O Teste, Joelle Charbonneau, tradução de Santiago Nazarian, 1ª edição, São Paulo-SP:
Única, 2014, 320 páginas.
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Em um mundo pós-guerra, que sofre consequências que vão além da própria destruição, a Comunidade das Nações Unificadas seleciona os jovens mais brilhantes que podem se tornar grandes líderes para participar do chamado O Teste e mais tarde contribuir na reconstrução do mundo. Quando sua formatura finalmente chega, Cia espera ser selecionada e participar dessa que pode ser uma trajetória muito difícil.

Poucas informações são reveladas, mas ela se entusiasma quando é selecionada. Pelo menos até seu pai se mostrar preocupado, já que no passado também passou por isso e não tem boas lembranças. As revelações surpreendentes do pai fazem com quem Cia tenha a certeza de que será preciso cuidado ao enfrentar o governo. Ou então, pode nunca rever a sua família.

“Agora que minhas escolhas foram feitas, o pânico se estabelece. Amanhã estarei me afastando de tudo o que conheço para algo estranho e potencialmente perigoso. O que eu mais quero no mundo é subir na cama e puxar as cobertas sobre minha cabeça. Em vez disso, fecho a sacola, coloco no ombro e volto para minha família, na esperança de poder curtir minhas últimas horas com eles” (pág. 44).
A maioria dos novos autores de distopia tem se aproveitado da leitura digital para lançar introduções de suas séries. Com Joelle Charbonneau, uma das mais importantes descobertas de 2013, isso não poderia ser diferente. Apesar de ser narrado pelo irmão mais velho da protagonista da série O Teste, e mostrar como a ambição pode afetar todos ao seu redor, a introdução, lançada pela Amazon, não chega perto de mostrar tudo o que a trilogia é capaz de transmitir.

Isso, infelizmente, também acontece com o início do próprio livro O Teste. Apesar de ser uma distopia, e por isso ter muita coisa diferente do habitual, é possível dizer que enquanto a narradora Cia passa por sua formatura, o cenário é relativamente utópico. Não que tudo seja lindo e apaixonante, mas a própria narrativa se difere do esperado e sofre com certa lentidão, dando a impressão de que será no mínimo cansativo.

Apenas quando o pai de Cia faz um alerta, e conta suas próprias experiências, isso começa a mudar. Na sequência, quando o aguardado teste tem início, percebemos o motivo de a trilogia ser aclamada e comparada com os principais títulos distópicos da atualidade. A realidade muda e o envolvimento do leitor se intensifica da mesma forma que a vida da protagonista se torna conturbada.

Como a principal frase de divulgação diz para não confiar em ninguém, e o relacionamento com outros candidatos é praticamente inevitável, o livro também ganha um toque angustiante. A cada nova personagem que surge em cena, a desconfiança ultrapassa a barreira das páginas e toma conta do leitor. Conhecendo o que envolve o desfecho do teste, após o alerta do pai da protagonista, fica impossível confiar em alguém ou não se irritar quando uma garota tão inteligente como Cia age ingenuamente – ainda que também seja capaz de atitudes louváveis.

Sua inteligência, que podemos considerar fora da média, impressiona positivamente porque é essencial durante cada nova etapa. Sem essa característica imprescindível, Cia teria grandes dificuldades de sobrevivência, em avaliar os verdadeiros objetivos de cada missão e passar não apenas pelas provas escritas, relativamente fáceis, mas por perigosas provas posteriores, que envolvem lógica, força física e o poder de liderança.

O Teste tem, entre outras coisas, seres modificados geneticamente e pessoas poderosas capazes de tudo para alcançar seus objetivos, no entanto é a personalidade humana que, mais uma vez, faz a diferença. Se não é possível confiar em ninguém, isso se deve ao fato de cada personagem ter algo para esconder ou simplesmente ter uma forma própria de encarar seus desafios. Desafios esses que podem ser surpreendentes e com situações sub-humanas e dolorosas. Imagine então com o próximo volume, Estudo Independente.

“Flores crescem perto do canto do lago, preenchendo o ar com sua doce fragrância. As árvores são altas e retas e fornecem abrigo do Sol. É o local perfeito para descansar e nos restaurar da viagem. Neste lugar em que nada é perfeito, é de espantar que eu me recuse a confiar?” (pág. 166).

7 Comentários

  1. Olá Rick,
    Eu precisava conferir sua resenha, estou muito feliz por você ter lido O Teste, acho que porque amo distopias me empolguei muito com esse livro e queria que meus amigos lessem e sentissem exatamente o que senti: euforia, eletricidade, raiva e muitas dúvidas. Acho que O Teste não tem nenhum elemento novo e espetacular se compararmos com outras distopias a não ser a questão de provas e da 'mentira' social, mas achei a escrita tão envolvente [o começo é um pouco arrastado, mas depois passa] e a é impossível não ficar curiosa com o desenrolar dos fatos.
    Fico feliz porque acredito que você gostou do livro, mas mesmo assim, você ainda precisa ler Jogos Vorazes...
    Estou particularmente empolgada e ansiosa pela leitura da continuação: Estudo Independente.

    xoxo
    Mila F.
    @camila_marcia
    De Livro em Livro
    Devaneios Fugazes

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    1. Mila, assim como você, também acho a escrita envolvente e estou empolgado com a continuação. Li uma resenha ainda agora e a expectativa apenas aumentou. :D
      Você não é a primeira e certamente não vai ser a última a falar que preciso ler Jogos Vorazes. rsrs Talvez demore um pouco mais para que eu finalmente pegue o livro, mas tenho certeza que vou gostar, como tenho gostado de todas as distopias até então.

      Beijos!

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  2. PARA TUDO! Quero taaanto ler esse livro *---* Você sabe que eu gosto muito de distopias e O Teste com certeza é uma das que eu mais quero ler no momento. O fato de você ter gostado só me deixou mais curiosa ainda, mas confesso que o início dele ser lento me deixou um pouco desanimada (ultimamente estou lendo tantos livros assim que estou ficando cansada, sério).
    Quero muito fazer a leitura dessa obra, mas, antes, vou baixar um pouco a bola, para poder ir com o mínimo de expectativa possível e aproveitar ao máximo a narrativa (:

    Brunna Carolinne - My Favorite Book - @MFBook
    myfavoritebook-mfb.blogspot.com.br

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    1. Brunna, você bem sabe que é impossível não se lembrar de você lendo uma distopia, né? rsrs O início é meio lento, mas com a certeza de que tudo pode e certamente vai melhorar pode tornar a experiência mais prazerosa. Eu sabia que o livro era bom, mas não tinha ideia desse inicio, por isso fiquei com um pouco de raiva desse detalhe.
      É sempre bom diminuir a expectativa para aproveitar ainda mais. Apesar disso, realmente espero que você goste da experiência.

      Beijos,

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  3. Olá Ricardo,

    Só leio resenhas positivas desse livro e a sua não foi diferente, só aumentando a minha curiosidade, já esta na minha lista de desejados....abraços.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  4. Apesar de não ser a distopia mais genial de todos os tempos, adorei o livro e gosto muito do que Joelle criou! "O Teste" é um livro muito bom, e posso de te garantir que em "Estudo Independente" acontece coisas muito legais, reviravoltas super interessantes, e sim, a autora parte para um lado mais sombrio de Tosu City e a saga de Cia. Terminei hoje o segundo volume, e muito satisfeito, e espero que "Graduation Day" seja um final épico. Estou super animado!

    Abraços,
    pensamentosdojoshua.blogspot.com

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    1. Você acaba de me deixar ainda mais ansioso pela continuação, Joshua! Na semana passada li uma resenha que já comentava sobre o segundo livro ser bom, mas qualquer comentário positivo é motivador. Espero ler o quanto antes e também gostar para, então, aguardar o desfecho com essa animação.

      Abraços!

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