O Saci, Monteiro Lobato, ilustrações de Paulo Borges, 1ª edição, São Paulo-SP:
Globo, 2007, 72 páginas.
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Apesar de não ser conhecido apenas por suas obras infantis, o escritor Monteiro Lobato se tornou um verdadeiro marco da literatura brasileira. Cansado das histórias europeias e da inexistência dos nossos próprios livros infantis, o escritor resolveu criar um cenário tipicamente brasileiro e assim surgiu a mais importante história infantil do país.

A história do Sítio do Picapau Amarelo marcou a infância de várias crianças nos últimos quase cem anos. Como todos sabem, as aventuras acontecem no sítio de Dona Benta, a mais simpática de todas as vovós, onde os primos Pedrinho e Narizinho sempre buscam formas de se aventurar ao lado de toda a turma do Sítio do Picapau Amarelo.

Certa vez, enquanto passava as férias ao lado da avó, o garoto Pedrinho resolveu caçar no Capoeirão dos Tucanos, e apesar de Dona Benta alertá-lo dos perigos da mata virgem, ele se empolga com a ideia de caçar um Saci. Ao conseguir capturar o pequeno ser, esse também revela os perigos e acaba guiando Pedrinho pela escuridão da mata, contando os segredos de vários seres do nosso folclore e enfrentando a temível Cuca.

“Tinha a impressão de que o terrível tigre dos sertões estava atrás dele, já de boca aberta para o engolir vivo. Mas era ilusão apenas, filha do medo, pois a fera miou outra vez e o Saci calculou pelo som que ainda deveria estar a cem metros dali. Pedrinho ajeitou-se como pôde numa forquilha da árvore, lá ficando quietinho ao lado do Saci” (pág. 31).
O Saci, primeiro livro da coleção Sítio do Picapau Amarelo, foi publicado originalmente em 1921 e apresenta ao leitor uma história tipicamente infantil, com toda a simplicidade naturalmente encontrada nesse tipo de livro. Não dá para dizer, portanto, que seja um livro indicado a todos os públicos, no entanto sempre será recomendado aos mais jovens, afinal possui algo muito importante: a apresentação do folclore brasileiro.

Mesmo se focando especificamente no Saci, um dos mais importantes mitos de nosso folclore, Lobato conseguiu estruturar a obra de uma forma que é possível apresentar também mitos como o Lobisomem, o Negrinho do Pastoreio, entre outros. Não ter como base apenas uma determinada região consegue atrair todos os tipos de leitores e também apresentar detalhes que os mais jovens ainda desconhecem.

Apesar de o Saci não ser uma personagem principal do Sítio do Picapau Amarelo, ao menos nesse livro ele consegue se destacar em meio a tantas personagens marcantes. Isso porque as aventuras do livro são mais entre o Saci e Pedrinho, e o neto de Dona Benta acaba aprendendo muito com o moleque travesso de uma perna só. Mesmo com toda a sua simplicidade, Saci se destaca por sua inteligência e forma de refletir sobre tudo.

Ter sido escrito a tanto tempo não significa também que o livro possui uma escrita que pode cansar os leitores mais jovens, o que é um grande diferencial se pensarmos que o livro pode ser a primeira escolha de muitas crianças que ainda estão iniciando suas aventuras pelas páginas dos livros. As ilustrações de Paulo Borges, que já se tornaram uma referência quando se trata da coleção, também tornam a edição muito simpática e colorida.

O Saci não só é um livro divertido como também nostálgico. Um livro que fez um leitor com seus mais de vinte anos se lembrar do início de sua alfabetização, quando fazia questão de ir à biblioteca com uma única intenção: pegar os livros de Monteiro Lobato para se divertir com Pedrinho e sua turma.

“Sim – continuou Pedrinho -, mas nós sabemos ler e vocês não sabem.
- Ler! E para que serve ler? Se o homem é a mais boba de todas as criaturas, de que adianta saber ler? Que é ler? Ler é um jeito de saber o que os outros pensaram. Mas que adianta a um bobo saber o que o outro pensou?” (pág. 37).

3 Comentários

  1. Nunca li esse livro, tenho que ler pois gosto do sitio do pica pau amarelo, apesar de fazer anos que li algum livro do monteiro lobato.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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  2. Eu nunca li nenhum livro do Sítio, mas vontade não me falta. Eu gosto tanto do folclore brasileiro. Ainda lembro uma das histórias que eu lia no Nyah Fanfiction que tinha isso como foco.
    Pelo que eu lembro na faculdade, são uns 12 ou 13 do Sítio no Picapau Amarelo, cada um com uma história diferente e com outros personagens sendo o foco.
    Beijos!

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  3. Oi, Ricardo!
    Eu sou louco para ler alguma obra do Monteiro Lobato. Ele é sempre tão bem elogiado...
    Diferentemente de você, eu nunca encontrei nenhum livro dele na bibliotecas das escolas onde estudei, infelizmente.
    Espero poder conhecer a escrita dele em breve e adorar. Acho que isso acontecerá. :)
    Abraço!

    "Palavras ao Vento..."
    www.leandro-de-lira.com

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