Autor de importantes obras do século XX, e considerado um escritor popular, o gaúcho Érico Lopes Veríssimo nasceu em Cruz Alta no dia 17 de dezembro de 1905. Ainda em seus primeiros anos, quase perdeu a vida vítima de meningite, mas um conceituado médico da época conseguiu salvar a vida do garoto que se tornaria um dos maiores de seu tempo.

Foi durante a adolescência que Érico Veríssimo demonstrou a paixão pela arte e dedicou seu tempo para conhecer alguns dos principais nomes da literatura mundial, como Aluísio Azevedo, Eça de Queirós e Liev Tolstói. Também na adolescência, seus pais se separaram e o jovem se muda, ao lado da mãe e dos irmãos, para a casa da avó materna.

Devido as dificuldades naturais com a situação, consegue seus primeiros empregos, sem deixar de lado a paixão pela literatura, a ponto de, ainda que escondido, escrever os primeiros textos. Trabalhando em bancos, Veríssimo encontrou novas dificuldades antes de se tornar sócio de um amigo de seu pai, em 1926. Já no ano seguinte, o futuro escritor dedica seu tempo também para ministrar aulas particulares de literatura e inglês.

Ainda na década de 1920, Veríssimo publicou os primeiros contos em revistas e jornais, antes de suas publicações próprias. No início da década seguinte, o escritor conquista uma estabilidade financeira e constrói sua família ao lado da esposa Mafalda Halfen Volpe, com quem tem os filhos Clarrisa Veríssimo e Luís Fernando Veríssimo, que seguiria os passos do pai na literatura.

A obra de estreia de Veríssimo foi a coletânea “Fantoches”, enquanto seu primeiro romance foi “Clarissa” (1933). A personagem que dá título ao primeiro romance apareceria ainda em “Caminhos Cruzados” (1935), “Música ao Longe” (1936) e “Um Lugar ao Sol” (1936), sendo que “Música ao Longe” seria adaptada em uma novela da TV Cultura em 1982. Com essas mesmas obras, Érico Veríssimo conquista importantes prêmios literários e passa a marcar seu nome na literatura nacional.

Veríssimo publicou também livros infantis e infanto-juvenis, incluindo “As Aventuras do Avião Vermelho” (1936), recentemente adaptado ao cinema em uma animação. Mas, durante a Era Vargas, enfrentou problemas com a censura e por discordar do presidente Getúlio Vargas, por isso se muda com toda a família para os Estados Unidos, onde leciona Literatura Brasileira na Universidade da Califórnia.

Como passou duas temporadas nos Estados Unidos, o escritor publica “Gato Preto em Campo de Neve” (1941) e “A Volta do Gato Preto” (1947), ambos com relatos sobre suas experiências no exterior. Sobre suas viagens publicou também “México” (1957) e “Israel em Abril” (1969).

Em 1947 inicia o processo de escrita de O Tempo e o Vento, que desejava concluir em um único volume. No fim, a história que seria narrada em apenas um livro acabou sendo dividida em três volumes, sendo que o primeiro foi publicado em 1949. Muito elogiado pela crítica, “O Continente” deu início ao que se tornaria o mais importante trabalho do escritor gaúcho.

Apesar dos elogios do primeiro livro da trilogia, a continuação “O Retrato” (1951) não conquistou o mesmo sucesso. Já o último volume, “O Arquipélago”, passou a ser escrito apenas em 1958, sendo publicado quatro anos mais tarde, quando Veríssimo enfim encerrou um projeto que durou quinze anos.

Antes da publicação do último volume de O Tempo e o Vento, Veríssimo publicou também a novela “Noite” (1954), traduzida em diversos países. Outras obras seriam publicadas, mas sem o mesmo reconhecimento dos mais importantes trabalhos do autor.

Já com sua Magnum Opus concluída, publica o romance “O Senhor Embaixador” (1965), reconhecido com o Prêmio Jabuti em 1966. Conquista ainda o Prêmio Machado de Assis, entregue pela Academia Brasileira de Letras, e é considerado o Intelectual do Ano de 1968.

Apaixonado pelo cinema, Érico Veríssimo escrevia pensando também no lado visual de suas histórias, sendo que várias delas seriam adaptadas ao cinema e a televisão. Apenas para o cinema, sua trilogia mais importante ganhou quatro adaptações, sendo a mais recente em 2013 com a direção de Jayme Monjardim.

Um dos mais importantes nomes da literatura gaúcha de todos os tempos, Érico Veríssimo faleceu em 28 de novembro de 1975, às vésperas de seu septuagésimo aniversário, vítima de um infarto. Postumamente foi publicado o segundo volume da autobiografia “Solo de Clarineta”, prevista para três volumes e que não chegou a ser concluída devido a sua morte.

Mesmo com o falecimento do Imortal da Literatura, sua obra continuou sendo apreciada e referenciada ao longo das décadas; e assim continuará até o fim dos tempos.

“Em geral quando termino um livro encontro-me numa confusão de sentimentos, um misto de alegria, alívio e vaga tristeza. Relendo a obra mais tarde, quase sempre penso ‘Não era bem isto o que queria dizer’” – Érico Veríssimo em “O Escritor Diante do Espelho”.
Érico Veríssimo - ☆ 17/12/1905 - ✞ 28/11/1975

Um Comentário

  1. Olá
    Amei a postagem trazendo este autor maravilhoso que com certeza todos já devem ter lido algo.
    Pra mim esses autores são a base de tudo. Muito bom.

    Beijos

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