Foto: Reprodução
Morreu na tarde dessa sexta-feira, 28, em Cancún, o ator e escritor Roberto Gómez Bolaños, conhecido no Brasil por ter sido o intérprete das personagens Chaves e Chapolin Colorado. O escritor, de 85 anos, estava com a saúde debilitada e vivia no litoral do México.

Escritor, ator, compositor e diretor, Bolaños faleceu às 14h30, horário local. O ator tinha dificuldades respiratórias e em se locomover, por isso precisava de acompanhamento durante todo o dia.

Desde maio de 2011, Roberto Bolaños possuía uma conta oficial no Twitter, criada após diversos boatos sobre a sua morte. O último tweet do escritor foi em resposta a uma brasileira, na quarta-feira, 26, declarando o seu amor pelo Brasil. Já a última foto do ator foi publicada por sua filha, Paulina Gomez, em 09 de novembro, durante uma partida de futebol do América, clube pelo qual torcia.

Após a confirmação da morte do escritor, informada pela Televisa, principal rede de televisão do México e responsável pela produção dos principais trabalhos de Bolaños, diversas personalidades demonstraram seu carinho pelo ator. Enrique Peña Nieto, presidente do México, afirmou que o país “perdeu um ícone, cujo trabalho transcendeu gerações e fronteiras”.

O ator Edgar Vivar, intérprete do Seu Barriga, disse em suas redes sociais que Roberto “permanece em meu coração e em todos os corações de tantos a quem fez feliz”. Em entrevista à Televisa, Edgar declarou: “Vou lembrar dele sempre com sorriso e com ânimo. Temos que agradecer a Deus. Seu bom humor é a maior lembrança”.

Também à Televisa, o ator Rubén Aguirre, o Professor Girafales, ressaltou que Bolaños “era um excelente diretor e escritor. Fomos muito companheiros. Era um homem muito inteligente”.

A atriz Maria Antonieta De Las Nieves, a Chiquinha, agradeceu por tudo o que Bolaños realizou. “Obrigado por fazer tanta gente feliz e por todos os momentos maravilhosos que compartilhamos no grupo. Descanse em paz, Roberto”, escreveu a atriz, que não mantinha mais contato com o ator desde uma disputa judicial pelos direitos da personagem.

Roberto Gómez Bolaños é o quinto ator do elenco principal de Chaves a falecer. Anteriormente faleceram Ramón Valdés (1923-1988), Angelines Fernández (1922-1994), Raúl Chato Padilla (1918-1994) e Horacio Gómez Bolaños (1930-1999) — Seu Madruga, Dona Clotilde, Jaiminho e Godinez, respectativamente.

Bolaños deixa a esposa Florinda Meza, atriz que interpretou Dona Florinda, e seis filhos de seu primeiro casamento, com Graciela Fernández Pierre.

Biografia
Nascido na Cidade do México em 21 de fevereiro de 1929, Roberto Gómez Bolaños estudou Engenharia Elétrica, no entanto nunca exerceu a profissão. Sua verdadeira paixão era a arte e durante a década de 50 colaborou em roteiros de rádio e televisão.

Em 1958, Bolaños se casou com Graciela Fernández Pierre, com quem permaneceu junto até 1977 — dessa união nasceram seis filhos, incluindo o produtor Roberto Gómez Fernández. Também em 1958, escreveu o roteiro do filme Los Legionarios, seu primeiro trabalho no cinema. Foi devido a esse roteiro que o escritor passou a ser chamado de Chespirito, uma referência ao dramaturgo inglês William Shakespeare.

Durante toda a década de 60, Chespirito escreveu alguns dos mais importantes filmes do cinema mexicano da época e também iniciou sua carreira de ator, na série Los Supergenios de la Mesa Cuadrada. Dessa série teve origem algumas das principais personagens criadas por ele, como Professor Girafales e Doutor Chapatin.

O sucesso foi tanto que o tempo de exibição do programa se estendeu e assim surgiu, em 1970, o Chapolin Colorado, um herói que representava o povo latino americano. A personagem fez tanto sucesso que logo ganhou sua própria série, permanecendo no ar até o fim de 1979.

Pouco depois da estreia de Chapolin Colorado, Bolaños criou sua mais importante e conhecida personagem. Durante mais de vinte anos, El Chavo del Ocho, conhecido no Brasil apenas como Chaves, permaneceu no ar como principal atração da televisão mexicana. Além de apresentar um garoto que, segundo o próprio criador, seria encontrado em qualquer país do mundo, o programa conquistou por seu humor leve e por personagens que marcaram gerações. Roberto Gómez Bolaños atuou como Chaves até em 1992, na época já como um esquete do programa Chespirito.

Mas enquanto escrevia e atuava em Chapolin e Chaves, Roberto Gómez Bolaños atuou ainda em alguns filmes de muito sucesso nos cinemas mexicanos, como El Chanfle, El Chanfle 2, Don Ratón y Don Ratero e Charrito, único filme de Chespirito lançado no Brasil.

Em 2000, quando Chapolin completou trinta anos, a Televisa homenageou Bolaños, e todo o elenco dos programas produzidos por ele, com o programa ¡No contaban con mi astucia!. A mesma emissora voltou a homenageá-lo, em 2012, com América Celebra a Chespirito, especial que contou com a participação de diversos países da América Latina, incluindo o Brasil.

Ponto de Leitura - 2010
Além de ator, diretor e produtor, Roberto Gómez Bolaños escreveu ainda peças de teatro, incluindo “La Reina Madre”, com o qual ganhou o Prêmio de Literatura da Sociedade Geral de Escritores do México em 1992. Também publicou livros, como a coletânea de poemas “Y También Poemas” (2003), o livro de memórias “Sem Querer Querendo” (2006) e “Diário do Chaves” (2005), obra em que faz algumas revelações sobre sua principal personagem. Atualmente trabalhava em uma nova obra literária.

Roberto Gómez Bolaños era irmão de Horacio Gómez Bolaños, intérprete do Godinez, falecido em 1999. Desde 2004 era casado com Florinda Meza, com quem vivia junto desde a separação de sua primeira esposa.


Muito obrigado por ter existido, Chespirito!

6 Comentários

  1. É uma pena mesmo :\, a situação de saúde dele já estava bem ruim. Ele foi um grande na infância, eu nunca assisti muito chaves, mas vejo muita gente que gosta se lamentando, também lamento. Ele foi um talento e tanto. Que fique em paz aonde quer que esteja.
    Já havia visto o livro publicado por ele, bem legal ^^
    Beijos Ricardo, ThayQ.
    http://leituras-insanas.blogspot.com.br

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    1. Thayna, para todos nós, os fãs de Bolaños, perdê-lo é como perder um grande amigo, uma pessoa muito próxima, apesar de todo o sofrimento dele nos últimos anos. Um homem como poucos. Vai fazer falta no mundo das artes. :(
      Beijos.

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  2. mais uma perda dolorosa!
    o céu ganhou mais alegria!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  3. Não poderia me dizer uma fã dele, mas era uma pessoa admirável.
    Eu fiquei um pouco triste quando soube que era verdade.
    Mesmo assim todo o trabalho dele vai permanecer! E sempre me lembrarei de todas as horas de almoço em que sentava para assistir Chaves e Chapolin.

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  4. Oi Rica,
    Bonita homenagem! Esse cara foi um grande homem. Ele sabia fazer rir sem apelar para palavrões ou coisas podres como as que vemos na televisão. Anos de sucesso não é pra menos. Uma pena ele e Maria Antonieta não terem se entendido antes da morte dele. Acho tão triste quando um amigo parte sem que as mágoas sejam resolvidas. Bolaños descansa em paz, há tempos doente essa paz já era aguardada por ele. Esperamos que ele reencontre o grande Dom Ramón lá e que este dê um abraço daqueles no Chavinho.

    Beijos,
    Mari Siqueira
    http://loveloversblog.blogspot.com

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    1. Muito obrigado por seu comentário incrível, Mariana. Desde que a saúde do Bolaños ficou debilitada, torcia para ele não partir sem antes reencontrar a Maria Antonieta e também o Carlos Villagrán. Também acho isso muito triste, principalmente por se tratar de grandes ídolos. :/ Pelo menos um dia todos irão se reencontrar e da melhor possível: com abraços, sorrisos e muito humor.
      O meu maior ídolo partiu, mas sua obra será eterna.

      Beijos,

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