Incendeia-me, Tahereh Mafi, tradução de Bárbara Menezes, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP:
Novo Conceito, 2014, 384 páginas.
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Os dois romances e dois contos da trilogia Estilhaça-me aumentaram a expectativa em relação ao último e derradeiro título da história da protagonista Juliette, personagem criada por Tahereh Mafi. E se existia algo esperado era que Incendeia-me fosse uma obra empolgante e eletrizante. No início esse aparenta ser o caso, já que nos deparamos com diálogos bem elaborados e revelações até certo ponto inesperadas.

Apesar desse início eletrizante, o livro oscila em diversos momentos e não demora a ir contra a primeira impressão. A começar pelo ritmo que nem sempre é marcado pela intensidade e por revelações, que deixam de ser frequentes e se tornam raras. A importância dos acontecimentos também acaba prejudicando o ritmo de leitura, já que muitas cenas são desnecessárias e a ação acontece apenas nos momentos finais – diferente de Estilhaça-me e Liberta-me, por exemplo, em que isso acontecia a todo instante.

Antes de tais momentos, dá a impressão de a obra ser apenas um aperfeiçoamento dos relacionamentos dos personagens, sobretudo o relacionamento amoroso - com direito a belíssimas cenas sensuais. Após dezenas de páginas focadas apenas nisso, o aguardado momento finalmente se aproxima e dá para dizer que o desfecho é marcado por situações esperadas e uma rapidez incomum, prejudicial para a própria obra, afinal, o último livro sempre precisa de algo a mais.

O mínimo que esperamos é encontrar uma série de respostas sobre as dúvidas que surgiram com o passar dos livros. Esperamos também que nada fique em aberto, porém nem tudo acontece de forma aceitável e o final ainda aumenta o desejo por uma necessária continuação – mesmo que seja um simples conto, por exemplo – o que, como já declarado pela própria autora, não acontecerá.

Longe de ser perfeito, mas ainda assim uma leitura agradável pela escrita viciante, Incendeia-me prova que a trilogia é focada principalmente no psicológico de seus personagens, por isso a inegável evolução da protagonista Juliette – que nessa obra nem ao menos usa palavras tachadas. Além de mostrar como Juliette cresceu como mulher e líder, mostra também a evolução, positiva e negativamente, de todos os demais personagens, que podem se abalar ou simplesmente se fortalecerem conforme se adaptam ao mundo distópico criado por Tahereh Mafi.

Para alguns, a trilogia Estilhaça-me é uma das melhores distopias dos últimos tempos; talvez em seu desenvolvimento ela deixe a desejar, porém o mundo que encontramos e tudo o que as personagem precisam enfrentar torna essa classificação natural. É uma pena que a narrativa em primeira pessoa impossibilite explorar o que o leitor realmente deseja, contudo quem não se importa com as entrelinhas, e o que aconteceria posteriormente, certamente vai se sentir satisfeito com o último ponto final.

“Foco minha energia em reconhecer cada corpo e permito que meu poder se movimente com fluidez, trabalhando em volta dos soldados com delicadeza, em vez de passar depressa entre eles e acidentalmente rasgá-los. Meu poder se agarra à forma deles como meus dedos fariam, enfim achando um meio perfeito que divide o grupo em duas partes. Eles já estão olhando um para o outro de cada lado do pátio, tentando entender por que não conseguem se mexer contra as paredes invisíveis que os separam” (pág. 322).

5 Comentários

  1. Oi, Ricardo!

    Ótima sua resenha! Eu estou fascinada pela capa dos livros e quero muito, muito ler mesmo.
    Pena que a narrativa não agradou tanto.


    Beijos Fê :*
    http://fernandabizerra.blogspot.com.br/

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  2. Já li resenhas positivas e outras negativas a respeito da trilogia. Tenho todos os livros, mas ainda não comecei a lê-los. Honestamente, não faço muita ideia do que esperar, quero dizer, se devo alimentar ou não expectativas. No momento estou bem "neutra", digamos assim, embora a vontade de ser surpreendida sempre acabe ficando...

    Beijos, Livro Lab

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  3. Oi, Ri! Menino, parabéns pela resenha. Acabei de crer que eu preciso urgentemente ler Liberta-me e posteriormente Incendeia-me, pois até o momento só li Estilhaça-me. Me recordo de ter baixado um conto na Amazon, mas ainda nem o li. A respeito da evolução desse último livro, é realmente uma pena que não tenha sido tão satisfatório assim pra você. Nem sei o que esperar, já que li o primeiro livro da trilogia em 2012.

    Um beijo grande!
    Doce Sabor dos Livros - Aguardo a sua visita! ♥

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  4. Olá Ricardo,

    Esse livro esta na minha lista de espera de leituras, não ,gostei do segundo Liberta-me e pela sua resenha vejo que esse não empolga muito, não sei porque tanto alvoroço em relação a ele, só a capa me agrada....abraços.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  5. Olá, Ricardo!
    Gosto muito de distopias e tenho muita curiosidade em ler essa série, pois sempre ouço muitas coisas boas sobre ela!
    Li a resenha em partes pois fiquei com medo de spoilers, mas depois li sem medo e foi bem o que eu esperava, espero poder ler todos os livros em breve :)

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