Dark House, Karina Halle, tradução de Santiago Nazarian, 1ª edição, São Paulo-SP:
Única, 2014, 352 páginas.
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Os pesadelos sempre aterrorizam Perry Palomino, mas os eventos sobrenaturais também atraem a jovem a ponto de levá-la a um farol abandonado há anos. Mistérios envolvem esse farol e o pouco que se sabe é sobre barcos que naufragaram e uma terrível morte que aconteceu no local. O farol também foi onde Perry se encontrou pela primeira vez com o misterioso Dex Foray.

Após o primeiro encontro e mudanças em sua sempre monótona vida, Perry volta a se unir a Dex. Eles são os únicos capazes de desvendar o mistério que assombra o farol e precisam estar juntos para que isso aconteça. Mas os dois não imaginam que essa aventura pode ir muito além e que os eventos sobrenaturais estão apenas começando.

“Havia algo estranho nesse lugar, algo vagamente familiar. Revirei meu cérebro tentando reconhecer algo mais tangível, mas nada veio à mente. Apesar do vento da costa, que então entrava livremente, havia uma quietude densa no ar. Era estranhamente atraente e muito sobrenatural” (pág. 40).
Quando o foco de uma história de terror é um local assombrado, se tem a certeza de que será necessário algo muito surpreendente e inovador, caso contrário o risco de se tornar mais do mesmo é enorme. Dark House não foge da regra. Um farol abandonado e misterioso move toda a trama, mas felizmente não é o foco principal da autora Karina Halle.

O primeiro livro da série Experimente o Terror demonstra certa originalidade logo ao apresentar sua narradora-personagem, que está longe de ser uma mocinha qualquer. Perry é uma personagem interessante e original, a começar por enfrentar problemas de autoestima, por exemplo, e sem realmente se enquadrar nos padrões da atual sociedade. Ou seja, ela não passa a impressão de que a autora queria criar uma personagem perfeita, distante da realidade, porque Perry definitivamente não é perfeita.

O mesmo acontece com Dex, um rapaz com suas qualidades, defeitos e supostamente com alguns segredos, longe de ser qualquer príncipe. Que Perry vai se apaixonar por ele não é nenhuma surpresa, mas isso também não significa que essa paixão se estenderá com passagens desnecessárias. A originalidade das personagens, no entanto, também não significa que elas serão exploradas da melhor maneira possível, porque não acontece. Na verdade, Perry nada mais é do que uma adulta com atitudes adolescentes e isso nunca é um bom sinal. Para se irritar com ela é questão de tempo.

Se por um lado a autora não explora as personagens, por outro ela também não explora totalmente o terror. Pelo menos não como o imaginado. Dark House não é um livro para deixar o leitor aterrorizado a cada novo capítulo, já que em sua maior parte narra situações do cotidiano e as cenas de terror representam uma pequena parcela do enredo. Mesmo que não sejam suficientes para assustar, pelo menos elas existem e reservam sim surpresas, algumas vezes inclusive cenas bizarras.

Talvez justamente por explorar muito do cotidiano de Perry que a leitura se torna rápida e agradável. Enquanto ela busca desvendar o mistério, ela também precisa lidar com o emprego, com a família e com Dex, por isso a maior parte das cenas não se passa no tão misterioso farol. O foco pode levar o leitor a aprovar a leitura como um todo, mesmo que esperasse algo diferente, mas um pouco de reflexão é suficiente para notar as falhas que a princípio podem passar despercebidas.

Apesar de ser o primeiro livro de uma série de nove volumes, Dark House é relativamente mediano. Não se pode questionar as escolhas de Halle na construção do universo que irá explorar nas próximas obras, mas ao menos dá para garantir que é possível lapidar a série a ponto de deixá-la de fato aterrorizante – por isso foi citado que o foco vai além do farol. Com mistérios longe de serem desvendados, Experimente o Terror pode surpreender, contudo, como história de terror, precisa que ele seja aproveitado com mais frequência.

“O lampião se abaixou e pude ver um rosto, iluminado pelo brilho oscilante. Era o rosto de um homem esquecido. Morto e inchado. Sua pele descascava em pedaços gosmentos; pequenos parasitas saíam de suas orelhas e nariz. Eu havia visto aquele rosto antes, nos meus pesadelos mais sombrios. E agora estava bem na minha frente” (pág. 182).

5 Comentários

  1. Até que eu cogitei experimentar a leitura de um livro de terror, mas sabe, eu não me convenço que funcione sempre quando um autor decide explorar esse lado em suas histórias. Há exceções como os livros de Stephen King, mas sempre fico com um pé atrás quanto aos outros. Sobre o livro em si, por ser mediano e relatar o cotidiano dos personagens, não me interessei tanto, então no momento, eu passo, ainda mais que é uma série de 9 volumes. Acho que eu só embarcaria na leitura se existisse algo realmente curioso.

    Abraços,
    - pensamentosdojoshua.blogspot.com

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    1. Como disse, Joshua, por ser o primeiro livro da série dá para entender as escolhas da autora - se você chegar a ler vai entender o motivo. Mas eu realmente esperava que o foco do terror fosse maior. Pela curiosidade certamente dá para se entreter, mas os próximos precisam melhorar um pouco Aí sim vai ser uma ótima série!

      Abraços,
      Ricardo - www.overshockblog.com.br

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  2. Ricardo, passo longe de livros de terror! hahaha Tenho MUITO medo. E como esse é mediano, nem vale a pena arriscar haha Agora, essa capa é excelente!
    Beijos
    literalmentefalando.com.br

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  3. Hum...eu curto livros de terror, suspense e afins. Infelizmente não estou lendo muitos do gênero. Acho que esse pode ser um bom recomeço para devorar diversos livros do gênero. ^^ Gostei de saber que ela explora bastante as cenas de terror.
    Beijos!
    Monólogo de Julieta

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  4. Olá Ricardo,

    Essa é a primeira resenha que leio desse livro e pelo que vi e apesar das ressalvas parece bom, espero ler futuramente....abraço.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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