A fantasia na literatura surgiu para explorar a imaginação e os fenômenos que causam estranheza desde o início dos tempos. Ao longo dos últimos séculos, o gênero que motivou o surgimento de novos leitores passou por constantes mudanças, principalmente com a influência do trabalho de J. R. R. Tolkien, um dos mais importantes ficcionistas do último século.

Muitas coisas mudaram no mundo desde o nascimento de John Ronald Reuel Tolkien, em 03 de janeiro de 1892. O futuro escritor nasceu em um período pré-guerra em um estado independente da atual África do Sul, mas se naturalizou britânico ao se mudar para a Inglaterra com apenas três anos de idade.

A intenção de sua mãe era passar apenas um tempo no país europeu, porém a morte do patriarca da família Tolkien, que permaneceu na África, mudou os seus planos e ela continuou ali com seus dois únicos filhos. Apesar de a família materna pertencer a Igreja Anglicana, a mãe de Tolkien decidiu se converter ao catolicismo e isso influenciou também a vida e obra do jovem garoto.

Por não ter o apoio de sua família e enfrentar dificuldades financeiras, além de uma saúde muito debilitada, a mãe de Tolkien, que faleceu quando ele tinha apenas doze anos, entregou a guarda de seus dois filhos para o padre jesuíta Francis Xavier Morgan. O padre foi muito importante na construção do caráter de Tolkien, que o considerava como um pai.

Foi durante o tempo em que morou com Francis Morgan que Tolkien conheceu Edith Bratt. Eles se apaixonaram, porém Francis, que era o tutor de ambos, o proibiu de se relacionar com a jovem Edith enquanto não completasse 21 anos. O amor entre eles, no entanto, era verdadeiro, por isso Tolkien aguardou o tempo necessário e, em 1913, quando completou a maioridade, escreveu uma carta para a mulher que se tornaria sua esposa e mãe de seus quatro filhos. Dos filhos do casal, dois continuam vivos.

Todo esse tempo entre o seu nascimento e o início da vida adulta marcaram profundamente a personalidade de J. R. R. Tolkien. As situações difíceis e os lugares por onde passou influenciaram a sua criação literária, bem como a relação com a religião e literatura, mais precisamente os contos de fadas, e as diferentes línguas, apresentadas em sua maioria pela mãe.

Por essa relação com as línguas, o escritor se dedicou ao curso de Literatura em Língua Inglesa na Universidade de Oxford, porém após receber o seu diploma, em 1915, Tolkien foi convocado a servir o exército britânico durante a Primeira Guerra Mundial. Foi durante os anos de guerra que nasceu o primeiro filho de Tolkien e Edith.

Ao voltar para a Inglaterra, onde se recuperou de uma doença contraída ainda em um campo de batalha, J. R. R. Tolkien passou a se dedicar a um dos seus mais importantes trabalhos literários. O escritor trabalhou durante muitos anos em uma coletânea, inicialmente intitulada “The Book of Lost Tales”, mas ela foi publicada apenas após a sua morte, com o título “O Silmarillion”. O livro foi editado por Christopher Tolkien, filho do escritor, e por Guy Gavriel Kay, considerado pelos críticos como o grande herdeiro literário de Tolkien.

Logo após a guerra, passou a exercer o cargo de professor universitário, atuando na própria Universidade de Oxford, onde permaneceu até o fim da década de 50. Além de atuar como professor, Tolkien escreveu vários trabalhos acadêmicos e também frequentou sociedades, que tinham como principal tema a literatura. Foi dessa forma que conheceu C. S. Lewis, o criador de “As Crônicas de Nárnia”, com quem teve uma amizade que durou até a morte de Lewis, em 1963.

A ideia para a primeira grande obra de Tolkien surgiu em 1928 e C. S. Lewis foi a primeira pessoa a ouvir a história de “O Hobbit”, livro publicado apenas em 1937. A obra se tornou um grande sucesso da época, recebendo críticas positivas de diversos jornais, por isso o editor pediu uma continuação para a história dos hobbits, que demoraria anos para ser publicada.

A famosa trilogia O Senhor dos Anéis, formada por “A Sociedade do Anel” (1954), “As Duas Torres” (1954) e “O Retorno do Rei” (1955), foi escrita entre 1937 e 1949. A história, que marcou gerações de leitores de inúmeros países, é uma sequência de “O Hobbit” e foi a grande responsável por transformar Tolkien em um dos maiores nomes da literatura mundial.

Nas últimas décadas, os livros que formam a trilogia revolucionaram a cultura popular em seus mais variados segmentos artísticos. Com mais de 200 milhões de cópias vendidas, a trilogia foi traduzida para diversas línguas e influenciou escritores da literatura fantástica contemporânea. Os livros também foram adaptados ao cinema com filmes de sucesso lançados entre 2001 e 2003. Mais tarde, surgiu também a adaptação de “O Hobbit”, com filmes lançados entre 2012 e 2014.

Infelizmente as principais adaptações do trabalho de Tolkien foram lançadas muitos anos após o seu falecimento, mas apesar de não acompanhar de perto a sua influência ao mundo literário, o escritor foi reconhecido com o título da Ordem do Império Britânico em 1972, entregue pela Rainha Elizabeth II.

J. R. R. Tolkien faleceu no dia 02 de setembro de 1973 e foi enterrado ao lado de sua esposa, que havia falecido dois anos antes após uma relação que durou quase sessenta anos. Assim como seu amigo C. S. Lewis, Tolkien se tornou um Imortal da Literatura mundial e algumas de suas obras foram publicadas postumamente por seu filho, tornando ainda mais reconhecido o trabalho do pai da literatura fantástica moderna.

“E por favor não me cozinheis, amáveis senhores! Eu próprio sou um bom cozinheiro, e cozinho melhor do que sou cozinhado, se entendem o que quero dizer. Cozinherei maravilhosamente para vós, um pequeno almoço perfeitamente maravilhoso, desde que não me janteis” – J. R. R. Tolkien em “O Hobbit”.
J. R. R. Tolkien - ☆ 03/01/1892 - ✞ 02/09/1973

Um Comentário

  1. Olá Ricardo! Tudo bem?
    Adorei a postagem, não conhecia muito sobre Tolkien, principalmente sobre sua vida. Que pelo que percebi foi bem conturbada.
    Abraços
    T.P
    4 You Books

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