A meta de cem livros lidos no ano foi concluída, mas quando essa meta foi estipulada não imaginava que algumas leituras se tornariam tão inesquecíveis. Se por um lado o ano deixou a desejar, por outro ele foi muito interessante, principalmente pela oportunidade de conhecer obras e autores que a partir de 2014 jamais serão esquecidos. Alguns desses estão entre os Destaques Literários, que em sua terceira edição volta a apresentar obras nacionais e internacionais que se destacaram em diversas categorias. São obras que, literariamente falando, tornaram o ano que está chegando ao fim muito especial.
Um Gato de Rua Chamado Bob — É bem verdade que não existiam muitas opções para se incluir nessa categoria, no entanto mesmo que houvesse não seria difícil escolher o livro de James Bowen. “Um Gato de Rua Chamado Bob” poderia ser apenas mais uma biografia sobre um homem que teve sua vida mudada após encontrar um gato muito especial, porém serve também com uma verdadeira lição de vida e, mais do que isso, consegue tocar o coração do leitor através de uma simplicidade mágica.
Não Tem Erro e Outras Crônicas — Apesar de conhecer o trabalho de O. A. Secatto desde 2011, através de suas publicações em diversas antologias, com o livro “Não Tem Erro e Outras Crônicas” a admiração por esse grande escritor se tornou ainda maior. Suas crônicas são capazes de entreter com tamanha facilidade que o desejo de lê-las novamente é enorme — talvez por isso que, meio sem querer, o livro já foi relido antes mesmo de ser resenhado.
Para Onde Ela Foi — Se o livro “Se Eu Ficar” dividiu opiniões, isso não aconteceu em peso com sua continuação. Apesar de ter apreciado a leitura do primeiro livro, a expectativa por “Para Onde Ela Foi” era mínima, diferente do receio de ser uma leitura descartável. A leitura acabou sendo surpreendente, em especial por me identificar com o narrador, por isso foi fácil fazer tal escolha.
Quero Ser Beth Levitt — Que Samanta Holtz é uma das minhas autoras favoritas não deve ser segredo para ninguém, porém não poderia imaginar que “Quero Ser Beth Levitt” seria tão bom a ponto de estar nessa lista. Não porque não tinha expectativas, apenas achava difícil que esse conquistasse tanto quanto o primeiro trabalho literário da autora. Pode não ser melhor que o primeiro, mas é encantador na mesma medida.
Tigana — Simplesmente uma das melhores fantasias de todos os tempos. Uma pena que Tigana, que no Brasil foi dividido em dois volumes, ainda não seja considerado um clássico da fantasia épica, visto que o herdeiro de J. R. R. Tolkien fez um magnífico trabalho na construção dos cenários, das personagens e do próprio enredo de sua obra-prima. Escolher entre o primeiro e o segundo seria uma injustiça; basta apenas escolher o universo de Tigana como algo sem igual.
Maximum Ride: Projeto Angel — Uma pena também que nenhuma fantasia nacional tenha se destacado a ponto de acompanhar Tigana, por isso que Maximum Ride: Projeto Angel pôde entrar para essa lista. Apesar de não possuir os elementos naturais de uma fantasia clássica, o primeiro volume de uma série de oito livros possui sim o seu charme. No entanto, outras experiências com séries infanto-juvenis de James Patterson deixam claro que não se pode criar expectativas.
Reconstruindo Amélia — Por ser o gênero favorito, essa escolha pode ser considerada a mais difícil. Qualquer escolha por impulso poderia causar uma grande injustiça, mas, entre todas as opções, “Reconstruindo Amélia” era a única que envolveu por mais do que apenas o seu suspense. Ao mesmo tempo em que a curiosidade era enorme, existia também a angústia por acompanhar uma personagem como Amelia. Por mais que tenha desvendado o mais importante com antecedência, livro e autora entraram para a lista dos mais especiais.
Dias Perfeitos — Suspense nacional para a lista dos melhores do ano? Fácil! Se Raphael Montes é uma das principais realidades da literatura policial brasileira, “Dias Perfeitos” é capaz de explicar o motivo. O autor consegue exatamente o que se espera de um thriller psicológico, ou seja, explorar a mente humana das personagens e consequentemente fazer isso também com o seu leitor, ainda mais quando passagens fortes completam uma história de amor que não tem nada de emocionante.
Precisamos de Novos Nomes — Ao receber o livro de NoViolet Bulawayo, com a intenção de resenhar para o São Paulo Review, esperava sim uma leitura interessante, principalmente porque seria uma oportunidade de conhecer a literatura africana, no entanto jamais me passou pela cabeça que “Precisamos de Novos Nomes” seria de tamanha grandeza. A autora uniu fome, política, religião, AIDS e questões culturais de uma forma extraordinária. Resumidamente é possível afirmar que precisamos urgentemente de novas NoViolet Bulawayo.
Quissama: O Império dos Capoeiras — Se existe um livro de ficção que deveria obrigatoriamente ser adotado nas escolas esse certamente é “Quissama: O Império dos Capoeiras”. Além de uma história extraordinária, o livro possui também suspense e muita ação, o que provavelmente atrairia a atenção dos alunos e tornaria mais prazeroso conhecer um pouco da escravidão e de todos os interesses que a cercavam. A surpresa se deve ao fato de que jamais apostaria minhas fichas no livro de Maicon Tenfen.
Scott Lynch — Até a recente leitura de “Mares de Sangue”, o livro “As Mentiras de Locke Lamora” tinha grandes chances de entrar para a lista de melhores fantasias do ano. Isso deixou de acontecer quando Lynch surpreendeu ao criar sua própria identidade para uma série com algumas semelhanças com A Crônica do Matador do Rei. Se as semelhanças existem, e ainda assim o autor criou uma identidade própria, isso significa obrigatoriamente que ele entra para o seleto grupo de escritores que tem Patrick Rothfuss como um dos seus líderes.
Maurício Gomyde — Assim como Samanta Holtz, Maurício Gomyde também está entre os melhores escritores da atual geração da nossa literatura. Mas existe algo que apenas Gomyde conseguiu: ter todos os seus livros na lista dos favoritos. Absolutamente todos. No ano em que o autor deixou de ser independente e assinou com uma das maiores editoras do país, fica fácil compreender o motivo de ele estar na lista. Os dois livros lidos no ano representam apenas meros detalhes.
Proibido — Desde o último ponto final de “Proibido” sabia que dificilmente outro livro seria capaz de tirar a obra de Tabitha Suzuma da categoria de Melhor Livro. “Proibido” é capaz de destruir um coração com a mesma facilidade em que torna o sorriso natural. Perfeito ainda seria uma palavra insuficiente para descrever o provável melhor livro da literatura contemporânea; isso para não dizer de todos os tempos.
Belleville — Ainda era abril quando afirmei que “Belleville” estava entre os melhores livros lidos até então. Poderia listar os motivos, mas talvez baste dizer que o romance, que não precisou de beijos ou troca de olhares, conquistou tanto quanto as melhores histórias de amor de todos os tempos. Felipe Colbert prova que técnica é tão importante quanto escrever com o coração e, definitivamente, em “Belleville” ele escreveu com as batidas do próprio coração. Por isso se encantar com as personagens é tão natural.

10 Comentários

  1. Oi.
    Eu não me envolvi tanto com Se eu ficar, e não tenho expectativas alguma com Para Onde Ela foi, farei a leitura em janeiro, e espero que ele me conquiste mais que seu antecessor.
    Quanto ao Raphael Dias, o que dizer desse autor que me surpreendeu de tal forma com Dias Perfeitos que fez com que eu passasse o ano indicando o livro?rsrs.

    Beijos.
    Leituras da Paty

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  2. Nossa, só li Belleville da lista que você fez. Que absurdo!
    Mas li um livro do Maurício, então não é tão vergonhoso assim, não é?kkkkk
    Já li O passaro, da Samanta, e AMEI. Comprei Beth Levitt esses tempos e Renascer de um outono na Bienal. Ou seja, tenho todos os livros dela. Ela é maravilhosa. Mas preciso ler os dois últimos, pois só li O Passaro.
    Acredita que comecei a ler Tigana, mas não consegui terminar?! Ah, achei tão enrolado... Parecia que nada acontecia de verdade, sei lá, parei depois de pouco mais de 100 páginas. Pretendo continuar, mas não sei quando.

    Adorei os livros e suas explicações sobre eles, vou incluir os que ainda não estavam nas minhas listas de próximas leituras!

    Bjs, Yara - http://www.ilusoesescritas.com/

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    1. Yara, se você gostou de "O Pássaro" tenho certeza que também vai gostar de “Quero Ser Beth Levitt". Assim como tenho certeza que vai gostar dos outros livros do Maurício. \o
      Sobre Tigana, eu espero que você dê uma nova chance. Diferente de você, me envolvi desde o início, mas posso garantir que em breve você vai apreciar mais. Espero que também termine o primeiro desesperada pela leitura da continuação, assim como aconteceu comigo. :D

      Beijos,

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  3. Quantos livros legais!
    Alguns desses eu já li e amei.
    *.*
    Uau, 100 livros?
    E eu aqui me achando com 73 livros, hahaha.
    Mas eu não coloco metas, apenas vou lendo e lendo...
    Quero muito ler Proibido.

    Seguindo!

    Feliz ano novooooooo!

    Beijooos,

    www.casosacasoselivros.com

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    1. Olá, Teca!
      Fico feliz que tenha gostado da lista e espero que você tenha a oportunidade de ler "Proibido" o quanto antes. Como tenho dito desde que conclui a leitura, ele precisa ser lido por absolutamente todos!
      Ah, o seu número de livros também é muito expressivo, principalmente porque dizem que brasileiro não lê. Imagine se não? rsrs

      Beijos,

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  4. OIe
    Adorei suas escolhas.
    Logo lerei este livro da Samanta, parece ser emocionante, pelo que você fala.
    Ai, eu gosto muito dos livros do Mauricio, já li todos e o autor é um querido. Tive o prazer de conhecê-lo este ano.
    Tenho vontade de ler Dias perfeitos.

    Feliz ano novo.
    Beijos

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  5. Oi, Ricardo!
    Que post maravilhoso! Adorei sua sinceridade ao escolher cada livro de cada categoria.
    Quero muito ler "Proibido" e acredito que será uma leitura incrível.
    Diferentemente de você, não curti "Para Onde Ela Foi" e prefiro bem mais o primeiro livro.
    Belleville foi bem decepcionante para mim, mas fico feliz que você tenha amado. Isso é essencial.
    FELIZ ANO NOVO!!!
    Abraço!

    "Palavras ao Vento..."
    www.leandro-de-lira.com

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  6. Querido Ricardo,

    Que honra ver "Quero ser Beth Levitt" selecionado para essa postagem tão especial!!

    Fico muito feliz com o carinho que você tem por mim e por meus livros, e mais ainda por saber que minhas histórias rendem sempre boas leituras a você :) Espero que continue sempre assim!

    Adorei suas considerações em cada categoria e devo dizer que adorei ver Maurício Gomyde em destaque nos melhores autores (ele é incrível!) e Belleville nos melhores livros. Este último também foi uma das minhas leituras de 2014 e me deixou ainda mais encantada com o Felipe Colbert!

    Quantas riquezas nossa literatura nacional produziu em 2014! Que seja ainda melhor em 2015 e revele mais e mais autores incríveis :)

    Aliás, escrevendo isso, ocorreu-me agora... e se você criar, para o próximo Destaques, a categoria "autor revelação"? Um autor que surgiu e impressionou, ou surpreendeu... para este ano, pensando rápido, eu escolheria Ana Beatriz Brandão e Babi A. Sette!

    Beijos!!

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    1. Para tudo a Samantha Holtz me indicando como revelação? Gente chorei agora!! Você sabe como eu te admiro e o quanto me inspiro em você como profissional e como pessoa? Sam muito obrigada, você é muito especial!!!.. Adorei o post, não conhecia o blog só o achei agora. Parabéns Ricardo pelo apoio a literatura nacional! :3

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    2. Samanta, apesar de ter demorado a responder ao seu comentário, agradeço imensamente por suas palavras. :D Tenho certeza que suas histórias continuarão me conquistando, pois elas possuem uma magia rara e isso não vai se perder, posso apostar. rsrs
      Sobre a sua sugestão, já anotei e vou passar a listar também o "autor revelação". Muito obrigado por essa ideia tão incrível. Aliás, como disse anteriormente, agora quero conhecer também o trabalho da Ana Beatriz e da Babi. Afinal, não posso ignorar uma dica de uma das minhas autoras favoritas, não é? rsrs

      Beijos e muito obrigado pelo carinho de sempre!

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