Minha Vez de Brilhar, Erin E. Moulton, tradução de Bianca Bold, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP:
Novo Conceito (#Irado), 2014, 288 páginas.
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As irmãs Indie e Bibi sempre foram muito próximas, porém aos poucos o relacionamento foi se deteriorando e Bibi dá a impressão de não gostar mais de sua irmã mais nova. Indie sabe que para reconquistar o carinho da irmã ela precisa se mostrar útil, por isso aceita o desafio de ajudar no teatro em que Bibi está frequentando para realizar o sonho de se tornar uma atriz.

Mas além de reconquistar a irmã, Indie está também em busca de sua lagosta de estimação, que se perdeu após uma grande confusão no último dia de aula. Para encontrar a lagosta perdida ela conta com a ajuda de seu novo amigo, Owen, mas Bibi e sua turma começam a pegar no pé do garoto e Indie não sabe como agir. Ela sabe apenas que para conquistar tudo na vida é preciso acreditar e se dedicar com todas as forças.

“Sei que Bibi pode ser melodramática, mas talvez ser a atriz perfeita signifique para ela o mesmo que encontrar a lagosta Monty Cola significa para mim. Talvez a gente tenha a mesma sensação de coração pesado, só que por desejar coisas diferentes” (pág. 234).
Conhecida por suas histórias infantis, também consideradas contos de fadas contemporâneos, a autora Erin E. Moulton foi publicada pela primeira vez no Brasil com A Jornada (2011), livro que possui suas falhas, mas que ainda assim marca o leitor por sua simplicidade. Três anos depois um novo título é publicado, porém sem o bonito toque de magia encontrado anteriormente.

O fato de já conhecer o trabalho de Moulton cria uma inevitável expectativa, que infelizmente nem de longe é atendida com Minha Vez de Brilhar. Isso acontece ainda que não seja nenhuma novidade o estilo simples e a história leve de toque inocente, característica principal do gênero. Apesar da consciência do que será encontrado, a história de Indie é sem graça e monótona, sobretudo em seus capítulos iniciais.

Seria um grande erro, no entanto, ignorar o fato de que existe uma grande evolução em determinado momento do enredo. Indie já está com seu objetivo definido quando conhece Owen e esse, propositalmente ou não, se torna o responsável por evitar que a ideia da obra se torne descartável. A presença do garoto, nerd e por isso desprezado por várias pessoas, dá o toque necessário para a continuidade, contudo nem mesmo as aventuras dos dois novos amigos deixa a história menos boba.

É preciso ressaltar também que, apesar de não impressionar, Minha Vez de Brilhar é semelhante ao livro anterior em sua essência, ou seja, nos dois casos as crianças precisam agir pelo próprio bem e de todos ao seu redor. Com apenas o desaparecimento de sua lagosta, Indie aprende a dar valor em si mesma e também em sua família, especialmente na irmã. Para isso, a narradora aprende a ser uma pessoa melhor – a melhor Indie que ela possa ser – e ajuda que outras pessoas também melhorem.

Para mostrar a importância do aprendizado na vida de uma pessoa, Moulton utiliza uma linguagem simples e até certo ponto infantil, mas com uma qualidade surpreendente, e pode sim tocar o coração dos mais emotivos. No entanto isso não é suficiente. Dificilmente seria uma escolha ideal para uma criança, ainda iniciando o hábito da leitura e que busca, no mínimo, uma aventura que seja divertida para se ler e vivenciar, e não uma reflexão subentendida em uma busca e na formação de novas amizades.

Infelizmente o trabalho da autora tem apenas a essência como destaque, mas por sua vez, o trabalho da editora, em seu terceiro livro do selo #Irado, confirma que a qualidade será sempre essencial para atrair os olhares do público alvo, por isso mais uma belíssima edição em capa dura com brilho no título da obra. Pena que uma edição bonita não signifique necessariamente uma leitura inesquecível, mesmo que seja possível perceber que acreditar e lutar por nossos desejos pode nos levar ao brilhantismo.

“Uma estrela cadente cruza o céu, e só há um pedido que eu tenho neste mundo. E não é para mim. Não é para Bibi. Eu só queria que Owen pudesse ver, de alguma forma, o quanto ele é ótimo. Faço aquele pedido várias e várias vezes, até que adormeço” (pág. 270).

2 Comentários

  1. Essa é minha leitura atual, e, ao contrário de você, fiquei bem animada com o início da obra, nem achei monótono, mas agora estou chegando por volta da página 150 e estou começando a achar tudo tãão chatinho...
    O trabalho gráfico está l-i-n-d-o, um dos mais bonitos que já vi!

    Brunna Carolinne - My Favorite Book - @MFBook
    myfavoritebook-mfb.blogspot.com.br

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  2. Nossa, que livro mais fofo! Quando vi o lançamento não achei que fosse assim tão infantil, mas pelos quotes vi que apesar disso o autor passa pequenas e boas mensagens através dos personagens, e achei isso uma graça!

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