Tragédia em Três Atos, Agatha Christie, tradução de Bárbara Heliodora, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Record, 1987, 224 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Primeiro ato: Stephen Babbington, um velhinho inofensivo, está participando de uma reunião social na casa de um ator quando toma um coquetel e não demora a ir de encontro ao chão e cair morto. Segundo ato: algum tempo depois, o neurologista Sir Bartholomew Strange promove uma nova reunião, com a participação de quase todos os presentes na morte de Babbington, que assistem a mais uma morte com as mesmas características da anterior. Terceiro ato: uma misteriosa mulher recebe bombons envenenados.

Após presenciar a morte de Babbington e afirmar que ele morreu devido aos problemas comuns de sua idade, Hercule Poirot percebe que cometeu um grande engano e está disposto a tudo para corrigir esse erro. Para isso conta com a ajuda de Sir Charles Cartwright e da bela Egg Lytton Gore, que juntos irão tentar descobrir o que motivou essas mortes.

“- (...) Há pessoas com talento especial para naufrágios, mesmo num laguinho ornamental alguma coisa lhes acontece. Do mesmo modo homens como Hercule Poirot não precisam ir em busca do crime... ele vem a ele” (pág. 19).
Todos sabem da magnificência da obra de Agatha Christie, que não por menos é considerada a Rainha do Crime. O que sua obra tem de extensa, tem também de qualidade e de grandes surpresas, que estão presentes não apenas em livros protagonizados por suas principais personagens. O suspense corria por entre as veias de Christie, que surpreende mesmo quando não imaginamos que isso seja possível.

Publicado originalmente em 1935 e com a responsabilidade de ser o sucessor de Assassinato no Expresso Oriente (1934), uma das obras-primas da escritora britânica e último caso com Hercule Poirot, Tragédia em Três Atos tinha tudo para ficar aquém das demais obras de Christie. A história, apesar de interessante, demora a pegar o ritmo que o leitor está acostumado e isso se deve muito à maneira como o enredo foi desenvolvido.

A presença de Poirot, um dos melhores detetives da literatura mundial, faz o leitor acreditar que ele será o principal nome da história e, para resolver os mistérios que surgem ainda nas primeiras páginas, estará ativo desde o início. Isso não apenas deixa de acontecer, como também há uma investigação amadora por parte das personagens secundárias. Por mais interessante que seja acompanhar pessoas desacostumadas a crimes, dá a impressão de que está faltando algo a mais. Está faltando Poirot!

Enquanto o detetive belga é apenas uma personagem qualquer na obra, com pequenas aparições sempre marcantes por seus diálogos fortes, o livro segue lentamente apresentando personagens que sempre são fundamentais para o enredo. Sentir falta do que já foi explorado anteriormente é tão natural quanto a vontade de que as páginas passem rapidamente, para que chegue na bela e aguardada interpretação de Poirot, que acontece apenas no último ato.

Até então, como citado, Tragédia em Três Atos se tornava um livro abaixo do costume e isso tinha tudo para prosseguir até o último ponto final. Mas se isso acontecesse não se trataria de uma obra de Agatha Christie. É quando Poirot finalmente entra em ação, usando suas pequenas células cinzentas, que fica claro que a surpresa nunca deixará de existir em obras da Vossa Majestade.

Com esse livro, a autora mostra sua capacidade de levar o leitor a criar inúmeras teorias e conspirar contra todas as pessoas, para só então revelar algo que vai pegar todos os leitores desprevenidos, mesmo quem já esperava por certas soluções. Algo que só poderia ser criado pela Rainha e investigado pelo gênio. Se dependesse de todo o enredo, Tragédia em Três Atos seria um livro fraco, mas como o desfecho é suficiente, é certo que temos em mãos um grande livro, mesmo com a falta que Arthur Hastings faz nessa história especificamente.

“Parecia que, a não ser pelas naturais diferenças na linguagem usada, Egg e o lírio de Astolat tinha muito em comum, porém Mr. Satterthwaite reconheceu que os métodos de Egg eram mais práticos do que os de Elaine, e que morrer com o coração partido não faria nunca parte deles” (pág. 47).

3 Comentários

  1. Que terror essas mortes do 'nada'.
    As surpresas que ela prepara são mesmo criativas. Fiquei bem interessada em como acaba e o que motivou as mortes dos 3.
    Abraços Ricardo,
    ThayQ.

    ResponderExcluir
  2. Adoro Agatha Christie, mas confesso que não li muitos livros dela, esse incluso.
    :(
    Ela é ótima, super envolvente e faz a gente ler numa tacada só.

    Beijoooos

    www.casosacasoselivros.com

    ResponderExcluir
  3. Olá!
    Nunca li nenhum livro da Agatha Christie, mas esse me parece ser bem legal. Eu gosto de um pouco de mistério. =D
    E como temos um detetive na história, provavelmente deve ter um toque de Sherlock também né?
    Beijos!

    ResponderExcluir