Par Perfeito, Eleanor Prescott, tradução de Sibele Menegazzi, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Valentina, 2014, 352 páginas.
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Alice Brown trabalha em uma agência de relacionamentos e tem como objetivo ajudar seus clientes a encontrar o par perfeito, por isso ela é considerada uma grande sonhadora e tem obrigação de acreditar em Príncipes Encantados. Ela até busca seu próprio príncipe, mas enfrenta certa dificuldade. Essa dificuldade só não existe quando precisa encontrar alguém para seus clientes.

A nova cliente de Alice é Kate, uma mulher que quer encontrar o amor da sua vida e formar uma família antes dos 35 anos – o que está se aproximando. O problema é que Kate está fora dos padrões e busca um homem dos sonhos, ou seja, perfeito. O desejo da cliente dificulta o trabalho de Alice, que ainda precisa enfrentar sua patroa e ser uma profissional exemplar, além de conviver com outros clientes e levar uma vida no mínimo normal.

“Por mais que tentasse se concentrar em números, não podia evitar imaginar o rosto de um homem. Não qualquer homem. O homem. O perfeito para ela. Ainda não o conhecera, mas ele estava lá fora em algum lugar, disso ela tinha certeza. Era indispensável acreditar nisso, pelo menos no meu ramo, ponderou. Era preciso acreditar em Príncipes Encantados” (pág. 26).
Não se deve julgar um livro pela capa não é apenas uma frase usada em uma das cenas de Par Perfeito. A capa da obra de Eleanor Prescott pode até passar a impressão de ser mais um livro adolescente, que retrata esse universo e não tem muito de novo para transmitir. Porém, o livro está mais para uma comédia romântica destinada exclusivamente ao público adulto, provando mais uma vez que realmente não se deve julgar.

Como toda comédia romântica, o tema central não é o mais original: mulheres com problemas de relacionamento, mais precisamente da falta dele, e que no fundo estão desesperadas para encontrar o par perfeito. Com esse pano de fundo, a autora nos apresenta pelo menos cinco personagens bem particulares e narra a história de cada um deles através de uma narrativa em terceira pessoa.

A ótima construção de cada personagem é a grande responsável por nada ser confuso. Mas, ao mesmo tempo em que as personagens são bem construídas, elas também podem ser vistas como estereotipadas. São pessoas que vivem uma ilusão; com problemas de autoestima; sem tempo para relacionamentos ou sem forças para seguir em frente após enfrentar problemas no passado; ou até mesmo vergonha de revelar sua verdadeira personalidade.

A união disso tudo é normal em histórias como essa, por isso nem sempre temos uma grande surpresa. É bem verdade que a autora não deixa nada sem explicação, no entanto é fácil ligar os pontos, conforme alguns fatos são revelados, e assim descobrir o desfecho de cada uma das personagens muito antes do momento ideal. Apenas a agência de relacionamentos se torna original, por isso a graça de prosseguir com a leitura está em acompanhar as atrapalhadas que as protagonistas enfrentam a cada capítulo.

Par Perfeito é o livro de comédia tipicamente britânico, que no Brasil tem como aliado uma simpática diagramação. Nada precisa ser exagerado para ser engraçado e, com essa premissa, Prescott estreia na literatura em uma obra com cenas clichês, como a dificuldade em comer lagosta pela primeira vez, mas no fundo com sua própria reflexão. O livro mostra pessoas que idealizam o par perfeito, mas se esquecem de que devem buscar a pessoa perfeita e que seja responsável por sua felicidade. São temas absolutamente batidos, mas se todos os leitores precisam de obras leves e divertidas, a escolha pode ser muito válida.

“Alice assentiu rigidamente, intoxicada demais com o romantismo daquilo para falar alguma coisa. Sabia que não deveria aceitar, não deveria se permitir ficar excitada, mas não podia se controlar. Uma mensagem através de flores... era a coisa mais incrível que poderia ter imaginado. Estava, literalmente, além de sua imaginação” (pág. 271).

6 Comentários

  1. oi ^^
    Eu realmente acreditava que seria um livro bobinho pela capa (como a gente julga rápido,não?). Mas eu fiquei muito interessada porque apesar de muitas situações "clichês", ela constrói bem os personagens, ela traz humor (graças aos céus sem ser aquela coisa exagerada que eu odeio) e é leve e divertido na medida certa! Pq tem mtos livros nesse estilo que são mau construídos mesmo apelando para os clichês que servem sempre! Eu fiquei curiosa e achei divertido tanto ela achar um par para todos e não conseguir achar um para sí, quanto essa cliente que quer alguém absolutamente perfeito! Qro ler! :3
    Quanto ao layout do meu blog... bem, eu nunca mudei em três ano e quando mudei foram três vezes em um mês! hehehe O primeiro eu enjoei de tanto rosa, o segundo estava com diversos bugs que eu não sabia arrumar... dae achei esse novo, fiz um cabeça para o blog, personalizei o que meu conhecimento em html (com a ajuda do sr. google) permitiu e agora esse é definitivo! kkkkk ficou mais clean e mais minha cara, estou feliz o/

    tem postagem nova por la!
    abraços

    Dudi

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  2. Ricardo, que resenha! Pontuou o que há no livro de importante e me abriu os olhos para a possibilidade de lê-lo. E ainda puxou minha orelha, porque eu julguei pela capa, sim. Não pegaria o livro para ler a partir dessa capa divertida... rsrs. Mas achei o conteúdo tão instigante! Com personagens bem construídas e uma história bem própria do universo feminino - a busca pelo homem perfeito -, acho que será um bom momento de diversão. E como estou precisando disso, depois de leituras densas e dramáticas em sequência!
    Obrigada pela dica!
    Beijo!

    Minhas novas resenhas, adorarei saber sua opinião:
    A verdade sobre nós: Ler para Divertir
    A cor do leite: As Meninas que Leem Livros

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  3. eu meio que me encantei de cara pelo livro, achei o enredo todo mundo divertido e ele ja esta na lista de desejados!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  4. Oi, Ricardo!
    Eu. Realmente. Preciso. Ler. Esse. Livro.
    Parece ser o tipo de leitura que amo. E sim, eu adoro chick-lit. Haha
    O tema é batido mesmo. Você tem razão. Mas tal aspecto não me incomoda quando é bem trabalhado. E pelo o que você disse, a autora soube utilizá-lo de forma satisfatória.
    Já quero pra ontem! rs
    Abraço!

    "Palavras ao Vento..."
    www.leandro-de-lira.com

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  5. Olá Ricardo,

    Esse é mais um livro que fico conhecendo aqui, parece uma leitura bem divertida mesmo e eu gostaria de ler...ótima dica...abraço.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  6. Geralmente quando embarco em uma leitura como essas, sempre vou pela diversão mesmo, pois sempre sabemos tudo o que vai acontecer desde a primeira página. Claro que, se a autora for muito boa, ela ainda consegue colocar umas surpresinhas no meio do caminho, mas se ela conseguir me tirar algumas risadas, já valeu a pena.

    @_Dom_Dom

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