Título: Ilha Noiada
Autor: Maxwell Santos
Gênero: Romance
Publicação: 22 de junho de 2014
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Ilha Noiada - Um grito de socorro de uma juventude adicta é um livro que conta história de quatro adolescentes: Brunella, Flávio, Diego e Diogo, de classe media e média-alta que estudam na fictícia Escola Santa Luzia e que todo fim de tarde se encontram na Pracinha do Cauê, na Praia de Santa Helena para consumir crack no cachimbo. Em pouco tempo, os amigos percebem as mudanças no corpo deles.
Quando a arte em geral deixa de ser uma simples opção de entretenimento, para se tornar uma forma de conscientizar a sociedade, isso significa que ela precisa ser valorizada como uma grande aliada de um povo, sobretudo quando é capaz de transformá-lo. Mário Quintana dizia que os “livros não mudam o mundo”, mas que eles são capazes de mudar as pessoas, o que pode ter sido a intenção de Maxwell Santos ao escrever o livro Ilha Noiada.

O romance de Maxwell, que poderia muito bem ser classificado como uma novela, mostra a triste realidade de uma sociedade que há tempos perdeu a guerra contra as drogas. Ninguém é ingênuo a ponto de pensar que essa realidade um dia se transformará, mesmo que seja a intenção das pessoas de bem, porém qualquer batalha vencida já pode ser considerada como uma grande vitória. O simples fato de o autor tratar esse tema basta para que ele seja reconhecido e mereça aplausos.

Publicado através do Widbook, Ilha Noiada conta uma história que infelizmente não está apenas nas páginas de um livro digital. Quando apresenta ao leitor as personagens de seu livro, o autor está retratando pessoas comuns, que poderiam muito bem fazer parte do nosso círculo de amizades. São pessoas que se entregaram às drogas, especialmente ao crack, e que aos poucos sentem as consequências de um vício mortal. Um vício que muda não apenas a vida do usuário, mas também de todos ao seu redor.

Aos poucos Maxwell Santos retrata cada uma das consequências de se utilizar uma droga como o crack, desde as mudanças de comportamento até as atitudes impensadas que as pessoas têm por querer sustentar o vício. O grande problema é a estrutura do livro como um todo. O autor pode retratar a realidade com clareza, porém pecou em pontos essenciais ao se escrever uma obra literária.

Por não possuir uma boa divisão de cenas, que acontece apenas mudando o parágrafo, a obra se torna extremamente confusa. Isso também é o resultado de poucas explicações e de descrições limitadas em certos acontecimentos, como se apenas citar fosse o suficiente para o leitor se envolver com a história. Alguns desses momentos são tão importantes para conscientizar sobre os perigos da droga, que quanto mais descritivo e real fosse, mais impacto causaria ao leitor.

Apesar de possuir um grande número de falhas, que obrigatoriamente devem ser corrigidas para uma possível edição em livro físico, Ilha Noiada merece ser apreciado por sua importante mensagem. Ao som de Charlie Brown Jr., banda liderada pelo vocalista Chorão, morto no início do último ano após uma overdose de cocaína, a leitura é rápida e direta, assim como devem ser todos os trabalhos que não querem apenas entreter.

“O nome crack é derivado do ruído que as pedras fazem ao serem aquecidas. O crack chega ao sistema nervoso central de oito a quinze segundos, em média. A ação do crack no cérebro dura entre cinco e dez minutos, com picos de euforia e depressão. É uma droga barata, de efeito efêmero e que demanda a compra de mais pedras para manter o barato” (págs. 44-45).

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