Mares de Sangue, Scott Lynch, tradução de Alves Calado, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2014, 512 páginas.
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Logo após a batalha em Camorr, os Nobres Vigaristas deixam a cidade em direção a Tal Verrar, onde querem se recuperar e planejam voltar ao que sabem e gostam de fazer: roubar dos ricos e ficar com toda a grana. O alvo dessa vez é a Agulha do Pecado, a mais exclusiva casa de jogos do mundo, onde trapacear é o mesmo que assinar uma sentença de morte.

Mas após dois anos elaborando o melhor plano para conquistar o objetivo, as intenções dos Nobres Vigaristas são descobertas por Stragos, o líder militar verrari que quer se aproveitar deles para alcançar seus próprios desejos. Quando isso acontece, eles acabam envolvidos em uma aventura pirata e precisam enfrentar um dos maiores desafios até então: não saber nem mesmo como começar a liderar um navio.

“Durante um tempo, observaram Tal Verrar ficando para trás, a aura dos Degraus de Ouro e o brilho de tocha da Agulha do Pecado sumindo atrás da massa mais escura do crescente sudoeste da cidade. Depois, passaram pelo canal de navegação nos recifes de vidro, indo para o Mar de Bronze, para o perigo e a pirataria. Para incitar a guerra e trazê-la para a conveniência do Arconte” (pág. 245).
A série Nobres Vigaristas, que em As Mentiras de Locke Lamora demonstrou um potencial incomparável, precisou de apenas um segundo volume para afastar todos os tipos de comparações e, mais do que isso, criar sua própria identidade. Mares de Sangue é o tipo de continuação que todos os escritores querem escrever, mas poucos conseguem concretizar, por isso Scott Lynch entra para um seleto grupo de escritores incríveis.

O intervalo de dois anos entre as duas aventuras não foi de completa inatividade. Depois de toda a confusão em Camorr, os Nobres Vigaristas iniciaram seus planos para uma nova ação e a princípio esse é o foco do livro, mostrando o novo estilo de vida dos protagonistas, bem como as personagens que atualmente estão interpretando. No fundo, apesar das surpresas preparadas por Lynch, sabemos que isso faz parte apenas de uma preparação para algo muito maior.

Para apresentar os acontecimentos dos anos anteriores, o autor se utiliza de reminiscências — apenas na primeira parte —, diferente do primeiro livro, quando interlúdios apresentavam o passado e a construção das personalidades dos protagonistas. Seja no presente ou no passado, novos lugares são exploradas, como Tal Verrar, além de povos e costumes originais, provando a identidade própria do universo em que tudo se passa.

Como o título e a capa sugerem, Mares de Sangue tem como diferença significativa as aventuras marítimas. Apesar de lentas, ao menos nos momentos iniciais, tudo é narrado para empolgar quem gosta e conquistar quem não aprecia aventuras piratas, por exemplo. O principal motivo de isso acontecer é que Locke Lamora está distante de sua zona de conforto e precisa ir muito além, se arriscando em suas trapaças por um bem maior.

Mas vale ressaltar também que a genialidade de Lamora só é possível devido a genialidade do próprio Scott Lynch, que elabora tramas e planos para que tudo se encaixe perfeitamente. Se não bastasse essa característica capaz de tornar os enredos repletos de reviravoltas, que diga uma das cenas finais, o autor ainda surpreende com novas personagens bem elaboradas, batalhas imprevisíveis, diálogos afiados e bem-humorados e desfechos inesquecíveis, para não dizer desesperadores.

Se comparado com o livro anterior, Mares de Sangue segue um ritmo muito menor, o que não significa necessariamente que a leitura é monótona. Essa lentidão torna possível apreciar cada detalhe de uma trama riquíssima e que tem muito que apresentar na sequência da série, prevista para sete livros. Em especial pelo fato de novamente o autor deixar tudo em aberto, por isso a necessidade de que a sequência chegue o mais breve possível.

“Com firmeza e cautela, desembainhou o sabre e começou a balançá-lo no ar. Agora os três botes estavam quase lado a lado, cortando triângulos brancos de espuma no mar, a um minuto do alvo. Locke pretendia atacá-lo trajando a maior mentira da sua vida. Poderia morrer em alguns instantes, mas até lá, pelos deuses, ele era o Espinho de Camorr. Era o Capitão Orrin Ravele, porra” (pág. 316).

7 Comentários

  1. oi Ricardo,
    Primeiro eu queria avisar que indiquei você para uma tag, se tiver tempo e interesse de responder está aqui: http://dudikobayashi.blogspot.com.br/2014/12/tag-conhecendo-blogueira.html
    Segundo: eu logo fui conquistada pela capa desse livro, mas foi lendo a sua resenha que fui arrebatada. Eu ainda não li o primeiro, mas acredito que vou gostar dos dois. Você fala de um jeito que encanta, o modo como descreve as qualidades do autor e da narrativa são surpreendentes! Fiquei com muita vontade de conhecer essa série!

    bjinhus
    Dudi Kobayashi

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    1. Olá, Dudi.
      Muito obrigado por sua indicação. :) Como disse, acho muito interessante a proposta e quero responder assim que possível.
      Fico feliz em saber que a resenha a conquistou dessa forma. O livro realmente vale a pena, então espero que você leia e também que aprecie.

      Beijos,

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  2. Oi Ricardo!!!!
    Eu quero essa série, parece realmente incrível!
    Essa temática me interessou muito e tua resenha está ótima como sempre, despertou muito minha vontade de ler a série e conhecer Lamora e os desfechos dessa trama.
    Um beijo

    Lara - Magia Literária
    http://www.magialiteraria.com/

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  3. Olá

    Ainda quero ler esses livros. Além das capas serem lindas, as premissas são incríveis e a narrativa parece ser sensacional. Pretendo ler pelo menos o primeiro volume em breve, mas mesmo este tendo um ritmo mais lento tenho uma curiosidade ainda maior por este segundo volume haha acho que essa capa me deixa ainda mais interessado.

    Abraço!
    www.umomt.com

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  4. Olá Ricardo,

    Estou lendo esse livro e gostando demais, Scott escreve demais e é uma das melhores séries que leio, pela sua resenha sei que vou me surpreender ainda mais....abraço.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  5. Oi Ricardo! Eu So fiquei sabendo dessa série quando li sobre os lançamentos da editora e mesmo assim já era o lançamento desse livro que o segundo da serie. Não me senti interessado, por mais que a capa tenho sim chamado minha atenção, mas sua resenha me criou um interesse, vou procurar saber mais e mais umas resenhas para me decidir se leio ou não!!

    Xo
    Re.View

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    1. Olá, Alisson. Fico feliz que tenha ficado interessado na série após os meus comentários. Vou ficar na torcida para que você resolva ler e, mais do que isso, que goste assim como eu. O enredo merece cair nas graças dos leitores. rsrs

      Abraços,
      Ricardo - www.overshockblog.com.br

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