A Filha do Sangue, Anne Bishop, tradução de Cristina Correia, Rio de Janeiro-RJ:
Saída de Emergência Brasil, 2014, 432 páginas.
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Uma antiga profecia revelou a chegada de uma nova e poderosa Rainha, também conhecida como Feiticeira. O poder dessa Rainha é tão grande que quem controlá-la pode ter domínio sobre o mundo.

Como ela ainda é muito jovem, qualquer pessoa pode se aproveitar desse poder e apenas três homens são capazes de protegê-la dos interesses de terceiros. Por isso, mesmo que inimigos, os três passam a lutar por esse mesmo objetivo.

“Sua mente aninhou-se ali, exausta. Quando o homem saiu, forçou-se a ascender. A dor física era terrível e os lençóis estavam ensopados com seu próprio sangue, mas o mais importante estava intacto. Ainda usava as Joias. Ainda era uma feiticeira.
No espaço de um mês, matou pela primeira vez” (pág. 78).
Ainda no início de A Filha do Sangue é possível perceber algo muito raro no grupo editorial que a Saída de Emergência Brasil faz parte: o grande número de erros de revisão que infelizmente não passam despercebidos. Em contrapartida, antes mesmo da leitura, fica claro o capricho da editora no acabamento geral da obra, que inclui um conteúdo extra com uma série de informações úteis para o entendimento do enredo.

Esse conteúdo é de extrema importância porque o primeiro livro da Trilogia das Joias Negras apresenta um universo totalmente inovador, algo que particularmente não encontrava há tempos. Como toda fantasia do estilo, a leitura é muito confusa, enquanto tudo não é devidamente explicado. A falta de mapas também contribui, já que eles poderiam deixar o leitor mais familiarizado com os diversos cenários.

Apesar da possibilidade de a obra confundir e deixar o leitor perdido, isso não é capaz de tirar o brilho do primeiro livro da trilogia de Anne Bishop. O que realmente acontece é que a autora não nos apresenta apenas um mundo fantástico e repleto de detalhes que são inexplicáveis longe das páginas dos livros. O seu foco está na apresentação da sociedade de um modo geral.

A divisão dessa sociedade é o que mais se diferencia de mundos que conhecemos, na realidade e na ficção. Os homens, por exemplo, são apenas escravos sexuais das rainhas, pessoas mais importantes da sociedade. Além disso, o poder de cada pessoa, em suas diferentes castas, é definido pela cor de suas joias, sendo possível ter seu poder aumentado ou diminuído após a cerimônia de Oferenda às Trevas.

Isso tudo, sem uma explicação melhor elaborada, pode parecer ainda mais confuso e realmente demora a ser compreendido, no entanto é passageiro. Também não é o único ponto inovador da obra de Anne Bishop, autora best-seller que já publicou dezessete livros e pode ser apontada como uma grande contadora de histórias. Com grande riqueza de detalhes nas descrições, dos sentimentos e sensações em especial, ela torna a leitura agradável e também viciante.

Mas esse é um novo livro em que de nada adiantaria boa escrita e originalidade sem um enredo e personagens convincentes. A autora não apenas elaborou tudo de forma impecável, como nos apresenta personagens distintos e inesquecíveis, a começar por Jaenelle Angelline, garota que motiva todos os acontecimentos da trama. A personagem não é importante apenas para o enredo, como também para as demais personagens, como os incomparáveis Saetan Daemon SaDiablo, Daemon Sadi e Lucivar Yaslana. Cada um à sua maneira, eles conquistam sem muita dificuldade e protagonizam cenas incríveis, sobretudo nos momentos finais.

Com A Filha do Sangue, os fãs de fantasia encontram algo que buscam em todo novo grande sucesso – ainda que não seja tão novo assim. Além de um enredo surpreendente, e ainda em aberto, algo diferente de tudo já produzido no gênero. Mais do que entreter, transporta o leitor para esse mundo mágico. A sensualidade, que vai da delicadeza ao intenso e cruel em poucas palavras, deixa qualquer leitor encantado, assim como o amor pela figura da Feiticeira.

“Já tinha aceitado que a Feiticeira era uma criança, mas não fazia ideia de como reagiria quando finalmente a visse. Podia se confortar com o pensamento de que não desejava o corpo da criança, mas o desejo que sentia pelo que vivia dentro daquele corpo o assustava. A ideia de ser enviado para outra corte e não poder mais vê-la o assustava ainda mais” (pág. 205).

4 Comentários

  1. Olá Ricardo!
    Mais uma ótima resenha no blog.
    Gostei bastante do que disse da obra. Eu curto bastante fantasia, acho que esse livro seria uma boa pedida para mim.
    Beijos!

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  2. Adorei a resenha, acho a capa desse livro linda e agora com essa resenha já quero lê-lo.
    Beijos

    http://penelopeetelemaco.blogspot.com.br/

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  3. Oi, Ricardo!
    Estava querendo ler uma resenha desse livro para saber se deveria arriscar-me ou não na leitura. Pareceu-me realmente ser uma história bem diferente das que são publicadas atualmente, mas eu não sei se realmente funcionaria comigo. Acredito que eu acharia a leitura cansativa. Mas ainda assim quero me arriscar. Tenho esperanças. Hehe
    Ótima resenha!
    Abraço!

    "Palavras ao Vento..."
    www.leandro-de-lira.com

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    Respostas
    1. Leandro, o simples fato de apresentar uma sociedade completamente nova pode tornar a leitura cansativa, por isso acho que o melhor é iniciar a leitura sem grandes expectativas. Acho que isso pode tornar a experiência muito mais agradável, porque é um ótimo livro. :D

      Abraços e obrigado por seu comentário!

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