O Último Passageiro, Manel Loureiro, tradução de Sandra Martha Dolinsky, 1ª edição, São Paulo-SP:
Planeta de Livros Brasil, 2014, 384 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Em agosto de 1939, poucas semanas antes do início da Segunda Guerra Mundial, o transatlântico Valkirie aparece à deriva no Oceano Atlântico. Um navio cargueiro acaba o encontrando e, quando os tripulantes resolvem rebocá-lo, encontram apenas um bebê de poucos meses, mas esse não é o único mistério que envolve o Valkirie.

Pouco mais de setenta anos depois, um homem rico decide restaurar o transatlântico e repetir a sua última viagem, não deixando nenhum passo de lado. Disposta a contar a história dessa nova viagem, a jornalista Kate Kilroy embarca sem imaginar que muitas situações sinistras estão prestes a acontecer e que os mistérios do passado podem se repetir.

“As cintilações de luz branca reverberavam no meio da névoa, criando uma atmosfera irreal. Cada vez que o holofote se acendia, milhões de gotinhas dançavam no feixe de luz, girando loucamente, como se não soubessem que direção seguir. Enquanto isso, o Valkirie brilhava a pouca distância, úmido e escuro como a pele de um monstro marinho que os esperava” (pág. 22).
Como um dos principais nomes da literatura espanhola na atualidade, Manel Loureiro alcançou o sucesso em diversos países e é conhecido especialmente por sua trilogia Apocalipse Z. Devido a esse sucesso, a expectativa por O Último Passageiro não poderia ser menor, assim como a surpresa após a leitura do mesmo.

Se um escritor precisa conquistar o leitor nas primeiras páginas de um livro, Loureiro conseguiu isso sem muito esforço com uma cena inicial misteriosa, para não dizer sinistra. Apesar do resgate do Valkirie reservar algumas surpresas, os capítulos iniciais não representam nem uma pequena parte da totalidade de um enredo que reúne suspense, ação e uma leve dose de terror — ao menos para os mais impressionados.

Em seu mais recente livro, Manel Loureiro não tem nenhuma personagem digna de se tornar inesquecível, no entanto o Valkirie consegue representar e muito bem o papel de protagonista. Entre as pessoas, a jornalista Kate Kilroy é quem mais se aproxima de um destaque como personagem principal, por estar na maioria das cenas, porém até mesmo suas características mais particulares sofrem alterações graças ao transatlântico, responsável por absolutamente tudo.

Definir os acontecimentos do enredo sem fazer qualquer tipo de revelação pode ser uma missão difícil, mas a escrita viciante é capaz de criar certo ar de originalidade, ainda que isso nem sempre aconteça em histórias de terror. O maior problema é Manel se focar em determinadas situações e negligenciar outras, deixando perguntas sem respostas e cenas confusas, que também não podem ser explicadas melhor sem revelar a essência da obra.

Apesar disso, o leitor se envolve com a história principalmente porque existe uma ótima união entre a adrenalina, o suspense e as situações sobrenaturais. Essa união se torna mais especial porque O Último Passageiro explora muitos fatos históricos do período da Segunda Guerra Mundial, o que torna tudo mais instigante. Apesar de uma ou outra falha, a primeira experiência com Loureiro não poderia ser mais agradável. Ele conquistou um novo leitor, ansioso por sua famosa trilogia.

“A voz se transformou em um rugido de furacão. O cérebro de Will Paxton, já debilitado, teve a mesma resistência que uma cerca de madeira velha diante de uma avalanche de neve. Várias veias principais estouraram enquanto uma torrente de sangue se derramou dentro do crânio do geólogo, alagando tudo” (pág. 268).

8 Comentários

  1. Bem misterioso logo de início, logo apenas um bebê? Me lembrou mínimo Titanic, apenas pela causa do navio mesmo. Parece que havia coisas bem sinistras ocorridas no navio.
    Gostei do autor, e também de você ter elogiado tanto ele, com o envolvimento na história e bastante emoções.
    Me interessei, mas no momento nem daria para ler... é muito livro na lista de leitura, quem sabe daqui alguns dias.
    Beijos Ricardo,
    ThayQ.

    ResponderExcluir
  2. oi!
    eu amoooo esse autor, estou louca por esse livro, estou sempre na expectativa do preço abaixar um pouco! adorei a trilogia apocalipse z dele!
    eu fiquei mais empolgada ainda depois da sua resenha, apesar do que você falou de ter certa confusão em alguns momentos e da distribuição de foco ainda acho q vou ama!

    bjinhus
    dudikobayashi.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  3. Olá

    Ainda não li nada desse autor, mas já me interessei por essa obra primeiramente pela capa tão bonita e sua resenha me fez ficar bastante curioso com a história e com a narrativa de uma forma geral. A cena inicial ser sinistra só me deixa mais interessado, além é claro desses fatos históricos que parecem permear a trama. Já anotei a dica.

    Abraço!
    www.umomt.com

    ResponderExcluir
  4. Adorei a resenha, amo esse tipo de livro cheio de mistérios! E fiquei curiosa em saber o porque do bebê, parece uma ótima história! Conheço o livro Apocalipse Z, está em minha lista de leituras, mas são tantos que acho que esse ano ainda não dou conta, mas com certeza esse será mais um que irá para minha "listinha".
    Ótima resenha, bem explicativa!
    Beijo!
    http://booksmanybooks.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  5. Olá,
    Assim que vi a capa e título desse livro eu me interessei de cara e saber que o livro vale a pena ser lido me deixou ainda mais curiosa. Gostei tanto da premissa singular da obra!
    Beijos.
    Memórias de Leitura - memorias-de-leitura.blogspot.com

    ResponderExcluir
  6. Olá! Não conheço o livro mas me interessei bastante, parece ser bem original, parabéns pela resenha!

    Beijos Joi Cardoso
    Estante Diagonal

    ResponderExcluir
  7. Olá Ricardo!
    Adorei a resenha e confesso que nunca li terror. A obra me interessou pelo o seu tom de mistério. O que será que ocorreu nessa viagem?
    E essa capa meio a la Titanic? haha
    Beijos!

    ResponderExcluir
  8. Já tem um tempo que estou interessado no livro, e quero apostar em alguma obra com essa mistura de terror e sobrenatural, porque é o que menos leio - tem o Stephen King, porém os livros dele são bem salgados no quesito preço. A sinopse me chamou bastante a atenção, e parece ser aqueles roteiros de filme, então já quero logo. Bom saber que gostou.

    Abraços,
    - pensamentosdojoshua.blogspot.com

    ResponderExcluir