto da liberdade do que antes” (pág. 107).

9 Comentários

  1. Oie!

    Desde o lançamento do primeiro livro eu fiquei curiosa, e acabei não solicitando para editora. Mas cada vez que leio uma resenha tenha vontade de ler.
    Adoro as capas.

    Beijos

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    1. Nessa, felizmente a capa tem uma importante relação com a história e a leitura é incrível. Solicite o quanto antes porque não vai se arrepender.

      Beijos,

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  2. Ainda não tinha visto falar desse livro, mas confesso que a capa dele chamou bastante minha atenção, assim como a sinopse. Amei o fato de ser uma história épica e de a construção do texto, dos diálogos, assim como das personagens terem sido excelentes, é muito bom quando temos a oportunidade de ler uma obra assim. Beijos!

    Meu Diário

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  3. Quando a Saída de Emergência Brasil lançou Tigana: A Lâmina na Alma não me interessei por achar que o livro fosse parte de uma série imensa. Saber que são só dois livros (praticamente um) me atrai. Não é um gênero que eu costume ler muito, já fui mais fã do gênero, adoro o J. R. R. Tolkien, por exemplo, então é um ponto a mais pra ler e conhecer essa história. Ótima resenha :)

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    1. Eu particularmente penso que o livro só foi dividido por ter sido lançado pela Saída de Emergência, que costuma também dividir em Portugal. Acho, inclusive, que isso foi ótimo, já que caso contrário não teríamos essa belíssima capa da segunda parte. rsrs Espero que você goste tanto quanto a obra do Tolkien.

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  4. Uau! Se eu já estava interessada neste série, estou agora é muuuuuuuuito interessada. Gosto muito das capas e em relação a ter ou não uma série, realmente vai depender do enredo, pois em alguns casos um único volume resolve todas as questões, e esticar sem necessidade é fazer os leitores perderem tempo e dinheiro.
    Bjs, Rose

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  5. Ainda não conheço muito bem sobre a obra, mas quem leu diz ser uma grande obra.
    Por essas e outras que quero muito ler no futuro esta história.
    Poder apreciar.
    As edições sãos muito bonitas, vi recentemente em uma livraria.
    Parece ser muito bom mesmo.
    Gostei muito de sua resenha, muito bem escrita e instigante Ricardo!

    Jônatas Amaral
    alma-critica.blogspot.com.br

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  6. Desde o lançamento do primeiro livro me interessei, pois me amarro em fantasias épicas. Fiquei bem surpreso ao saber que ela não é uma série interminável e, o melhor de tudo, é volume único dividido em duas partes. Isso me agrada, pois imagino que a narrativa deve seguir um ritmo mais interessante, sem se prender a descrições ou situações desnecessárias. Espero ter a oportunidade de ler esses dois livros em breve.

    @_Dom_Dom

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  7. Descobri recentemente que era um livro único e a Saída que dividiu, acreditava que seria uma trilogia ou algo do gênero, mas desde o lançamento podia sentir que era uma história incrível, as capas dos dois volumes ficaram muito bonitas e o conteúdo também é de excelente qualidade, uma história para ficar marcada e sempre lembrada como uma fantasia realmente digna de estar ao lado dos livros do Tolkien, ainda não li A voz da vingança, mas irei comprar em breve e encerrar essa leitura que já é uma das minhas preferidas.

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