As Mentiras de Locke Lamora, Scott Lynch, tradução de Fernanda Abreu, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2014, 464 páginas.
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Locke Lamora é um homem misterioso, por isso é justificável o fato de ele ser o responsável pelo lendário Espinho de Camorr, uma figura que poucos conhecem, mas que todos sabem como ele age: praticando os melhores golpes imagináveis para roubar dos ricos e...

...ficar com todo o dinheiro roubado, claro! Locke Lamora é o líder de um grupo chamado Nobres Vigaristas e, ao lado de seus comparsas, ele está prestes a colocar um ótimo golpe em ação. Mas um misterioso assassino surge em Camorr, assassinando líderes de gangues e pessoas da elite, o que coloca em risco a própria fama do Espinho. Esse banho de sangue acaba levando os Nobres Vigaristas a uma armadilha e todos precisam lutar pela própria sobrevivência.

“Agora ele com certeza conseguiria atrair a atenção total da patrulha. Os guardas gritavam e o perseguiam enquanto seus pequenos pés batiam nas pedras do calçamento e ele sorvia grandes e ardidas golfadas de ar úmido, obrigando os representantes do Duque a cumprirem seu exercício vespertino. Tinha feito a sua parte para salvar o golpe, que poderia prosseguir sem a sua participação” (pág. 46).
A trilogia A Crônica do Matador do Rei é uma das melhores do gênero fantástico lançadas na última década, mas, pouco antes de seu lançamento, outra interessante obra foi lançada e hoje, alguns anos depois, a comparação entre elas é inevitável. O simples fato de ser indicada aos fãs de Patrick Rothfuss impede que ela seja ignorada, apesar de as semelhanças serem sutis.

O livro que marca o início da série Nobres Vigaristas é suficiente para deixar claro que apenas o estilo, a escrita e o cenário são parecidos. As Mentiras de Locke Lamora também possui interlúdios, responsáveis por apresentar o passado dos personagens e o próprio cenário político e cultural em que tudo se passa, porém é totalmente narrado em terceira pessoa, por isso Scott Lynch pode se focar em outros personagens que não em Lamora.

Algumas dificuldades enfrentadas por Locke também se assemelham, mas a essência é diferente, já que os Nobres Vigaristas precisam agir como vigaristas e isso nem sempre em busca da própria sobrevivência – apenas por interesses próprios. Justamente por isso que a obra demora a mostrar qual o seu grande diferencial e a leitura é lenta no início. Apenas quando as pessoas do grupo percebem que são essenciais para a própria sociedade que a história conquista e passa a surpreender por sua originalidade.

Parte disso se deve muito ao personagem principal, extremamente cativante e que consegue carregar a história desde a sua primeira aparição, ainda que seja apenas uma criança. Afiado em suas falas e genial em suas interpretações e disfarces, Locke é um personagem misterioso, mas vale ressaltar que ele se destaca ao lado de todos os companheiros vigaristas.

Ter o seu nome no título da obra não significa que ele também é o único personagem importante para o grupo. Apesar do protagonismo do líder dos Nobres Vigaristas, todos são de grande importância para os planos do grupo e para todas as tramas que surgem ao longo dos capítulos. A importância individual é tão grande que é impossível não destacar, por exemplo, Padre Correntes, que aparece em algumas oportunidades, mas que é essencial para a formação da personalidade do personagem que dá título ao primeiro livro.

Como toda fantasia medieval, em que uma nova sociedade é apresentada aos leitores, As Mentiras de Locke Lamora possui ação, intrigas e criaturas diferentes, mas também muitos elementos sociais que dão brilho ao seu enredo. Nesse caso, os níveis de poder, as diferentes classes sociais e a própria influência de algo semelhante a uma religião se destacam, o que não significa também que possibilita um adiantamento do que ainda pode acontecer. O final da obra deixa tudo em aberto, por isso qualquer acontecimento será uma grata surpresa.

“Ele devia se passar pelo tipo de homem capaz de se postar diante de cem matadores com um sorriso no rosto, capaz de convocar Vencarlo Barsavi com um rastro de cadáveres, finalizando com o de sua única filha. Ele não poderia ser o amigo de Nazca, mas seu assassino; não um subordinado malicioso do Capa, mas seu igual. Seu superior” (pág. 257).

4 Comentários

  1. Nunca tinha ouvido falar desss livro mas pela sua resenha parece ser bem interessante,,..
    Anotado!
    Forever a Bookaholic
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  2. Tenho lido algumas resenhas em relação a esse livro, e vi que ele divide opiniões. Que bom que você gostou dele. Acho livros com essa pegada de fantasia medieval super legais. O que me incomodaria um pouco, seria esse início um pouco lento, mas sabendo que tem personagens tão interessantes assim, a coisa já muda. Espero ter a oportunidade de ler em breve.

    @_Dom_Dom

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  3. Até então eu não tinha me interessado pelo livro, mas acho que posso rever isso. Pelas rápidas olhadas de resenhas desse livro pela blogosfera, percebi que as opiniões são bem diferentes, alguns afirmam terem gostado, outros chegaram até a abandonar... Então acho que não irei procurar pela leitura tão cedo, talvez quando houver uma oportunidade boa.

    Abraços.

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  4. Bom, eu tinha me interessado por esse livro quando vi o lançamento, mas agora com a resenha não gostei muito...
    Já tinha visto outras opiniões sobre ele, a maioria boas, mas infelizmente não me agradou, acho que é um livro que eu não leria.

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