Olá, caros 3 ou 4 leitores. Tudo bem? Espero que sim.

Alguém já reparou que desde o primeiro “Fala, Davi!” eu sempre comecei um artigo com uma pergunta? Será que vocês fazem ideia de por qual motivo eu agi assim?

Se não sabem ou nunca pararam para pensar, não vou embora sem antes responder.

Perguntas exigem respostas. E respostas exigem raciocínio. E raciocinar sobre a situação é o que muitos fazem, exceto para seus próprios atos.

Esse é o meu artigo de despedida do quadro “Fala, Davi!” por eu já não ter mais o que falar. Comentei sobre a profissão, o ato da leitura, o sistema de cotas, acesso aos deficientes, etc. Expus todos os podres do ensino. E aí, quem mudou de atitude depois que leram os meus artigos?

Não sei. Digam vocês.

O que eu posso dizer depois de todo esse convívio com a educação e o blog Overshock (pelo menos nessa coluna) é que as pessoas são hipócritas no que se refere à educação escolar.

“Hipócritas ?”, pensa o leitor. Sim, senhor.

Mesmo que você não seja um pai de família, você tem a noção de que a educação é algo importante para o futuro. Seja o seu, do grupo com o qual foi criado ou até mesmo da sua comunidade. E será que durante esse tempo que dediquei a escrever artigos, você mudou? Fez algo diferente? Entendeu que educação escolar é uma coisa e educação civil é outra? Parou de usar celular ou ter conversas paralelas na sala de aula?

Não sei. Digam vocês.

Entendo que as pessoas às vezes possam ser tão perdidas que nem saibam por onde começar a melhorar a vida. Também estou ciente que a vida de quem levanta de madrugada para ir trabalhar é dura e ter contas a pagar é algo que demanda esforço. Entretanto será que alguma dessas pessoas deu uma pesquisada no Google sobre como começar a estudar, por exemplo? Pois uma coisa é ser ignorante de não saber a informação. A outra coisa é não procurá-la.

A mudança de hábitos não exige que você vá pesquisar logo de cara a utilidade da fórmula de Bhaskara. Mas ir ao mercado não pode ser uma oportunidade de exercitar mais o cérebro que os dedos na calculadora? Rever o orçamento não é uma forma de poupar dinheiro? E sabia que existem bibliotecas e livrarias com diversos materiais para você ir pegando o gosto pela leitura aos poucos?

Falando em livros, acredito que uma criança possa estudar, brincar e ter amigos na infância assim como cultivar o hábito de ler bem aos pouquinhos. Da literatura infantil para a infanto juvenil passando para obras mais complexas sem deixar de ter a noção que em muitos países, um livro como “O Cavaleiro de Dragão (Cornelia Fünke)” é considerado infanto juvenil mesmo tendo 400 páginas. Quando um jovem brasileiro lê um livro dessa grossura se ele não foi adaptado para o cinema?

Por último, confesso aqui que eu não sou exceção. Queria muito ler quando jovem e devido a viver em um ambiente pobre, não pude ler o que queria. Arrumei o meu primeiro emprego e me acabei com literatura young adult. Hoje, aos 27 anos, penso em dar mais atenção aos clássicos. Tanto que o primeiro livro que lerei em 2015 será “O Conde de Monte Cristo” em versão integral. Acredito que se as minhas condições financeiras e responsáveis soubessem como me ajudar a ler mais (bem como se existisse esse grande boom da literatura YA), eu já teria lido a obra de Alexandre Dumas.

Portanto, se você deseja melhorar algo ou algum lugar, comece por você mesmo. Professores são pagos para ensinar disciplinas e não para moldar caráter de estudantes. Ainda mais que sem uma escola de ensino integral com qualidade para reprovar e ainda dar a noção do quão importante é ao estudante que ele conclua seus estudos, não é possível mudar as coisas se o educando fica de 5 a 4 horas na rede de ensino e o restante do tempo é dedicado a “ser criança”, “ser adolescente” ou ser qualquer coisa... menos estudante!

Sem mais.

Obrigado a todos.

Sobre o Autor
Davi Paiva da Silva nasceu em 22/03/1987, em São Paulo – SP. Está cursando Letras na UNICSUL, publicou o texto "18 anos sem Ayrton Senna" no site minilua.com, além de um microconto com a hastag #tweetcontos no twitter DaviTweetcontos e colabora com artigos no blog espadaarcoemachado.wordpress.com. No mundo impresso, participou das antologias de contos Corações Entrelaçados, Névoa, Quimera, Sopa de Letras, Amores (Im)Possíveis, Mentes Inquietas e Livre Para Voar todas da Andross Editora.

Contato: davi_paiv@hotmail.com.

4 Comentários

  1. Estudo em uma escola de ensino integral, e posso dizer, não sei quanto aos outros lugares do país, mas aqui, as coisas não funcionam tão bem quanto deveriam. Mesmo com tanta coisa para aprender, o dobro do tempo que ficamos na escola, parece ser "tempo demais para aprender o tanto de coisas a se ensinar". Não sei se o tempo na escola muda tanta coisa, se não souberem a adaptar esse tempo. Se for pra ser integral, que seja desde o ensino primário, pois não adianta fazer milagre no ensino médio que deveria ter sido feito logo no começo. Quanto ao hábito de leitura, concordo, a menos que seja algo adaptado ao cinema, poucos leem, mas a escola tão pouco sabe como incentivar a leitura, de que adianta dizer para um aluno que nunca teve gosto pela leitura, lá da 5º série, ler livros de Machado de Assis, por exemplo? São leituras um pouco mais complexas, que exigem uma bagagem literária. Ainda bem que eu sempre tive o hábito de leitura, ler livros de 400 páginas mesmo muito nova, nunca foi um problema pra mim. Quem dera todos se preocupassem com a educação, da mesma forma que se preocupam com o próprio dinheiro, porque pelo visto, o governo não está muito preocupado em investir ele na educação.

    http://desfocandoideias.blogspot.com

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  2. Oie
    Gostei muito da sua reflexão e de sua coluna. Pena que hj é uma despedida.

    Beijos

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  3. Olá Davi,

    Como sempre essa coluna é demais e seus texto dispensa comentários, concordo plenamente com você, o que vemos hoje são os valores invertidos, espero que mude de opinião e continue a postar artigos aqui no blog....abraço.


    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  4. Davi arrasando no texto. haha
    Não acompanhei a coluna, mas concordo com muitos pensamentos expostos aqui.
    E como já fiz estágio em colégios, posso dizer que o que ocorre é isso mesmo. O dono da escola aprovava os alunos por pena dos pais que pagaram colégio o ano todo. E eu tinha pena dos professores do colégio, recebiam abaixo do piso porque a mensalidade da escola era mais barata por conta da região.
    Enfim, eu já alguns problemas, não só com as escolas, mas com os alunos e suas famílias também.

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