Caçadores de Tesouros, James Patterson e Chris Grabenstein, com Mark Shulman (ilustrações de Juliana Neufeld), tradução de Luciana Garcia, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP:
Novo Conceito (#Irado), 2014, 384 páginas.
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Após os pais de Bick Kidd desaparecerem misteriosamente, ele e seus irmãos Beck, Tommy e Tempestade precisam assumir o negócio dos pais, conhecidos no mundo todo como importantes caçadores de tesouros. Sozinhos no meio do oceano, os irmãos têm a obrigação de cumprir a última missão do pai, mas para isso precisam se unir e também enfrentar todos os perigos naturais em uma aventura em alto mar, incluindo os piratas que estão de olho em seus tesouros. Só cumprindo essa missão eles podem tentar descobrir o que de fato aconteceu com os pais.

“Observação para mim mesmo: se algum dia eu tiver um navio só meu, não chamá-lo de O Perdido. Porque era exatamente isso que (e onde) nós estávamos: perdidos no mar. Acho que deveríamos estar felizes pelo fato de o papai não ter chamado seu barco de O Afundado, O Submerso ou Titanic II” (pág. 24).
Quando um autor comercial faz sucesso com o público infantil, nada mais natural do que esse autor acompanhar o crescimento de seus leitores e escrever histórias mais maduras com o passar dos anos. James Patterson já provou ter essa intenção com o desenrolar de outras séries, mas também mostra isso com o surgimento de novos trabalhos.

Escrito em parceria com Chris Grabenstein e Mark Shulman, e com ilustrações de Juliana Neufeld, Caçadores de Tesouros é claramente um livro para o mesmo público de “Escola”, outra série de muito sucesso do autor. O fato dos gêmeos Bick e Beck possuíram doze anos comprova a teoria de que ele quer acompanhar a idade de seus leitores, já que os gêmeos são mais velhos do que o protagonista da série já citada, no entanto isso não significa que haverá também um amadurecimento dos personagens, que também possuem atitudes bem infantis.

Se a obra de Patterson já é muito semelhante como um todo, nesse caso isso fica mais evidente por ter o mesmo estilo de escrita e até mesmo a mesma importância das ilustrações para a narrativa. Por se tratar de uma caça ao tesouro, o livro está mais distante da nossa realidade e por isso acaba também se tornando mais lento em algumas partes mais importantes. O que acontece de positivo é que a escrita em primeira pessoa de Bick e as ilustrações de Beck se completam, dando um dinamismo diferenciado.

Assim como em qualquer aventura, consequentemente em uma obra de James Patterson, muita coisa acontece em questão de páginas, algumas surpreendentes e outras nem tanto, mas sempre com um leve toque de humor. O humor, porém, não pode ser visto como inteligente e totalmente engraçado, já que muitas vezes é tão bobo quanto algumas atitudes dos personagens – algo que pode ser criticado tanto por leitores jovens, como principalmente pelos mais velhos.

Como um livro para conquistar as crianças e incentivá-las a se dedicar ao hábito da leitura, Caçadores de Tesouros atinge o seu objetivo e, mais do que isso, possui uma boa história – melhor até do que outras séries de James Patterson. Contudo não é nada excepcional. De excepcional apenas sua edição em capa dura belíssima que proporciona outro nível de leitura, mas que peca por traduções de determinadas palavras que poderiam e deveriam ser evitadas.

“E lá estava ela: a silhueta dos mastros entrelaçados. Nós tínhamos encontrado os navios escondidos do papai, encalhados em um recife de corais. E eu sei que isto vai soar estranho, mas, só por um segundo, senti como se o papai estivesse bem ao meu lado, dando tapinhas no meu ombro e fazendo um grande sinal de ok com a mão para mim porque tínhamos nos saído bem” (pág. 141).

7 Comentários

  1. Olá Rick!

    Então eu não sei se é porque estou na vibe de piratas e distopias, mas eu simplesmente amei esse livro, ou pode ser também porque minhas primeiras experiências com o James P. foi com a série Bruxos e Bruxas e foi demasiado frustrante para mim [essa série é que é intragável], mas Caçadores de Tesouro eu achei bem criativo e com uma loucuras bem incríveis para o público, sabe? Tipo as crianças tem uma criatividade incrível e é fascinante ele escrever assim para elas... Amei o livro também pela leitura fácil e embora reconheça que ele tem uma tradução bem nativa, temos que ver que se uma criança for ler um livro assim e ver o nome de um time de futebol americano ou bascket não vai entender a 'piada'... eu acho que a adequação por mais que não tenha agradado muito se torna eficiente para o público alvo... Eu amei, amei, amei e leria tudo de novo caso eu não tivesse uma pilha de outros livros na fila.

    xoxo
    Mila F.

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    1. Olá, Mila. Obrigado por seu comentário. :D

      Você sabe como gosto do trabalho do James Patterson, então sempre fico na expectativa por seus livros. De qualquer forma, você começou com uma série que não representa tudo que o Patterson é capaz, e hoje digo que isso se deve muito ao trabalho com autores parceiros. “Bruxos e Bruxas” definitivamente não é a melhor forma de conhecer o autor.
      Sobre "Caçadores de Tesouros", não posso dizer que não gostei, até porque foi uma leitura muito divertida, mas sempre rola aquela inevitável comparação com "Escola". Eu até concordo, inclusive, com o que você disse sobre a tradução prejudicar a piada, mas tradução é um tema polêmico, principalmente quando de uma forma ou de outra muda a essência da obra, independente do público alvo. :x Ah, fiquei feliz por saber que você amou um livro de um dos meus autores favoritos. *-*

      Beijos,

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Olá pessoal.
    Então, depois de ler Bruxos e Bruxas fiquei com um certo bloqueio com o James P. e sua forma de escrever. Entretanto, sempre vi muitas e muitas resenhas desse livro e diversos comentários sobre, sendo eles sempre muito ambíguos; o pessoal era bastante dividido se era de fato bom ou ruim. Quando vi aquela capa (Muito bonita por sinal) na estante do meu colega, pedi para ler as primeiras páginas ali mesmo.. Acabei lendo as 50 primeiras páginas muito rápido pois a leitura é extremamente fácil e flui. Porém, senti como se estivesse lendo algo extremamente comum, e não senti nada de ruim ao fechar o livro e ter que parar de ler (O que para mim é muito estranho). Por fim, eu não terminei de lê-lo e ainda não tive vontade de o fazer.. Acho que preciso ter a mente mais aberta pra poder voltar kkkkkk Tirar esse bloqueio vai ser difícil, vou colocar ele no fim da lista e esperar chegar a vez dele de novo!

    =D

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  4. Bom saber que que o público alvo tem mais um livro para se aventurar. Também achei a capa ótima, e estou curiosa para conhecer a aventura.
    Bjs< Rose.

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  5. É inegável que a parte gráfica desse livro é muito bonita. A capa e as ilustrações dão um charme a mais nesse livro. Mas é uma pena que, mais uma vez, houve esses probleminhas com um livro do James Patterson voltado para o público mais jovem. Pelo menos atingiu um de seus objetivos principais com os pequenos.

    @_Dom_Dom

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  6. Bom, por ser um livro voltado mais pro público infanto-juvenil eu não me interessei muito, apesar de a arte gráfica ser linda e impecável também, eu imagino.
    Acho que se eu lesse não ia gostar muito da parte do humor meio bobo :/
    Mas pro público-alvo deve ser mesmo um livro muito bom :)

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