Quis o destino que o dia 13 de outubro, data em que o mundo celebra o Dia Mundial do Escritor, fosse também o dia em que Manuel Bandeira, um dos maiores poetas da literatura brasileira, imortalizasse seu nome após uma vida de mais de oitenta anos dedicados à arte.

De Pernambuco para o mundo das letras, Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho nasceu em 19 de abril de 1886 e passou parte de sua infância e adolescência entre as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Recife, sua terra natal. Aos 17 dezessete anos, quando sua família volta para São Paulo, decide iniciar um curso para se tornar arquiteto, no entanto mais tarde descobre estar com tuberculose e abandona todos os seus projetos.

Ainda antes de sua primeira publicação literária, o futuro poeta se muda para a Suíça em 1913, voltando ao Brasil após o início da Primeira Guerra Mundial, no ano seguinte. Apenas na volta ao país que publica “A Cinza das Horas” (1917), livro de apenas duzentas edições custeadas pelo próprio poeta. Manuel Bandeira voltou a custear a publicação de “Carnaval” (1919).

Apesar de não estar presente na Semana de Arte Moderna, em 1922, um de seus poemas é lido por Ronald de Carvalho. No mesmo ano, tem início a troca de uma série de correspondências entre o poeta pernambucano e o também poeta Mário de Andrade. Mais tarde, essas correspondências seriam publicadas no livro “Cartas a Manuel Bandeira” (1958).

A essa altura, Manuel Bandeira já se relacionava com os mais importantes representantes da arte brasileira, como Menotti Del Picchia, Carlos Drummond de Andrade e Oswald de Andrade. Além de outras publicações, colabora também com importantes jornais e revistas da época.

Para comemorar os cinquenta anos do poeta, acontece a publicação do livro “Homenagem a Manuel Bandeira” (1936), que reúne poemas, críticas e estudos sobre o trabalho de Bandeira. No ano seguinte, é reconhecido pela Sociedade Filipe de Oliveira com a entrega de um prêmio pelo conjunto de sua obra. Por fim, em 1938, passa a lecionar literatura e, dois anos mais tarde, é finalmente eleito para a Academia Brasileira de Letras, onde passa a ocupar a cadeira 24.

Durante a década de 40, publica apenas duas obras de poemas, contudo se dedica também à prosa, publicando, entre outros, o livro “Literatura Hispano-Americana” (1949). O poeta também passa a organizar obras literárias, incluindo uma seleção de poemas de Gonçalves Dias, de quem publicaria a biografia no início da década de 50.

Além disso, Manuel Bandeira também traduziu diversas obras, como “O Auto Sacramental do Divino Narciso”, de Sóror Juana Inés de la Cruz, e “Macbeth”, de William Shakespeare. A tradução foi a principal atividade do poeta nos últimos anos de sua vida, assim como também uma série de livros em prosa publicados entre as décadas de 50 e 60.

A última coletânea de poemas publicada por Manuel Bandeira foi “Estrela da Vida Inteira” (1966), um dos seus mais conhecidos livros. Apenas dois anos após essa publicação, o poeta veio a falecer, no Rio de Janeiro, no início da tarde do dia 13 de outubro de 1968, vítima de uma hemorragia gástrica. Aos 82 anos, Manuel Bandeira foi sepultado no mausoléu da Academia Brasileira de Letras.

Um dos principais nomes do chamado Modernismo, Manuel Bandeira se tornou um Imortal da Literatura pela influência de seu trabalho literário ao movimento que queria romper com o passado e dar características modernas à arte e ao modo de viver de um povo. Pela pessoa e principalmente por seus versos, Manuel Bandeira ultrapassará a eterna barreira do tempo.

“Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação”
Manuel Bandeira em “O Último Poema”.
Manuel Bandeira - ☆ 19/04/1886 - ✞ 13/10/1968

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