Amazônia: Arquivo das Almas, Paul Fabien, 1ª edição, São Paulo-SP:
Editora Isis, 2013, 332 páginas.
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Apesar de muito jovens, os majores Vitã e Helena sempre se destacaram em suas missões para defender a Floresta Amazônica. Justamente por isso, quando uma importante missão surge, os dois são chamados e precisam superar suas diferenças para trabalhar juntos por um único objetivo.

Na mais perigosa e inesperada de todas as missões, Vitã e Helena se deparam com confrontos contra o mal e segredos antigos que podem explicar o motivo de a Amazônia ser tão especial. Seja em território brasileiro ou colombiano, os dois estão cercados pelas belezas da maior floresta tropical do mundo, mas também precisam agir para desvendar mistérios que ultrapassaram a barreira dos séculos.

“O pequeno veículo levantou voo em noventa graus, acelerou e se distanciou da tribo, sobrevoando rapidamente as copas das árvores, rumo ao condomínio militar de Codajás. Vitã sabia que um novo desafio estava prestes a surgir. Talvez... o maior de toda a sua vida. E aquilo estava lhe deixando preocupado, muito preocupado” (pág. 25).
A Floresta Amazônica não é apenas a maior floresta tropical do mundo, mas também um riquíssimo cenário que infelizmente é pouco aproveitado na literatura. Se normalmente esse cenário já contribui para uma série de possibilidades, aproveitá-lo para uma história futurística, com o auxílio dos avanços tecnológicos, não poderia ser menos chamativo.

Amazônia: Arquivo das Almas merece destaque simplesmente pela ideia original do autor Paul Fabien. Apesar disso, no entanto, é necessário um bom tempo para que tudo passe a fazer sentido e o livro mostre o seu verdadeiro objetivo. É possível ainda dividi-lo de duas formas: uma trama principal, totalmente original, e outra secundária, pouco explorada e com alguns elementos comuns.

Parte disso se deve às falhas no desenvolvimento das personagens e do próprio enredo principal. Como toda personagem, Vitã e Helena, por exemplo, possuem seus próprios dramas, apresentados no início do livro, e isso é praticamente esquecido com o passar dos capítulos. Diferente do que sugerido no início, a relação entre eles é muito profissional, ainda que algo pessoal fosse preciso para o bem das próprias personagens.

O desenvolvimento precisaria de algo que prendesse o leitor do início ao fim, assim como a própria estrutura da narrativa. No início, quando os capítulos são curtos e objetivos, a leitura é rápida e instigante, porém isso muda consideravelmente conforme os capítulos aumentam de forma exagerada. É compreensível que em alguns casos, sobretudo nas cenas de ação e de explicações, isso seja necessário, mas é necessário, também, que as cenas sejam divididas para evitar certa confusão quando o foco/cenário muda repentinamente.

Apesar das já citadas falhas, quando as situações começam a fazer sentido e o autor deixa de jogar informações, para dar explicações, a ideia de um enredo original se confirma. Isso acontece apenas quando a história se torna fiel à belíssima capa e principalmente ao subtítulo, chamado de Arquivo das Almas por um motivo muito bem bolado. Com isso surge a inevitável continuação, que certamente resultará em muitas coisas boas que ainda podem acontecer.

Com a leitura de mais uma ficção científica brasileira, é possível afirmar que muitos dos nossos autores possuem ideias fantásticas, mas que essas nem sempre são bem desenvolvidas. Muitas vezes eles se focam mais nos elementos científicos – aqui muito bem trabalhados - e se esquecem do enredo, o ponto forte de uma história. Pelo menos Fabien, de maneira muito especial, soube abusar de seu cenário único para construir ótimas sequências de ação e com planos muito bem elaborados, que aumentam a chance de uma continuação ainda mais eletrizante.

“Mas, desta vez, eles não iriam encontrar tanta facilidade. Um líder de esquadrilha ficou alarmado com o que viu nos sensores. Milhares de mísseis vindo em sua direção. Mesmo ordenando aos pilotos de sua equipe para recuar, a tentativa foi em vão: várias aeronaves foram atingidas, obrigando a muitos pilotos ejetarem de seus veículos aéreos com o imprevisto” (pág. 268).

3 Comentários

  1. Bacana! Obrigado pelo apoio Ricardo!

    Em breve te envio marcadores.

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  2. Assim como você, também acho que os autores nacionais têm grandes ideias que muitas vezes não são bem exploradas, o que é uma pena.
    A capa do livro é muito bonita! Gostei da resenha bem detalhada. :)
    Beijoo
    Lu
    Blog Sem Spoiler

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  3. Oi, Rick,
    A ideia, pelo visto, parece ser boa, pena que não foi tão bem desenvolvida. Isso deixa a gente frustrado às vezes, né? Eu adoro ficção científica, mas acho que tem que ser um gênero especialmente trabalhado. Há de se preocupar com muitos aspectos para que saia de forma satisfatória.
    Beijo!

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