A Promessa do Tigre, Colleen Houck, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2014, 128 páginas.
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Muitos séculos antes de Ren e Kishan conhecerem Kelsey, outra jovem garota cruzou o caminho dos príncipes. Yesubai era filha de Lokesh e sempre sofreu em suas mãos, por isso precisou esconder que havia herdado os poderes mágicos do pai, que foi capaz de assassinar a esposa quando essa não lhe deu um filho homem.

Aos dezesseis anos, Yesubai e o próprio Lokesh são surpreendidos pelo rei, que acredita nas melhorias causadas por um casamento entre ela e algum pretendente dos reinos vizinhos. Essa pode ser a esperança da jovem, que pela primeira vez tem a chance de se livrar dos maus-tratos do pai e ao mesmo tempo encontrar um verdadeiro amor. Mas ela sabe que as intenções do pai são as piores possíveis.

“Eu imaginava cada botão que eu pegava crescendo livremente ao sol, abrindo as pétalas na direção do céu, embora soubesse que a maioria das flores que recebia era cultivada. Observá-las murchando devagar com o tempo me parecia estranhamente apropriado e extremamente profético” (pág. 24).
O lançamento de livros paralelos antes da conclusão de uma série causa um grande debate. Se em alguns casos isso é completamente desnecessário, para não dizer horrível, em outros pode resultar em um trabalho agradável e principalmente esclarecedor, como acontece com A Promessa do Tigre, um prequel da saga A Maldição do Tigre.

A novela, lançada recentemente por Colleen Houck, se passa 300 anos antes dos acontecimentos dos livros principais e consiste em apresentar a versão de Yesubai - uma das grandes responsáveis pela maldição que surgiria posteriormente -, sobre a história que é brevemente contada à Kelsey. Se com o que conhecemos nos quatro primeiros livros da série a personagem passa a dividir opiniões, A Promessa do Tigre surge para que ao menos seja possível compreender as razões da filha do odiável Lokesh.

Apesar de tudo o que é feito por Yesubai, dando motivos para não se simpatizar com ela, com essa história fica claro que sua personalidade vai muito além do imaginado e que ela pode ser vista como uma jovem determinada. A questão é que Bai sofreu nas mãos do pai e não pode agir como seus próprios desejos, sendo necessário todo cuidado possível para não sentir outras consequências, aí então a explicação para algumas de suas atitudes.

Exatamente por sua personalidade tão exclusiva, Yesubai se diferencia e muito de Kelsey, ainda mais por não ser uma garota frágil e que passa todo o tempo lamentando suas próprias indecisões. Não ter dúvidas sobre os seus sentimentos contribui para uma narrativa mais limpa, um detalhe que se torna ainda maior com sua bela e encantadora história. Um verdadeiro conto de fadas indiano, sem aventura, porém com direito a príncipes, princesas, castelos, magia e a própria mitologia, característica principal da saga.

Yesubai é talvez a personagem secundária mais importante de A Maldição do Tigre. Se os príncipes Ren e Kishan se tornaram como conhecemos, invertendo a própria personalidade entre eles, Bai tem o seu papel; se Lokesh inferniza a todos, ela também é responsável. Por esses e outros motivos, o primeiro livro cronologicamente serve para abrir os olhos dos leitores que nos livros seguintes poderiam odiá-la.

Se falta a ação e as surpresas das obras principais, pode ajudar a esquecer de uma personagem tão irritante quanto a protagonista da saga. Nesse caso, ter lançado livros paralelos durante toda a publicação, com outras necessárias revelações, sobretudo em relação ao Lokesh, seria ótimo para todos, afinal Houck é capaz de escrever de forma mágica independente de sua narradora.

“O jovem esfregou o maxilar e eu ouvi a mão roçar a barba que começava a crescer. Senti vontade de gritar para ele que não se deixasse levar pelas palavras de meu pai, de exclamar que Lokesh jamais cumpria suas promessas. Que somente ficar ali e lhe dar ouvidos já era perigoso. Mas não disse nada e esfreguei minhas mãos invisíveis, desesperada para saber mais sobre esse futuro que ele planejara para mim” (pág. 57).

7 Comentários

  1. Oláááá!
    aaaaaaahhh,adorei as quotes escolhidas! não li ainda os livros da série, mas estou me animando cada vez mais! :) espero que seja essa nutella toda que pintam por ai!
    não sou a maior fã de prequel's e derivados... sinto as vezes como uma forme de continuar ganhando dinheiro em cima dos fãs. mas você está dizendo que foi ótimo ter lançado... fico feliz! parece que esse prequel realmente vale a pena!

    Um beeijo Lara.
    Blog Meus Mundos no Mundo | | Página Coração Furta-Cor

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  2. Ainda não li nenhum livro dessa série =O
    Eu não tenho nada contra esses livros lançados de forma paralela, apesar de concordar que as vezes são desnecessários. Mas em alguns casos são bacanas para ajudar a compreender melhor a história. Parece ser o caso desse.
    Bjo

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  3. Olá Ricardo,

    Li o primeiro livro da série e parei, apesar deter gostado achei fraco e irritante,não sei se continuarei a ler os demais livros, mas esse realmente me parece bom e essa é a capa mais feia...vai entender.....abraços.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  4. Oiii!! Não li a trilogia do tigre ainda, embora a minha cunhada seja fã e insista muito, hehhehe. Mas a capa desse eu nao gostei muito, achei meio estranha. :(
    Beijooos

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  5. É incrível como tudo mundo se irrita com ela né!? Eu li só o primeiro livro, curto a ação, a a história, gostei dos irmãos, mais tive vários problemas com a mocinha também! Ainda vou voltar a ler a saga! Gostei da resenha!
    Um grande Beijo!
    Paulinha Juliana
    http://overdoselite.blogspot.com.br/2014/08/resenha-sentimento-fatal-janethe-fontes.html

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  6. Ai essa série, sou entre amor e ódio com ela. A autora promete uma continuação, O Sonho do Tigre, e me vem com isso? É me decepcionei mas adorei a resenha, vou conferir pro curiosidade.

    http://penelopeetelemaco.blogspot.com.br/

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    1. Concordo com você em relação a "O Sonho do Tigre". :( A autora chegou a comentar que havia assinado contrato pra escrever uma nova série, por isso precisou abandonar o quinto livro. Acho isso muito chato.

      Abraços,

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