Destino Mortal, Suzanne Brockmann, tradução de Renato Motta, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Valentina, 2014, 536 páginas.
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O ex-Navy SEAL Shane Laughlin já está sem alternativas quando consegue um emprego para participar de um teste no Instituto Obermeyer, uma fundação que trabalha com atividades secretas. Quando chega ao local, Shane não demora a descobrir sobre a existência de pessoas com habilidades especiais que conseguem acesso a regiões inexploradas do cérebro. Essas pessoas são conhecidas como Maiorais e devem passar por treinamentos para explorar seus poderes de forma consciente.

Mas a sociedade norte-americana está um verdadeiro caos e um grupo de pessoas descobriu que uma droga conhecida como Destiny pode ser uma alternativa muito lucrativa. A droga não apenas oferece a juventude eterna, como também transforma qualquer pessoa em um Maioral. O que poderia ser ótimo para todos, na verdade se trata de um grande perigo e apenas pessoas do Instituto Obermeyer podem ajudar.

“A dor quase a fez desmaiar. Ela gritou um pouco mais e soluçou, acompanhada por um coral de gritos que ecoavam pelas paredes. O que ele espetara em seu braço beliscava, queimava e parecia uma ferroada; ela percebeu que ele estava dando pontos em seu braço, espetando e puxando uma agulha através da sua pele. O que ele enfiara em seu braço continuava lá dentro, com um pedaço espetado para fora” (pág. 94).
Antes de iniciar a leitura de Destino Mortal não tinha consciência do que poderia encontrar, a não ser a mistura de suspense, fantasia e sensualidade. Tudo levava a crer que se tratava de um tipo de enredo, por isso que encontrar absolutamente o contrário se tornou uma grata surpresa e a experiência foi a melhor possível, apesar de encontrar sim pontos desagradáveis.

Os pontos agradáveis, no entanto, chamam a atenção ainda no início, com grande destaque para a ótima e viciante escrita de Suzanne Brockmann, que inclusive interage com o leitor, mesmo em uma narrativa em primeira pessoa. Além disso, o suspense é muito bem explorado, por isso sempre a necessidade de prosseguir com a leitura e assim desvendar os mistérios.

Mesmo com tais pontos positivos, de certa forma a autora exagera na quantidade de informações, que são de fato importantes para a compreensão, mas também causa confusão para o primeiro livro da série Destiny. Destino Mortal é um raro caso em que algumas coisas poderiam ser exploradas com mais calma e outras, em especial as habilidades de cada personagem, deixadas para futuros volumes.

Isso acontece porque a série é basicamente a união de vários pequenos detalhes, que juntos tornam tudo muito complexo. O que dá para dizer é que alguns dos personagens de Brockmann possuem habilidades especiais relacionadas ao intelecto e divididas em vários níveis, o que motivou a criação da já citada droga que dá nome à série.

Outra coisa que pode ser confusa é a importância do sexo para o enredo, já que não se trata de um elemento descompromissado e justamente por isso as cenas extremamente quentes são tão frequentes quanto bem escritas. O sexo, diferente do imaginado a princípio, se torna o ponto forte da obra, que seria inferior e até mesmo cansativa com a ausência desse detalhe tão natural.

O livro é recheado de capítulos longos, porém sempre divididos em várias cenas e infelizmente isso resulta em situações pouco aproveitadas, sobretudo nas cenas de ação do início para o fim do enredo. Mas as cenas finais são incríveis e de tirar o fôlego de todo e qualquer tipo de leitor, que certamente aproveitará os momentos de tensão que aumenta o ritmo de leitura e muda completamente a experiência vivida até então.

Curiosamente o enredo se passa em um espaço de tempo muito curto, por isso que as quinhentas páginas são lidas com a mesma velocidade com que os personagens mostram a capacidade física e o carisma que os torna diferenciados. Eles não precisam de muito para conquistar e revelar que, ao lado da escrita e do próprio sexo, são o que de melhor foi criado por Suzanne Brockmann.

Sem deixar a continuação em aberto, Destino Mortal possui suas falhas e também muitos acertos, que fazem com que seja recomendado por ter mistério e tensão consistentes, além de muito romance e a ação necessária em um livro inspirado nos SEALs, força de operações da Marinha norte-americana. Se não bastasse isso, a edição brasileira conta com um extra que responderá perguntas que ficam no ar sobre o personagem Shane Laughlin, um dos melhores da trama.

“Continuou parado ali, com a excitação faiscando nos olhos lindos, no rosto bonito demais, no corpo esguio e musculoso com atitude de oficial da Marinha. Mac sentiu vontade de chorar ou de bater em alguém, porque não desejava mais uma transa totalmente impessoal com aquele homem.
Na verdade, queria algo que jamais conseguiria ter” (pág. 283).

3 Comentários

  1. Olá =).
    Confesso que não me interessei nem um pouco pelo livro, não curto esse tipo de leitura. Sem falar que os pontos negativos que você citou, para mim, se sobressaíram mais que os positivos.
    Beijos.

    memorias-de-leitura.blogspot.com

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  2. Nossa, que livro!
    Gostei muito quando vi sobre pessoas com poderes especiais (só ODIEI o nome, Maiorais, sério??), e também me decepcionei com alguns pontos do livro, como a importância dada ao sexo...
    Não sei bem se é um livro que eu leria.
    Acho que só me interessaria se eu ganhasse de presente...

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  3. Olá Ricardo,

    Não conhecia o livro, mas achei interessante, quem sabe eu leia futuramente.....abraços.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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