O Papa que Ama o Futebol, Michael Part, tradução de Heloísa Leal, Rio de Janeiro-RJ:
Valentina, 2014, 118 páginas.
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Apesar de ter sido cotado para se tornar Papa no Conclave de 2005, quando o colégio cardinalício elegeu Joseph Ratzinger, em nenhum momento o argentino Jorge Mario Bergoglio chegou a ser citado como possível sucessor de Bento XVI, que abdicou do papado no início de 2013. Além de sua idade, diversos fatores contribuíam contra essa possibilidade, por isso a sua eleição pegou o mundo de surpresa.

No entanto, logo após o anúncio de um novo Papa, a surpresa se tornou ainda maior. Com uma personalidade própria dos jesuítas, Papa Francisco, como passou a ser chamado, surpreendeu a cada nova aparição, para desespero dos católicos mais conservadores. Seu jeito próprio de liderar a Igreja Católica, promovendo mudanças necessárias para ela não ficar no passado, conquistou a admiração de seus fieis e também de pessoas que não seguem a sua doutrina.

Essa simplicidade do atual Papa motivou a publicação de diversos livros sobre a sua vida, como O Papa que Ama o Futebol. A biografia escrita por Michael Part possui a mesma simplicidade de seu biografado, porém é direcionada a um público bem específico: os admiradores de Bergoglio e os apaixonados pelo futebol, que certamente vão se identificar com os momentos em que o futebol marcou a vida do Papa Francisco.

Mario pegou o filho recém-nascido, olhou para os pais e disse:
- Será que é cedo demais para levar Jorge à sua primeira partida do San Lorenzo?
Todos riram” (pág. 13).
A curiosidade por esse livro se deu principalmente por me identificar com sua paixão pelo futebol. Como a maioria dos argentinos, Jorge Bergoglio é um amante do esporte e sócio de carteirinha do San Lorenzo de Almagro, um dos mais tradicionais clubes do futebol argentino e atual campeão da Copa Libertadores da América. Além de jogar futebol com os amigos, os jogos de seu clube de coração são os momentos mais marcantes da vida de Francisco retratados na obra.

Para contar esses momentos, o autor transformou a sua biografia em um livro romanceado, o que torna a leitura extremamente rápida e agradável. Além disso, a obra intercala passagens da infância e adolescência de Bergoglio, bem como os dias e horas que antecederam a sua eleição. Já nas últimas páginas, o autor cita as primeiras palavras do novo papa aos seus fieis: rezem por mim!

Ao longo das poucas páginas desse simpático livro, o leitor se aproxima de uma figura carismática e que deve servir de exemplo a todos - católico ou não. Mais do que mostrar a paixão de Bergoglio e de toda a sua família pelo futebol, e a importância do ano de 1946, quando o San Lorenzo foi campeão argentino em uma partida memorável, o livro retrata a simplicidade de um homem único.

Papa Francisco possui o respeito e admiração porque está próximo de seu povo. Ele, que decidiu se tornar padre após sentir o chamado de Deus, entrou para a história como o maior líder religioso do mundo e mesmo com toda a sua responsabilidade, continuou amando o esporte que lhe deu tantas alegrias ao longo de toda a sua vida. Não por menos a capa mostra a sua felicidade ao receber uma camisa de seu time do coração – lembrando que para muitos de nós, torcedores, a camisa é considerada como uma segunda pele.

“Já sabia há muito tempo que jamais se tornaria um jogador de futebol ou um médico. Mas, quanto a ser papa... isso não era algo que ele pudesse decidir. Seu chamado, que começara quase cinquenta anos antes em um confessionário, levara-o à dignidade de cardeal. Agora, em questão de minutos, poderia fazer dele o líder máximo da Igreja Católica” (pág. 100).

4 Comentários

  1. Acho isso muito legal, geralmente não conseguimos enxergar um papa fanático por futebol. E confesso que o título também foi bem instigante.
    Ótima resenha!

    www.booksever.blogspot.com

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  2. Oi, Ricardo!
    Eu realmente não me interessei por esse livro.
    Não sou religioso (sou ateu), não gosto de futebol e dificilmente leio biografias. Fico feliz que tenhas gostado da leitura, mas dispenso.
    Abraço!

    "Palavras ao Vento..."
    www.leandro-de-lira.com

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  3. Oi Ricardo,
    Confesso que não estou muito por dentro dos assuntos relacionados ao Papa porque não sou mais católica, mas ver que um líder da Igreja é alguém tão próximo do povo nos fazer pensar que ele é realmente um representante direto de Deus. Acho que Deus não escolheria alguém que não tivesse humildade suficiente para esse 'cargo'. Saber que ele gosta de futebol é ainda mais bacana, mostra que apesar dos fiéis encararem o Papa como uma divindade, ele é sim tão humano e normal como nós. <3

    Beijos,
    Mari Siqueira
    http://loveloversblog.blogspot.com

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    1. Mariana, essa humildade do Papa Francisco é o que mais contribuiu para a minha admiração por sua personalidade e também pela maneira como tem conduzido a igreja. Quando você percebe esse lado mais humano, fica impossível não admirá-lo ainda mais. Não achava o Bento XVI, por exemplo, tão próximo do povo, por isso acho que o Francisco chegou na hora certa. rsrs

      Beijos,

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