Colin Fischer, Ashley Edward Miller e Zack Stentz, tradução de Henrique Amat Rêgo Monteiro, Ribeirão Preto-SP:
Novo Conceito, 2014, 176 páginas.
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Colin Fischer possui Síndrome de Asperger e tem uma grande dificuldade em entender as expressões faciais, apesar de seu conhecimento invejável sobre genética e cinema. Para lidar com isso, ele anda com cartões de memorização, o que sempre o ajuda a compreender o que se passa com o próximo. Além dos cartões, ele carrega um caderno onde faz anotações sobre aquilo que julga interessante.

O ano letivo para Colin está apenas começando, mas algo de muito estranho acaba de acontecer: um revólver é disparado na cantina da escola e a culpa cai sobre os ombros do garoto que mais atormenta a vida de Colin. Assim como os maiores detetives da ficção, Colin Fischer tem seus métodos para perceber que nem tudo aconteceu como aparenta e apenas ele pode desvendar esse mistério.

Sinto-me pouco à vontade com as inferências porque gosto da certeza. O risco da lógica imperfeita é o surgimento de um paradoxo que um dia poderá ser resolvido por uma lógica melhor; o risco de fazer uma inferência imperfeita é que você está simplesmente errado. No entanto, a inferência pode ser útil” (pág. 146).
Nem sempre é necessário um pré-julgamento para se ter a certeza de que um livro não tem pretensão alguma. Isso não necessariamente significa que a leitura deve ser descartada, tampouco que ela não será agradável, principalmente quando experiências anteriores com o tema tratado foram inesquecíveis.

A grande sacada de Ashley Edward Miller e Zack Stentz, os autores que já colaboraram no roteiro de “X-Men: Primeira Classe” e “Thor”, foi explorar a Síndrome de Asperger em seus principais aspectos, inclusive o histórico da condição que afeta o protagonista Colin Fischer. Além da inteligência do protagonista, muitas curiosidades e respostas são apresentadas ao leitor, o que só foi possível com uma narrativa não totalmente em primeira pessoa – estilo explorado apenas no início de cada capítulo.

O simples fato de mostrar a história sob o ponto de vista de um observador, ou seja, em terceira pessoa, torna a essência da obra algo muito particular. Colin Fischer, o livro, não quer simplesmente mostrar o interior da personagem com Asperger, apesar de fazer isso muito bem, mas também revelar como familiares, amigos e inclusive inimigos tratam alguém que tem muito a nos ensinar.

Todos os fatos narrados aproxima o leitor dos autores, em parte devido às notas de rodapé, e principalmente de Colin Fischer, já que ele tem uma maneira própria de encarar cada novo acontecimento de sua vida escolar/familiar. A forma como ele lida com as expressões faciais também se torna marcante – como se sabe, essa é uma dificuldade muito grande para os portadores da síndrome e por isso é o foco maior da história. Dá para dizer que as atitudes de Colin deixam tudo mais cativante.

Além disso, como basicamente uma investigação é o que move a leitura, os autores citam clássicos da literatura policial, como se isso fosse uma espécie de combustível para Colin em sua própria investigação. Não existe nada muito complexo, e essa jamais poderia ser a intenção dos autores, mas acaba sendo no mínimo divertido, ainda que tenham poucas surpresas nesse ponto da história.

Colin Fischer é o tipo de leitura ideal para se recuperar de livros mais densos (como foi o último título resenhado). Isso significa que não pode ser visto como algo fora do comum, a não ser as características da personagem principal, mas também que não se pode ignorar o sentimento de satisfação que o livro proporciona. Novos títulos, por mais que sejam bem-vindos, dificilmente teriam o mesmo encanto de uma história em que alguém com dificuldades em se socializar, como Colin, quer no fundo apenas conquistar novos amigos.

Como cientista, Asperger sentia ter um compromisso com a verdade. Como médico, sentia ter um compromisso ainda maior com o bem-estar das crianças sob seus cuidados.
É por isso que eu não daria um médico muito bom. Tenho dificuldade para tomar decisões sob pressão. Em especial quando há consequências” (pág. 154).

6 Comentários

  1. oi ^^
    Entendo totalmente como é bom ler um livro desses para se recuperar de leituras mais densas. Apesar do que você falou sobre ela não ter "pretensão", os pontos que você levantou acerca da narrativa me deixaram muito curiosas. Nunca li nada sobre alguém que tenha Síndrome de Asperger e achei interessante. Me lembrou um pouco o livro Extraordinário, já que ele tem uma deformidade e o livro mostra tanto o ponto de vista dele, quanto de amigos e familiares e como eles encaram essa situação. E tudo o que o protagonista quer e se encaixar de certa forma, fazer amizades.
    É um livro que vai para minha lista de desejados.

    tem postagem nova no blog!
    te espero por la!
    http://dudikobayashi.blogspot.com.br/

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  2. Oie
    Acho interessante a premissa desse livro, quero ler.

    Beijos

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  3. Quando eu li este livro, achei-o fofo, era uma leitura leve e agradável... bem rápida.
    Mas o que me incomodou - e muito - foram as muitas notas de rodapé. Tirando isso achei brilhante a abordagem da Síndrome, a curiosidade sobre a doença, a relação entre amigos. Enfim, muito proveitosa a leitura. Gostei.

    xoxo
    Mila F.
    @camila_marcia
    De Livro em Livro
    Devaneios Fugazes

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    1. Diferente de você, Mila, achei as notas de rodapé interessantes para o resultado final do livro. É bem verdade que notas sem necessidades são irritantes, mas quando servem para aprimorar a leitura acho que são bem-vindas. Nesse caso penso que os mais jovens aproveitam e isso é muito importante.

      Beijos!

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  4. Oi Ricardo!
    Ainda não li Colin Fischer, apesar de tê-lo em minha estante... mas, a cada resenha que leio dele, fico mais curiosa! Parece um livro sem muitas aspirações, mas que acaba cativando mesmo assim, e é excelente pra uma leitura despretensiosa... pretendo lê-lo em breve!
    Bjus,
    Paty Algayer - Loucuras da Paty

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  5. Olá Ricardo!
    O livro parece interessante. Eu curto um tipo de leitura mais leve e agradável.
    E seria ótimo poder saber mais um pouco sobre a síndrome de Aspeger, já que eu não sei nada sobre.
    Beijos!

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