As férias escolares chegaram!

Tempo da molecada descansar ficando acordada até tarde e no dia seguinte levantar da cama às 11h, viajar, ir ao cinema e criar calos dos dedos de tanto jogar videogame. Afinal, foram dois bimestres muito cansativos, não é mesmo?

O ano mal começou e todos já estavam de olho em quando começava o Carnaval. E assim quando as aulas começaram, foi só pensar “são só duas ou três semanas e depois posso ficar em casa”. Delícia.

Em seguida tivemos feriados. Municipais ou estaduais... não importa. Era só decretarem “ponto facultativo” que todos já entendiam “u-huuu! Não teremos aula” e os alunos não iam. Ou os pais não se importavam em levar.

E é claro, tivemos também as greves. Como foi bom ficar em casa esse tempo, não é mesmo? Ou melhor, era bem chato para os alunos se arrumarem para ir à escola e depois no meio do caminho encontrar aquele amigão que te diz “pode voltar para casa que não teremos aula” com aquele sorriso quase chegando na nuca.

Mas nada disso deve ser considerado. Não há necessidade de falarmos de educação escolar porque estamos de férias! Vivemos em um país em que só se estuda em um turno (ou manhã, ou tarde ou noite) e os outros dois são usados para deveres escolares ou a chance do jovem ajudar nas tarefas domésticas. Só que na prática é o tempo do estudante se divertir, afinal nada é mais doce do que essa época que temos na infância. E os pais procuram dar um jeito de sempre aumentar esse tempo o máximo possível, pois “é importante que eles aproveitem esse momento, já que eu não tive isso. Mas quando meu filho tiver X anos, aí eu o farei estudar”.

Então se não precisamos falar de educação escolar, por que você ainda está lendo esse artigo? Aproveite que vivemos em um país tropical e vá jogar futebol com os seus amigos na rua ou aproveite a quadra da sua escola para isso (escola é assim: chegou férias? O importante é a quadra ficar aberta) ou dependendo do local onde você vive, organize o seu “rolezinho” nos shoppings e diga que só vai curtir o lugar e se alguém fizer besteira, diga que é um amigo de um colega de um primo de um vizinho e que portanto você não tem nada a ver com isso.

Esse negócio de “vou aproveitar as férias para ler aquele livro do qual fizeram filme” é coisa para o pessoal te chamar de nerds (ainda que o correto seja nerd, uma vez que a desinência “-s” nesse contexto é marca de plural). Afinal, Deus nos deu um lugar tão bonito para viver que não vale a pena aproveitar o seu momento livre para ir a um museu, biblioteca, livraria ou coisa do tipo. Por que você tem que fazer isso se já fez o ano todo, não é mesmo?

Então aproveite, meu caro estudante, que como até o sistema reconhece que dar aula para 30 ou 40 alunos em mais de 10 salas e às vezes em mais de um local e ainda ter um segundo emprego ou casa para cuidar é bem desgastante (já imaginou ser professor assim, meu jovem? Nossa... cansa mais do que ir à padaria!) ele dá as férias para o professor tentar lembrar que ele também tem uma vida e aprecie melhor a sua! Não tenha o hábito de levar a vida a sério. Não. Isso é bobagem. Quando chegar à adolescência os seus pais pagarão um bom cursinho preparatório e vocês farão um curso técnico que seus responsáveis também escolherem porque deixar essa decisão nos ombros de vocês é muita pressão, não é verdade? E se não passarem, não tem problema: aproveitem o que aprenderam e façam uma universidade e não esqueçam: não compareçam na primeira semana de aulas. Não tem nada e os calouros só apanham. Ok?

Então é isso aí, meu caro leitor! Aprecie esses momentos divertidíssimos para lembrar as ocasiões em que fez um professor ficar sem graça com as suas piadas ridículas ou os momentos em que você bateu boca com um agente escolar pelo fato de um professor ter faltado e você querer que as aulas fossem adiantadas. Afinal, são momentos como esse que farão toda a diferença na sua vida mais para frente.

E não deixem de assistir aos jogos da Copa. Não importa o que você seja da vida desde que possa contar aos seus netos como viu o Neymar Jr. brilhar em campo.

E nos vemos quando as aulas voltarem.

Sobre o Autor
Davi Paiva da Silva nasceu em 22/03/1987, em São Paulo – SP. Está cursando Letras na UNICSUL, publicou o texto "18 anos sem Ayrton Senna" no site minilua.com, além de um microconto com a hastag #tweetcontos no twitter DaviTweetcontos e colabora com artigos no blog espadaarcoemachado.wordpress.com. No mundo impresso, participou das antologias de contos Corações Entrelaçados, Névoa, Quimera, Sopa de Letras, Amores (Im)Possíveis, Mentes Inquietas e Livre Para Voar todas da Andross Editora.

Contato: davi_paiv@hotmail.com.

Um Comentário

  1. Olá Davi,

    Realmente a infância e adolescência são os melhores dia da nossa vida, sem responsabilidades e com muita energia e busca pelo conhecimento, temos que aproveitar o máximo mesmo e simplesmente nos divertir e mais nada...belo texto...abraços.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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