Maximum Ride: Projeto Angel, James Patterson, tradução de Bárbara Menezes, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP:
Novo Conceito (#Irado), 2014, 384 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

O que poderia ser um grande sonho, para Maximum Ride se tornou um verdadeiro pesadelo. Ela tem quatorze anos e é líder de um grupo de crianças e adolescentes, todos eles com uma característica muito especial: são 98% humanos e 2% aves. Suas asas e a capacidade de voar, no entanto, parecem contribuir para que o pesadelo seja ainda maior. Eles estão sendo perseguidos por mutantes meio homens, meio lobos.

Com sua capacidade de liderança, Max tem como objetivo cuidar de toda a sua turma, por isso age rapidamente quando a jovem Angel é sequestrada. Nessa jornada, ela precisa compreender o motivo de ser diferente, buscar a verdade sobre a sua origem e lidar com as dificuldades que surgem enquanto ela é apontada como uma pessoa capaz de salvar o mundo.

“Depois, respirando fundo, estendi minhas asas o mais forte e rápido que pude.
Quatro metros de uma ponta à outra, marrom-claras com riscas brancas e pontos marrons parecidos com sardas, elas seguraram o ar e, de repente, fui puxada para cima, com força, como se um paraquedas tivesse acabado de abrir. Ai!” (págs. 12-13).
O escritor James Patterson é considerado um ícone da cultura pop norte-americana e, ao menos em seu país, faz sucesso nos mais variados gêneros literários. Apesar disso, quando lançou o primeiro volume de Maximum Ride, em 2005, seus principais livros eram de suspense, o que não o impediu de iniciar uma série que tem tudo para ser inesquecível.

Antes mesmo da leitura é possível imaginar que a série, escrita sem a parceria de nenhum coautor, apresentará um novo lado do escritor, afinal, a história narrada por Maximum Ride foi adaptada a um mangá e possivelmente chegará também aos cinemas. Se o sucesso e as boas críticas precisam ser explicados de algum modo, basta afirmar que as personagens são as grandes responsáveis por isso.

Além de apresentar personagens fortes, com características peculiares, Patterson surpreende por não se apressar ao explorar o seu enredo. Quem conhece outras obras do autor sabe de seu estilo e que muitas vezes, visando um bom ritmo de leitura, ele acaba evitando um aprofundamento maior, o que não acontece em Maximum Ride – Projeto Angel. Pelo menos não com frequência, já que tudo acontece da maneira ideal, possibilitando uma aproximação entre o leitor e as personagens secundárias.

O fato de ser dedicado ao público adolescente, e ter sido publicado pela mesma editora, pode causar uma comparação com Bruxos e Bruxas, mas dá para afirmar que a qualidade é infinitamente superior. A começar pela narrativa, afinal, a série supracitada é narrada por duas personagens, enquanto o livro em questão tem como narradora apenas a personagem que dá título à série – além de capítulos em terceira pessoa. Isso também estreita a relação com Max, que se torna uma grande amiga.

Outra diferença é que em nenhum momento o humor, presente em todas as obras para o público, é forçado, por isso quando precisa ser engraçada, a cena é de fato engraçada. Ainda em comparação, apesar de a essência ser a mesma – jovens sendo perseguidos e capazes de salvar o mundo -, Maximum Ride é mais envolvente, surpreendente e, acima de tudo, original. A ideia de pessoas modificadas, que desconhecem a própria origem, funcionou perfeitamente bem e ainda pode render muito nos próximos sete livros.

O único porém, que infelizmente não dá para ser evitado, está nas atitudes das personagens, que geralmente não condizem com suas respectivas idades. É bem verdade que com as dificuldades que enfrentaram, todos os membros do bando precisaram adquirir experiência e maturidade, além de não serem pessoas normais, no entanto isso não muda o fato de que uma criança de seis anos precisa necessariamente agir como tal.

Como citado anteriormente, a série Maximum Ride tem tudo para ser um grande sucesso também no Brasil. Algumas questões ainda precisam ser respondidas, enquanto que os jovens do grupo enfrentam de vez os inimigos, o que faz com que a continuação seja extremamente necessária - e aguardada. Ainda é cedo para isso, mas se o próximo volume continuar com os mesmos níveis de surpresas e com um enredo tão interessante, não será estranho se entrar para a lista de séries favoritas.

“É verdade, eu sou a líder, sou Max, a Invencível... Mas também sou apenas uma adolescente de quatorze anos. E, às vezes, como quando compreendo de novo que Jeb se foi para sempre, que estamos sozinhos, que os outros dependem de mim e não posso decepcioná-los, bem, é quando tudo me afeta. De repente, sou uma criancinha de novo, desejando que Jeb volte... Ou até mesmo, ei, desejando ser normal! Ou ter pais!” (págs. 31-32).

10 Comentários

  1. Olá Ricardo,

    Você leu rápido hein, estou bem curioso com essa série e pela sua resenha vejo que vou gostar demais, concordo com você a série Bruxos é fraca em relação aos demais livros do autor e essa série veio para mostrar ainda mais o potencial do autor...abraço.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Marco, realmente espero que você e todos os leitores apreciem a leitura. Como achei incrível, torço para fazer o grande sucesso que a série merece - e para o Patterson não ter prolongado demais. :x

      Abraços!

      Excluir
  2. Olá Ricardo!
    Mais uma ótima resenha. E com essa coisa de personagens alados acabei me lembrando de um yaoi que eu li lá no Nyah Fanfiction. (Pessoa doida.)
    Fiquei até confusa com a personagem ser menina, Max me lembrou menino sabe? :3
    A história parece interessante e bem diferente. Não sei se eu leria!
    Beijos!

    ResponderExcluir
  3. Oi Ricardo.
    Eu adoro os livros lançados por esse selo, sempre trazem histórias encantadoras e divertidas.
    Estou lendo esse livro no momento, e adorando me aventurar com Max e ansiosa por mais descobertas sobre sua origem. A narrativa é leve e ágil, e claro tem algumas ações que não condizem com as idades, mas eu levo em conta a parte fantástica da histótria rsrs.

    Beijos.
    Leituras da Paty

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que ótimo saber que você também está gostando, Paty. :D A aventura é incrível, assim como a maneira como o autor elaborou essa aventura. Quando ele escreve sozinho, o livro tem outro nível e é possível até relevar certas coisas. rsrs

      Beijos,

      Excluir
  4. Oi
    Gostei da resenha, já tinha escutado falar desse livro mais não tinha dado muito atenção, fiquei curiosa para conhecer esse mundo, até hoje só li um livro desse autor.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  5. Como você já deve saber, estou interessado em ler este livro e poder conhecer esse lado do Patterson, mais voltado pro público adolescente - já que desisti de ler "Bruxos e Bruxas". Não tenho dúvidas de que essa série é boa e que irei gostar, mas o meu único porém até agora, é a capa. Infelizmente, vou ter que adquirir essa edição assim mesmo :c Ótima resenha, fiquei bem mais curioso para ler.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Como comentei com você no Skoob, tenho receio das capas das continuações. Sinceramente não consigo imaginar a editora seguindo o mesmo padrão com todos os oito volumes. :( De qualquer forma, realmente espero que você leia o quanto antes e também goste da história.
      No meu caso, resta aguardar pela continuação. rsrs

      Abraços!

      Excluir
  6. Que diferente o enredo, 2% aves? Confesso que vi vários posts sobre o lançamento da
    NC, mas nem percebi que era do James, adoro leituras dele, e principalmente um pouco em comum Harlan, a fantasia que ele criou neste livro parece ser bem diferente e bem explorado na criatividade. Não sabia que era adaptada em mangá também, me pareceu bem legal, por que até faço coleções mais de OneP o/.
    Ouvi super críticas sobre a saga bruxos e bruxas do James, mas nunca li.
    Espero que os próximos sete livros dessa nova série sejam ótimos, ainda mais contendo uma fantasia sobre humanos aves?
    Espero que faça mesmo um sucesso, afinal James é muito bom nas suas obras, pelo menos as que li.
    Abraços Ricardo, ThayQ.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Fico sempre feliz quando vejo pessoas que apreciam a obra do James Patterson, Thayna, principalmente por ser um dos meus autores favoritos. Tenho certeza que você vai gostar de Maximum Ride, até porque ele escreveu sozinho e todos os livros escritos sem nenhum coautor são especiais, nesse caso ainda mais pela originalidade.
      Assim como disse, espero apenas que os próximos continuem incríveis como o primeiro. :)

      Abraços!

      Excluir