Batman: um personagem que só sai ao anoitecer
em uma cidade cheia de criminosos loucos em uma selva de pedra.
Personagem interage com o cenário.
Olá, pessoal. Hoje vamos falar do âmago de uma história. Na última postagem, eu disse que toda história fala de alguém que quer algo e alguma coisa o impedirá. Hoje vamos falar desse “alguém”.

Vamos falar de personagens!

O personagem é quem vai viver uma jornada rumo a um destino maior. Ele pode conquistar um prêmio desejado por um mundo todo ou sofrer a maior das desgraças. Logo, ele está destinado ao maior dos ápices ou à pior das derrotas. Portanto, lembrem-se: o personagem é um ser destinado a uma jornada diferente de todos presentes na história rumo a um final que vai mudá-lo para sempre.

Quem é mais importante: a história ou o personagem?

Ambos.

A história e o personagem se entrelaçam em um yin e yang bem equilibrados. Não adianta você ter em mente aquele cara todo metido a herói comediante e dar a ele o poder da imortalidade de forma que ele possa suportar um tiro... se ele não faz nada com o seu poder.

Exemplo: sua história é sobre um soldado que viajava de helicóptero quando uma tempestade jogou o meio de transporte dele na selva. Agora ele terá que lutar contra animais e tribos selvagens para voltar para casa? Que chato...

Exemplo 2: seu personagem é um riquinho nerd que estava em um iate do pai, vítima de um atentado e agora ele tem que se embrenhar na mata sem seus gadgets e sobreviver? Aí sim!

Dexter Morgan: justo ou apenas o desejo
dos fãs de matar criminosos?
Não importa se o seu personagem é um policial dos anos 30, de 2047 ou um mago de um mundo fantástico. Além dele ser um ser em uma situação inusitada que saia de sua zona de conforto (como um certo garoto que mora debaixo de uma escada e depois descobre que é um bruxo rico em um mundo onde é querido por quase todos...), seus leitores querem encontrar uma verossimilhança com ele dentro das condições humanas. Ou do contrário, ele pode até ser um anormal dentro de um mundo normal. Exemplos:
  • Um policial honesto em meio a um departamento corrupto (normal X anormal);
  • Um detetive psicopata, matando quem deveria prender (anormal X normal);
  • Um fantasma de um pirata louco por riquezas faz de tudo para saquear reinos (anormal X normal);
  • Etc.

Claro que quando você cria um personagem que é normal dentro de um mundo anormal, você tem que pensar em como uma pessoa normal reagiria a determinadas situações. Veja o caso:

Lógico que Alex não tinha intenção de causar a explosão no laboratório do seu tio. Muito menos abrir aquele portal que o sugou e o fez cair no meio de uma floresta ao anoitecer. O garoto viu pelas luzes que a civilização estava perto e quando chegou, lembrou das ilustrações em seus livros de história e viu que todas as casas tinham um formato que não era utilizado há mais de cem anos.
— Em que época estou? — indagou o garoto.

Acha que uma pessoa como Júlio César
falaria como VOCÊ?
Em uma situação como essa, é claro que uma pessoa vai se sentir perdida, deslocada de seu tempo e vai desejar voltar para casa. Se o personagem dissesse “Mas que saco... acho que viajei no tempo...” seria uma reação muito incomum e inesperada.

E já que estamos falando de diálogos, aqui vai outra coisa a se pensar: considerando que a escrita é um reflexo de descrever com palavras a essência do que ser um humano, então é bom você ponderar sobre as palavras que usa para criar seus diálogos, bem como o arranjo delas. Um gladiador fala de uma forma, uma princesa arrogante de outra, um cientista de um jeito e um policial de outro. Sem contar as diferenças de idade, sexo, classe social e região na qual nasceu. Você não precisa colocar um “tchê” a cada três palavras para mostrar ao leitor que seu personagem é gaúcho. Em vez disso, veja nos dicionários informais como um morador da região sul do Brasil se comunica.

Então vamos resumir as características de um personagem listadas aqui:
  • Uma história não é interessante se o personagem for um sujeito sem objetivos e obstáculos. Ele tem algo a fazer dentro dela;
  • Seu personagem interage com o mundo no qual vive. O mundo o afeta ou é afetado por ele. Ele pode ser mesquinho, egoísta e deixar de seguir leis bem como passar a obedecê-las;
  • Um personagem de um livro é a representação de uma pessoa real. Ele fala de um jeito próprio, age de uma forma que representa suas características e é influenciado pelo seu passado e meio social, como qualquer outra pessoa.

Por enquanto é só. Vão pensando nisso que daqui a 2 meses, faço a parte 2 com ótimas dicas.

Obrigado a todos.

Sobre o Autor
Davi Paiva da Silva nasceu em 22/03/1987, em São Paulo – SP. Está cursando Letras na UNICSUL, publicou o texto "18 anos sem Ayrton Senna" no site minilua.com, além de um microconto com a hastag #tweetcontos no twitter DaviTweetcontos e colabora com artigos no blog espadaarcoemachado.wordpress.com. No mundo impresso, participou das antologias de contos Corações Entrelaçados, Névoa, Quimera, Sopa de Letras, Amores (Im)Possíveis, Mentes Inquietas e Livre Para Voar todas da Andross Editora.

Contato: davi_paiv@hotmail.com.

Um Comentário

  1. Olá Davi,

    O personagem muitas das vezes carrega nas costas uma história, e com certeza muitos deles são marcantes, gostei demais do post...parabéns....abraços.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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