O Melhor de Mim, Nicholas Sparks, tradução de Fabiano Morais, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2012, 272 páginas.
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Quando eram adolescentes, Amanda Collier e Dawson Cole se apaixonaram, mas eles viviam realidades bem diferentes. Ele era de uma família de criminosos, ela de uma família tradicional, e o tempo acabou os separando por muitos anos. Vinte e cinco anos depois da separação, Amanda e Dawson se reencontram para o funeral de Tuck, um homem que se tornou o melhor amigo dos dois.

Antes de falecer, Tuck deixou instruções para que os dois realizassem seus últimos desejos, no entanto a intenção do senhor era também que eles percebessem o que sentiam e que nunca esqueceriam o primeiro amor. Afinal, o primeiro amor é capaz de deixar marcas profundas, enquanto que poucos dias juntos podem mudar suas vidas para sempre.

“Ele era uma figura sozinha em uma terra desabitada, enquanto ela era mais um rosto em uma multidão de desconhecidos. Mas não era assim que sempre fora, mesmo quando eram adolescentes? Tinha sido isso que os unira e, de alguma forma, eles haviam encontrado a felicidade um no outro” (pág. 68).
As histórias de amor em que um dos lados, muitas vezes forçado, é impedido de estar ao lado de quem ama, são mais comuns do que o imaginado. Os motivos podem variar, assim como os desfechos, mas isso não muda o fato de que são histórias clichês. Se Nicholas Sparks é o responsável por uma história assim, isso se intensifica de modo muito evidente.

O Melhor de Mim, um dos mais recentes livros do autor, pode começar a incomodar quem já leu alguns livros de Sparks e sabe exatamente o que costuma acontecer. Ao dar uma atenção especial a personagens secundárias, o autor não apenas dá dicas do desfecho, mas afirma categoricamente o que pretende fazer com uma das personagens.

Antes de confirmar todas as suspeitas iniciais, o autor explora suas personagens de um modo relativamente diferente. Esse pode ser considerado o livro em que o foco não é o casal principal ou os momentos que passam juntos, o que é explicado, em partes, pelos motivos que levaram à separação e o reencontro, além das vidas distintas de Amanda e Dawson após tantos anos – ela estar casada, por exemplo.

Como outras personagens são essenciais, Tuck acaba sendo a mais importante, ainda que não apareça em nenhum momento além das lembranças e conversas dos protagonistas. Sua história de vida é inspiradora e a história de amor que viveu chega a ser até mais tocante que a principal, mas ele se destaca por fazer o papel de pai e amigo, aconselhando através de cartas e mudando a vida de pessoas que um dia foram importantes para ele.

Todos esses elementos, sejam eles positivos ou não, envolvem o leitor como toda obra sparkiana. Justamente por envolver que o autor surpreende ao ir além do esperado e nos apresentar um desfecho em que o amor ganha novos significados. Tudo pode ser repetitivo e até mesmo irritante, mas é impossível não se surpreender com a forma encontrada para que todos os esforços de Tuck não fossem exatamente em vão.

Em suma, O Melhor de Mim possui a velha e já ultrapassada fórmula de Nicholas Sparks, no entanto a impressão que fica é que, quanto mais se conhece as obras do autor, mais é possível se surpreender. Ainda que as surpresas se limitem a pouquíssimos detalhes, enquanto a maioria das situações é previsível, elas são capazes de mais uma vez conquistar o leitor. Apesar de tudo, ainda não foi dessa vez que se tornou cansativa e desgastante a leitura de Nicholas Sparks – o que pode não ser uma unanimidade.

Nenhum de vocês pode seguir adiante arrependido, pois o arrependimento suga a vida de qualquer pessoa. Só de pensar nisso, sinto meu coração se partir. Afinal, se passei a considerar Amanda uma filha, também passei a considerá-lo um filho. E, se tivesse direito a apenas um desejo antes de morrer, seria saber que vocês dois, minhas duas crianças, encontrarão uma maneira de ficar bem” (pág. 179).

6 Comentários

  1. Ainda não li este livro do autor - uma amiga ficou de me emprestar, mas até hoje ¬¬ - porém, sei o que acontece no final da história, mas ainda tenho a vontade de ler. Como a adaptação pros cinemas estreia em breve, vou ver se consigo fazer a leitura do mesmo o quanto antes. Parece ser uma boa história.

    Abraços,
    - pensamentosdojoshua.blogspot.com

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  2. Oi Ricardo, quanto tempo né? Li este livro e sua resenha está perfeita. Eu já li vários livros do tio Nick. sou fã dele, veja só, fã, não fanática, e neste livro eu tinha certeza do que ia acontecer, só não sabia como, e mesmo assim me foi impossível largar o livro e controlar as lágrimas. Só o Nick para conseguir isso.
    Bjs, Rose.

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    1. Olá, Rose. De fato muito tempo. Sempre um prazer receber seus comentários.
      Também sou fã do Sparks, por isso não me importo com algumas coisas e sempre passo horas muito agradáveis com seus livros. Nesse caso em especial eu até parei a leitura para conversar com minha irmã e falei tudo o que aconteceria. Só não poderia imaginar um dos acontecimentos. rsrs
      Beijos!

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  3. Olá, Ricardo!
    Eu nunca li nada do Sparks, mas devem livros muito bons (e bem mulherzinha também). Mas, acho que um romance clichê não faz mal a ninguém.
    Já estou sabendo que este livro também se tornará filme.
    Muito boa a resenha, como sempre!
    Beijos!

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    1. Ane, particularmente gosto dos livros do Sparks, apesar de todos os problemas, e se você gosta de um romance clichê, vai aproveitar bastante. Só leia com moderação. rsrs

      Beijos,

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  4. Você disse tudo, Rick! Nicholas Sparks tem um método/estilo extremamente batido, mas que ainda funciona. Acho que o que mantém o Nicholas no topo é a narrativa dele. Sempre envolvente, que conta as mesmas histórias, dramas e personalidades, mas que prende o leitor do início ao fim.

    @_Dom_Dom

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