O Menino dos Fantoches de Varsóvia, Eva Weaver, tradução de Ivar Panazzolo Júnior, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2014, 400 páginas.
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A guerra sempre representou a certeza de que a morte poderia chegar a qualquer momento, mas Mika não poderia imaginar que a morte de seu avô não seria apenas o fim da vida de uma pessoa que amava. Poderia representar também a esperança de enfrentar a guerra de cabeça erguida e tudo o que os alemães causavam aos judeus.

Com a morte do avô, Mika herdou um casaco e dentro dele encontrou uma infinidade de segredos e um fantoche de um príncipe que se tornaria o seu melhor amigo. Esse príncipe despertou a vontade do garoto em alegrar os dias das pessoas próximas a ele através de um teatro de fantoches. Em pouco tempo, todas as pessoas do gueto falavam sobre o menino dos fantoches de Varsóvia e sua fama chegaria até mesmo aos inimigos.

“Mas o que dizer de todas as pessoas que eu vi nas ruas naquele dia? E os órfãos? O que é que os meus fantoches idiotas podiam fazer por eles? E Ellie? Qual era o problema com ela? Será que não se importava mais? Joguei o casaco para longe e enterrei a cabeça entre os cotovelos. Sentia saudades do Vovô, e, sim, também sentia saudades de meu pai, uma presença masculina forte que me dispensaria daquela nova responsabilidade que pesava como chumbo em minhas costas e em meu peito” (pág. 76).
Existe algo mágico nas histórias que têm como cenário os conflitos e consequências da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Como muitas vezes essas histórias não passam de ficção, é como se isso apagasse as manchas do passado e nos deixasse livres de passagens que não vivenciamos, mas que ainda assim não nos importaríamos de esquecer. Isso talvez explique a expectativa por O Menino dos Fantoches de Varsóvia.

A obra de Eva Weaver possui algumas diferenças com outras importantes obras que exploram esse capítulo negro da história. Uma delas está no fato de não ser uma leitura totalmente angustiante, ou seja, por mais realista e triste que seja, não é um livro forte. De uma forma ou de outra, a autora também relata os dois lados da guerra, deixando claro que não existia um herói ou um vilão. Todos desempenhavam o mesmo papel.

Para explorar os dois lados, Weaver se aproveita de personagens que, por motivos diferentes, conhecem de perto a perversidade de uma guerra. Mesmo que o foco seja o lado pessoal dessas personagens - e como elas enfrentam seus medos e angústias, seus desafios e inimigos - a guerra não é apenas um mero pano de fundo. Elas, portanto, lutam contra o sofrimento e as consequências de seus próprios atos.

O Menino dos Fantoches de Varsóvia é divido em três partes, sendo que elas são bem diferentes uma da outra. Através dessa divisão, a autora mostra a luta pela sobrevivência de um grupo de pessoas, com a amizade, o amor e compaixão servindo de motivação, e também uma busca mais pessoal e solitária. Apenas os fantoches são elementos que se repetem e possuem a mesma função: dar forças para uma luta contra um inimigo que pode ou não ser metafórico.

A importância dos fantoches, por sinal, parece ser tão mágica quanto o cenário que anteriormente foi classificado como responsável pela expectativa inicial. É bem verdade que em nenhum momento o enredo ganha toques fantasiosos, no entanto esses bonecos possuem algo que vai além da imaginação, como se eles tivessem o poder de falar com as personagens, e consequentemente com os leitores, e tornar mais fácil estufar o peito para combater os fantasmas da guerra.

A partir de dado momento o desenrolar da história é rápido, sem um aprofundamento que poderia ser mais eficiente, mas O Menino dos Fantoches de Varsóvia consegue cativar através de uma linguagem simples e envolvente, que transporta o leitor para, por exemplo, os arredores de Varsóvia, na Polônia. Essa mesma linguagem torna Mika um grande amigo e essa amizade que cria o medo de um desfecho que aparenta ser inevitável e emocionante.

“Assim eram os dias de Mika, o menino dos fantoches do gueto, quando ninguém, a não ser Ellie, sabia sobre a minha vida dupla: Mika divertia as crianças e, ao mesmo tempo, alimentava o monstro que devoraria todas elas. Eu não conseguia dormir, e, de manhã, olhava para mim mesmo no espelho com uma sensação de nojo” (pág. 115).

2 Comentários

  1. Oie
    É primeira resenha que leio deste livro e adoreii a premissa, gosto desse pano de fundo!!
    Fiquei bem curiosa para ler.

    Beijos

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  2. Oi
    Essa parece ser uma história interessante e bonita fiquei com curiosidade de ler depois da sua resenha e eu gostei da capa.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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