A Ceia Secreta, Javier Sierra, tradução de Sandra Martha Dolinsky, 1ª edição, São Paulo-SP:
Planeta de Livros Brasil, 2014, 320 páginas.
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O ano é 1497 e Leonardo da Vinci ainda está trabalhando nos últimos retoques de “A Última Ceia”. Enquanto isso, cartas anônimas são enviadas à corte do papa Alexandre VI dizendo que o mural não é uma obra qualquer e possui detalhes diabólicos intencionais, como o próprio rosto do polêmico mestre renascentista.

Especialista em interpretação de mensagens cifradas, o inquisidor Frei Agustín Leyre é enviado de Roma à Milão para decifrar o que está oculto na pintura e a identidade do responsável pelas cartas anônimas. Durante sua estadia na cidade, o inquisidor se depara com mortes e muitos segredos que mudarão o resto de sua vida.

“ “Cada vez que você admirar uma pintura, lembre-se de que penetra na mais sublime das artes. Não fique nunca na superfície: penetre a cena, movimente-se entre seus elementos, descubra os ângulos inéditos, bisbilhote nos fundos, e assim alcançará seu verdadeiro significado. Mas eu lhe aviso: é preciso ter coragem para isso. Não poucas vezes, o que encontramos em um mural como este dista muito do que esperávamos achar. Tenho dito” ” (pág. 36).
O gênio renascentista Leonardo da Vinci é um dos homens mais importantes da História mundial e não por menos é uma figura muito explorada no mundo ficcional. Além disso, muitos são os segredos que cercam a imagem desse que é um dos maiores revolucionários que já existiu, o que explica também a infinidade de polêmicas criadas.

Muito se fala sobre a nada amigável relação de Da Vinci com a Igreja Católica, principalmente pelos possíveis segredos escondidos por ele em uma de suas mais conhecidas pinturas: o afresco “A Ceia Secreta” (1495-1497) do refeitório do mosteiro de Santa Maria delle Grazie. Muitos desses segredos são explorados em A Ceia Secreta, livro escrito por Javier Sierra, o único espanhol contemporâneo a ter seu nome entre os dez escritores mais vendidos nos Estados Unidos.

Se o grande exemplo de obra em que Da Vinci é explorado é o best-seller de Dan Brown, A Ceia Secreta já se diferencia por ter como cenário o fim do século XV, quando ele trabalhava em seu famoso afresco. Ao ter como pano de fundo a época em que tudo aconteceu, o ator pode dar voz a personagens reais, como o próprio pintor ou o Papa Alexandre VI. A narrativa, em primeira pessoa, é sob o ponto de vista do inquisidor Agustín Leyre, mas a edição tem também biografias das principais personagens retratadas na obra.

A escrita de Sierra é tão mágica quanto a qualidade artística do homem que o inspirou. Sem grande dificuldade, o autor é capaz de transportar seu leitor ao passado tão logo os primeiros mistérios são apresentados. Como tais mistérios fazem sentido e parecem ter sido muito bem estudados, é natural se pegar fazendo anotações, mentais ou não, para que tudo seja esclarecido antecipadamente. Às vezes tudo está em nossa frente, mas insistimos em ignorar.

No geral, A Ceia Secreta envolve uma série de pequenos mistérios que vão surgindo conforme a história é narrada, mas o principal deles se refere ao destino do narrador, que ainda no início revela ter fugido da Itália após suas descobertas no ano de 1497. O que seria tão terrível a ponto de Frei Agustín ter se exilado no Egito? Será que ter conhecimento dessas descobertas é capaz de mudar a visão do leitor sobre Da Vinci, A Última Ceia e o que acredita como verdade absoluta?

Cada pequeno detalhe de A Última Ceia pode surpreender quando revelado sob a perspectiva de Leonardo da Vinci, desde os possíveis rostos estampados em seu afresco ou até mesmo a mensagem encontrada quando tudo é examinado com o mínimo cuidado. O grande segredo não é como o esperado, ao mesmo tempo em que não deixa de ser tocante, sobretudo pela certeza de que tudo poderia não ser simples ficção. Ao contrário de seu principal concorrente, A Ceia Secreta não passa nenhuma impressão fantasiosa.

“A maravilha do Cenacolo estava destinada a desaparecer por expresso desejo do mestre, e só um esforço continuado, meticuloso e planejado para reproduzi-lo e difundi-lo por todo lugar conseguiria salvar seu verdadeiro projeto. E, de quebra, disseminar seu segredo além do conseguido por qualquer outra obra de arte na História” (pág. 291).

2 Comentários

  1. Olá!
    Aqui é Anelise. Estou retribuindo a visita e passando a visitar o blog também. (Só me perdoe a demora para isso.)
    Achei a temática do livro bem interessante. Legal ele ser ambientado na próprio época do Da Vinci. Mas não é um tipo de temática que me interessa.
    Curto uma leitura mais light sabe! haha
    Beijos! Adorei seu blog!

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  2. O nome do livro não tinha chamado muito a minha atenção, mais a sinopse e a resenha me deixaram curiosa com a leitura, gosto de mistério. E o livro aparenta ser legal.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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