Após ser muito elogiada pelo crítico Moacir Amâncio, que classificou sua estreia como fervilhante, a escritora Paula Fábrio foi uma das atrações da II Semana Edgard Cavalheiro, evento que aconteceu em Espírito Santo do Pinhal-SP.

Paula Fábrio estreou no mercado editorial com o livro “Desnorteio” (Ed. Patuá), com o qual conquistou o Prêmio São Paulo de Literatura na categoria Autor Estreante Mais de 40 anos, e em 2015 deve publicar seu segundo romance, intitulado “Ponto de Fuga”. Em sua participação no evento, ao lado de Amâncio, a escritora comentou sobre seu primeiro livro, o atual mercado editorial e também sobre a Educação no Brasil.

Ao conceder uma entrevista ao Over Shock, a escritora revelou que, contando a história de três irmãos que se tornam mendigos, sua primeira obra “trata um pouco da história do Brasil”, mostrando as diversas formas de entender esse fenômeno que considera complexo e que conheceu de perto graças a três de seus tios.

O enredo de “Desnorteio” tem início ainda no século XIX e Paula Fábrio conta que isso se deve a uma figura ilustre de Sorocaba-SP. Explorar o passado, segundo ela, era uma forma de “ver quais eram os ascendentes desses três irmãos que se tornaram mendigos”. Além disso, a obra tem como objetivo mostrar como a mescla cultural “que compõem o quadro brasileiro” “vai se refletindo na Educação, na Economia e na Política”. “São apenas tentativas de compreender esse fenômeno”, explica.

Quando questionada sobre mudanças no mercado, a autora disse também que muitas coisas “interessantes poderiam imputar mais qualidade no mercado”, que se expandiu e passou por uma profissionalização, mas “não pode perder a ternura”. “Talvez um pouco da ternura tenha sido perdida com esse excesso de profissionalização”, ressaltou Paula.

Em contrapartida, Paula Fábrio garante que “tudo funciona em conjunto” e por isso é necessário pensar em um projeto completo, em que a Cultura e a Educação, por exemplo, também passariam por uma mudança profunda. A escritora acha também que a mudança deveria acontecer na sociedade, não exatamente no mercado de livros, e que o escritor tem papel fundamental em tal mudança: “acho que é até um papel do escritor tentar se engajar mais nisso”.

Sobre a conquista do Prêmio São Paulo de Literatura, a escritora revelou que o valor financeiro ajudou com que permanecesse mais tempo escrevendo. Mais do que isso, considera o prêmio importante para a divulgação de seu trabalho devido a “notoriedade que ganha no país”, “o respeito de outros autores”, “o espaço na mídia” e os “convites de participar de vários eventos literários”.

Grande admiradora de William Faulkner, Clarice Lispector, Machado de Assis e Rubens Figueiredo, a autora de “Desnorteio” não considera seu livro como uma obra comercial, no entanto afirma que “não pode colocar as pessoas em determinadas caixinhas” para classificar o que é ou não literato.

Por fim, Paula Fábrio comentou sobre as experiências adquiridas quando um escritor deixa a sua cidade para visitar lugares diferentes e com outras realidades. “Eu acabo aprendendo muito mais com o público do que ele comigo”. “Acho que a realidade supera a ficção sempre”, concluiu a autora ao revelar que coleta histórias e que apenas com os relatos da plateia poderia escrever diversos livros.

Deixe um comentário