Puro Êxtase, Josy Stoque: Amazon, 2014, 270 páginas.
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Após o fim de seu casamento, a única coisa que Sara Mello precisa é recomeçar a sua vida, recuperando as chances de realizar seus sonhos e seguindo os passos de sua carreira como advogada. Mas Sara não é uma mulher qualquer. Ela atrai a atenção de todos os homens e possui seus próprios desejos carnais, além de fantasias que até então desconhecia. Ao encontrar no sexo uma forma de libertação, ela também encontra o amor próprio, o que é necessário para fazer tudo o que bem entende.

“Chego ao primeiro orgasmo depressa, estimulada pela adrenalina e pelo proibido, e o ouço evoluir atrás de mim, seguindo-me. O segundo vem colado ao primeiro, em uma intensidade delirante. Perco o ar, mas ele não para. Movo meu quadril contra o dele fora de mim, prolongando a sensação orgástica e deixando o próximo extravasar em um gemido rouco e baixo, que me tira de vez desta existência.
Sinto-me como uma rainha. Xeque-mate!”.
A literatura erótica conquistou o mercado de tal forma que encontrar obras originais se tornou uma missão cada vez mais difícil. O que causou essa dificuldade não foi o grande número de publicações, tampouco a maneira como a união de sexo e amor é tratada de forma muito parecida em diversas obras. A semelhança dos enredos torna a originalidade um artigo de luxo quando falamos do gênero.

O boom do erótico levou muitas autoras brasileiras a se dedicarem exclusivamente a ele, o que em alguns casos pode ser visto como uma ótima escolha, como, por exemplo, com Josy Stoque. A autora, que sempre explorou a sensualidade em seus livros, está vivendo o melhor momento de sua carreira com a publicação da trilogia Puro Êxtase. O motivo é simples: a obra mostra a sua inquestionável evolução.

Quem acompanha a carreira da autora consegue perceber, com a leitura de Puro Êxtase, como a escrita de Josy passou por uma reformulação que modificou não apenas a estrutura da obra, como principalmente a forma como a história é narrada. Evitando descrições desnecessárias, e partindo direto ao ponto desejado, a narrativa se torna mais eficiente e extremamente dinâmica.

O problema desse dinamismo é afetar o enredo, ao menos por mostrar a protagonista Sara em uma nova etapa de sua vida sem antes apresentar a fase de transição. Uma fase que também poderia ser explorada com a liberdade sexual, mas mudando lentamente a personalidade, para que a própria personagem se conheça a cada nova relação que tiver – independente de ser apenas por prazer ou não.

Se não é possível comparar com clareza o antes e o depois, em partes por ser uma narrativa em primeira pessoa, dá para perceber ainda nas primeiras páginas a importância do sexo. A liberdade sexual, que influencia o modo da protagonista encarar os seus diversos problemas, acaba devolvendo a ela a sua confiança, deixando-a cada vez mais atraente para os leitores e todos os homens com quem se relaciona.

Quando Josy Stoque nos apresenta a uma personagem que não pensa em novos compromissos, por já ter sofrido suficientemente, ela não está apenas apresentando uma mulher qualquer. Sara Mello é uma personagem forte, que protagoniza cenas intensas e inovadoras, explorando o sexo de todas as maneiras possíveis e inimagináveis para deixar qualquer pessoa envolvida.

Ao menos em Puro Êxtase, Sara tem atitudes que pouquíssimas protagonistas seriam capazes, mas Josy Stoque também não deixa a obra cair na mesmice, apesar de nem todas as surpresas serem suficientes. Se por um lado isso dá um novo clima, por outro contribui para a protagonista tomar decisões que no início da história jamais tomaria. Esse é o tipo situação que torna Sara imprevisível, mas ao mesmo tempo não agrada quem espera que ela tome decisões contrárias.

Para leitores masculinos, desejar Sara é tão inevitável quanto as leitoras desejarem estar em seu lugar. O desejo masculino não é apenas pela incomparável sensualidade da personagem, mas porque ela representa a mulher que proporciona muito mais do que apenas prazer e excitação. Esse sentimento, independente do gênero, só poderia ser causado por um romance que engrandece o erótico no mercado editorial e principalmente a carreira de sua autora.

“Sexo é fantasia, é satisfação, é pele e fogo. Que mulher não quer ser desejada com paixão? O sexo está aqui para isto, e nós também queremos. Desejamos ser elevadas, ser conquistadas, ser arrebatadas por um homem. Mas não podemos apenas sonhar, temos que fazer acontecer. Hoje não me frustro mais com o que gostaria de ter, eu torno realidade”.

7 Comentários

  1. Nossa que texto! Obrigada! Fiquei lisonjeada! Muito feliz por ter mexido também com você! Ricardo, Puro Êxtase não deixou de ser um desafio e uma oportunidade de abordar um tema "batido" de forma diferente. As mudanças da Sara no início são rápidas e impulsivas, feitas para afastar a dor e ao longo da narrativa a vemos evoluir e se reconstruir como uma nova e melhor mulher. A se amar. Os outros livros me deram a oportunidade de explorar mais de sua personalidade e aprendizado, que todos podemos levar para nossas vidas sem medo. Muito obrigada novamente. Beijos

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    1. Sempre um prazer enorme ter a oportunidade de ler suas obras, Josy. Como te disse, já estou na expectativa pelos próximos livros e espero continuar me surpreendendo com a Sara e todas as suas aventuras - em especial as suas mudanças. :D
      Beijos!

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  2. Olá Ricardo!

    Resenha linda e perfeita como sempre!! Parabéns!!

    O livro parece ser daqueles que tiram o fôlego do leitor e os leva para dentro da obra de imediato!!

    Devido sua resenha e o tema que me agrada, fiquei curiosa para ler!

    Beijos

    http://entreresenhas.blogspot.com.br

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  3. Oi
    Eu não conhecia a autora, mas acho incrível quando eles são capazes de evoluir a cada trabalho. Eu confesso que sempre que pego um livro de cunho erótico fico justamente com esse medo: mesmice, milhões de detalhes, cenas de sexo atrás de cenas de sexo não construindo nada relevante no enredo. Eu fiquei curiosa pelo fato do livro não ser assim, mas confesso que fiquei com um receio na construção da personagem. Talvez eu tenha entendido um pouco errado e precise ler o livro para compreender melhor, mas me pareceu que a personagem só consegue se amar ao viver essa liberdade sexual toda. Como se a liberdade sexual fosse capaz de fazê-la aceitar tudo e resolver seus problemas e só assim ser capaz de se aceitar e se amar, achei isso um pouco ruim... mas preciso ler para conferir!

    tem postagem nova la no blog
    te espero por la
    http://dudikobayashi.blogspot.com/

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  4. Olá.
    Você realmente parece ter adorado o livro! Eu, como não curto muito eróticos, não cheguei a me interessar de fato, mas quando alguém me perguntar sobre algum livro do gênero já sei qual citar!
    Beijos.
    Memórias de Leitura - memorias-de-leitura.blogspot.com

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  5. Olá Ricardo,

    Gostei muito da sua resenha e do seu ponto de vista, mas o gênero não me agrada e passo bem longe dele, mas respeito o que gostam.....abraço.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  6. Concordo com você, Rick!!! Esse boom dos romances eróticos fez com que os lançamentos parecessem "mais do mesmo". Sempre os mesmos enredos, as mesmas personagens, situações, e por aí vai. Quando isso começa a acontecer, procuro me ater a narrativa do autor. Uma vez que estarei lendo a "mesma história", vejo se a narrativa vale a pena. Pelo que entendi, a Josy se saiu muito bem em todos os quesitos. Vou dar uma conferida em seu trabalho.

    @_Dom_Dom

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