Que atire a primeira pedra o escritor que nunca começou a escrever uma história, imaginando que não passaria de um simples conto, e no fim se deparou com um romance pronto para ser publicado. Estamos De Olho em um escritor que passou por isso quando escreveu Terras Metálicas, seu primeiro livro, mas antes disso muitas coisas foram necessárias desde o momento em que conheceu o trabalho de André Vianco e disse: “Se ele pode, eu também posso”. Diferente do imaginado por Renato C. Nonato, o caminho foi longo, porém hoje ele pode afirmar que foi capaz de escrever uma história original.
Over Shock – Renato, muito obrigado pela confiança e por acreditar no trabalho realizado pelo blog Over Shock nessa parceria formada em 2013. Apesar de muitos leitores já conhecerem o seu trabalho, gostaria que você iniciasse esse bate-papo comentando sobre quem é o escritor Renato C. Nonato.
Renato C. Nonato – Sempre é a pergunta mais difícil para ser respondida, pois sou péssimo para falar de mim. Acho que eu sou um pouco de tudo, atualmente curso doutorado em engenharia química na Unicamp, tenho uma paixão por livros e por artes marciais.

Apesar de escrever como hobby desde os 16 anos, você se formou em Engenharia Química. Em algum momento, no entanto, você pensou em fazer apenas algo da área que mais tarde atuaria com a publicação de seu primeiro livro?
Eu sempre prezei a multi-disciplinaridade, acho que para alguém ser bom em uma determinada área não adianta simplesmente mergulhar na área em questão e esquecer do resto do mundo, afinal todas as coisas estão interligadas. Minha graduação ajudou muito enquanto escrevia Terras Metálicas, todas as minhas experiências anteriores também. Acho que se vivesse bitolado acabaria ficando louco!

O hábito da escrita em sua vida já é antigo, mas em qual momento você disse a si mesmo que não apenas escreveria como também publicaria sua história?
Toda essa aventura começou depois que li “Os Sete” do André Vianco, na época eu nunca havia lido nada além dos livros de escola, então além do tema diferente foi o primeiro autor nacional que realmenteme identifiquei. Daí foi só pensar: se ele pode, eu também posso! Claro que a coisa não foi assim tão fácil rsrsrs.

“Terras Metálicas” possui elementos de alguns gêneros literários, o que talvez tenha resultado em um mundo tão complexo e diferente do que estamos acostumados. Sendo assim, quais foram as principais obras e autores que acabaram influenciando a construção desse enredo?
Eu comecei Terras Metálicas com um conto que não deveria ter mais de dez páginas. Acontece que a cada linha escrita me dava ideia para mais umas vinte e a coisa foi se desenrolando nesse ritmo. Tentei não me basear em nada além da minha visão de como um mundo apocalíptico deveria ser (afinal era para ser só um conto), embora no nível subliminar isso deve ter acontecido.

O que é mais difícil: criar um mundo completamente novo ou construir personagens distintos que se destaquem juntos a esse mundo?
Vou ficar com a primeira opção. Não que criar personagens que se destaquem seja algo simples, mas quando você tenta criar algo novo parece que tudo já foi feito! O pior é que mesmo criando algo diferente de tudo que você já viu você ainda pode cair em comparações. Vários leitores comentam comigo peculiaridades que Terras Metálicas tem com a série Divergente, que eu nunca li!

Como você imagina o nosso mundo em um futuro tão distante quanto em seu livro?
Penso que mesmo se nada catastrófico ou muito impactante acontecer de modo a “destruir a natureza” como em Terras Metálicas, ainda podemos ver algumas de suas tecnologias acontecendo. Estamos chegando num ponto onde a tecnologia está esbarrando nas limitações que nossos corpos possuem, por isso vejo um futuro com tecnologias que espandam nossa noção da realidade ou mesmo nossas próprias habilidade. Sibérios, aqui vou eu!

Você pode adiantar o que o leitor encontrará na continuação de “Terras Metálicas”? Já existe alguma previsão de publicação?
Vou evitar falar muito porque sou linguarudo rsrsrs, mas o universo de Terras Metálicas vai se expandir muito com “Terras Verdes”. Os leitores vão entender algumas atitudes suspeitas de personagens e coisas que a princípio pareciam encheção de linguiça, espero deixar alguns queixos caídos kkk. O Terras Verdes está em registro na Biblioteca Nacional (está lá há muito tempo por sinal ¬¬), então só podemos conversar a respeito de publicação depois disso.

A atual literatura brasileira está apresentando escritores excepcionais, que certamente serão grandes representes também no exterior. Em sua opinião, qual o principal diferencial dos nossos escritores se comparados com os escritores estrangeiros?
Acho que o brasileiro tem um jeito de pensar diferente. Os escritores nacionais conseguem fazer reviravolta surpreendentes e criam situações bem inusitadas. Também gosto do humor colocados nas histórias, quando esse não é apelativo. Acho que o mundo ainda vai se dobrar a muitos escritores brazucas dessa nossa geração. E claro, espero estar entre eles rsrsrs.

Ainda existe certo preconceito dos leitores em relação aos nossos escritores? Se sim, você acha que esse momento que estamos vivendo será suficiente para quebrar esse preconceito ou ainda é preciso fazer mais?
Acho que já houve mais, mas ainda vejo as pessoas optando por comprar livros de autores que elas têm dificuldade para ler o nome. Os incentivos dados pelas editoras nessa área foram estão sendo incríveis! Acho que agora falta uma ajuda das livrarias, afinal não dá para ser um autor de ficção/fantasia nacional de sucesso quando a área de ficção/fantasia das livrarias se resume a estrangeiros.

Jogo Rápido:
Literatura: Uma necessidade básica
Terras Metálicas: Diversão
Engenharia: Altos e baixos
Família: Tudo
Tashis: Demais! Demais! Demais!
Esfera: Uma tecnologia que espero nunca precisarmos
Futuro: Melhor que o presente
Tecnologia: Parte essencial da humanidade
O meu melhor personagem: Raquel (adoro essa menina rsrsrs)
Blogs literários: Uma mão na roda para os autores!

Espero que você tenha gostado das perguntas, Renato, mas desde já também agradeço por ter concedido essa entrevista. Para encerrar, deixo o espaço aberto para que você mande sua mensagem aos antigos e também aos futuros leitores do seu trabalho literário.
Queria agradecer ao OverShock pelo espaço dado e a todos que leram essa entrevista pela paciência. E claro, convidá-los para embarcar no mundo de Terras Metálicas, tenho certeza que vão se divertir muito!

Um Comentário

  1. Gostei muito da entrevista, sempre acho muito interessante saber mais sobre a história de vida dos autores, suas histórias, inspirações e perspectivas...
    Apesar de ainda não ter lido o seu livro gostei muito do que vi sobre ele, acho que o leria sem problemas.

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