Desejos, Agatha Félix, Julianna Costa e Tamires Bourbon (organizadoras), 1ª edição, Paracatu-MG:
Buriti, 2014, 320 páginas.
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Ter todos os desejos atendidos pode ser o sonho de qualquer pessoa, seja na dura realidade da nossa vida ou pelos anseios das mais importantes personagens da ficção. Isso é tão natural que crescemos acompanhando histórias de lâmpadas mágicas, por exemplo, ou acreditando que estrelas cadentes não são simples corpos celestes.

A variedade é tão grande que é possível explorar diversos elementos que têm como função exclusiva a realização dos nossos desejos internos. Por isso a publicação da antologia Desejos, que reúne quinze escritores de diferentes estilos e gêneros literários, na verdade se trata de um trabalho único, com contos de uma temática bem específica.

Organizada por Agatha Félix, Julianna Costa e Tamires Bourbon, a antologia apresenta uma variedade muito interessante de histórias e, consequentemente, uma série de reflexões que não podem ser ignoradas. Apesar de raramente os contos mostrarem o que acontece com as personagens após os desejos serem realizados, originalidade é o que melhor define a obra, ainda que muitos seres sejam repetitivos.

“Se a resposta fosse não, eu precisaria matá-la. Mas sabia muito bem que com a mãe morta, a criança no ventre não sobreviveria. Eu precisava conseguir a alma de uma forma ou de outra. Meus olhos percorreram a casa até uma ideia brilhar em minha mente. O pai. A criança tinha tanto sangue dele quanto da mãe. Ele também poderia oferecer sua alma em um contrato” (Laury Alves - pág. 95).
O conto inicial é o do autor Daniel I. Dutra (A Eva Mecânica e outras Histórias de Ginoides), que consegue, no mínimo, levar o leitor de volta a sua infância. “Os Melhores Amigos das Crianças” possui um enredo sinistro e contagiante, onde os bonecos ganham vida da mesma forma que acontece nos filmes capazes de deixar qualquer criança em alerta com seus próprios bonecos.

“O Maior Desejo”, de Laury Alves (Bodas de Cristal), é um dos melhores contos da antologia, não apenas por apresentar uma belíssima história, mas principalmente por ter uma estrutura impecável – o que falta em alguns casos. Infelizmente revelar qualquer detalhe a mais tiraria o brilho da narrativa, porém dá para dizer que a autora causa uma reflexão sobre as nossas atitudes e, mais do que isso, encanta com o desfecho de sua história. O tipo de conto que funcionaria muito bem como um romance.

Por fim, outro conto muito especial, sobretudo aos admiradores de Eliane Quintella (Café Forte), tem como título “O Melhor Amor de Todos”. A autora iniciou no mercado literário com a trilogia Pacto Secreto e em Desejos volta a dar vida a um dos mais queridos personagens dessa trilogia. Assim como em outras oportunidades, o Enviado de Satã aparece em cena para fazer uma proposta que pode calar a dor da protagonista, mas também mostrar a ela que amar loucamente uma pessoa não é a melhor das opções. Isso mostra que a autora deve explorar ao máximo os elementos de seu principal trabalho literário, porque já se tornou incrível.

Como qualquer antologia, Desejos possui textos que podem agradar ou desagradar diferentes tipos de leitores, mas a sua principal qualidade, além dos próprios textos, é definitivamente a já citada temática. Ao menos no mercado nacional, as antologias se focam mais em determinados estilos, mas raramente um tema se sobressai a ponto de ser único. Se não por outros, por esse motivo as organizadoras e os autores já merecem todos os elogios.

“Olívia se jogou nos braços dele para fazer mal a si mesma, por absoluta falta de amor próprio, para cavar sua própria cova, seu próprio fim, atraiu seu pior algoz para acabar com uma vida chata e cinza que escolhera viver desde o dia em que decidiu esconder do mundo quem ela realmente era, sufocar seu talento e matar seus sonhos” (Eliane Quintella – pág. 122).

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