Um Desafio para Cross, James Patterson, tradução de Alexandre Martins, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Rocco, 2008, 254 páginas.
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O ex-detetive do FBI, Alex Cross, é obrigado a encarar um novo caso, dessa vez para solucionar crimes bárbaros cometidos por um psicopata. O desafio se torna ainda maior quando Cross descobre uma relação com um crime que o afetou diretamente no passado. Ao iniciar sua caçada, ele pode não apenas livrar a sociedade de um criminoso, como também fazer vingança com as próprias mãos, cicatrizando feridas para finalmente seguir em frente com sua vida.

“Sua vida era o máximo, não era? Exceto que agora alguém estava tentando matá-lo. E, claro, sempre havia o passado, o modo que tinha crescido no Brooklyn, seu pai maluco, o maldito quarto nos fundos da loja. Mas o Açougueiro tentou não pensar em nada disso naquele momento” (pág. 96).
Em qualquer obra de ficção, uma boa personagem vale mais do que um excelente enredo, por isso que, com toda a experiência em obras do escritor James Patterson, é possível afirmar que o cuidado do autor na construção de Alex Cross não voltou a se repetir em outras séries. Além da construção de Cross, os casos da personagem também sempre se destacaram por crimes fortes e marcantes.

No entanto, Um Desafio para Cross é o tipo de livro que foge à regra. Apesar de o protagonista ter a companhia de um ótimo e convincente antagonista, isso não foi suficiente para que se destacasse tanto quanto os demais. O que tinha tudo para funcionar muito bem, deixa de ser assim a partir do momento em que o Açougueiro passa a ser explorado em excesso. Aparentemente, Cross e Patterson deixam de ser os mesmos de sempre.

Ao dar um maior destaque ao antagonista, o autor não está simplesmente dando oportunidade para que ele mostre a sua personalidade. Na verdade isso impede um pouco de ação por parte do detetive que dá título a série e ao próprio livro. A falta de que algo aconteça com Cross é sentida em especial no início da leitura, o que não causa apenas falhas, como também a falta de informações.

Isso tudo não significa necessariamente que Um Desafio para Cross se trata de uma péssima escolha. Muito pelo contrário. O fato de ser o 12º livro da série Alex Cross apenas cria a impressão de que todas as falhas possíveis já foram cometidas nos onze títulos anteriores, por isso elas não voltarão a acontecer — em especial quando livros posteriores foram lidos e tais falhas não foram encontradas.

O que faz com que tudo seja aceitável é a construção do enredo e consequentemente da história e personalidade de Alex Cross. Com essa leitura, por exemplo, fica claro que apesar de casos isolados, o melhor é se ler as obras na ordem de publicação, afinal, como citado anteriormente, o cuidado na construção do protagonista foi grande. Ler fora da ordem, portanto, pode tirar a graça de acompanhar certas situações e o crescimento do mesmo.

Um Desafio para Cross, que serviu de inspiração para o filme “A Sombra do Inimigo” (2012) — protagonizado por Tyler Perry — possui um caso muito próximo ao protagonista. Quando tudo se torna pessoal, o envolvimento acaba se superando e isso é o que todo leitor busca ao iniciar uma leitura, mesmo quando sabe que não se passa de uma escolha para nada além do que puro entretenimento.

“Imagino que pareça um tanto estranho, ou presunçoso, imaginar que Deus pensa como nós; ou que Deus tenha um rosto humano grande e generoso; ou que Deus é branco, marrom, preto, amarelo, verde, sei lá o quê; ou que Deus escuta nossas preces o tempo todo do dia ou da noite, ou em algum momento “ (pág. 167).

3 Comentários

  1. Não sabia que o livro tinha servido de inspiração para um filme! Eu adoro este autor, mas faz tempo que não leio algo dele =/ Este me parece uma ótima dica para retomar ^^

    Beijos Joi Cardoso
    Estante Diagonal

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  2. Estou há um tempo sem ler Patterson, e estou precisando, haha. Gostaria muito de ler os livros do Cross na ordem, mas pena que é bem difícil encontrar os primeiros livros da série e tudo mais. Só lendo em inglês mesmo, e pra mim fica difícil, já que não tenho tanta experiência pra me focar em leituras do tipo.

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    1. Joshua, antes não me importava como isso, mas como disse é essencial ler na ordem de publicação. Realmente uma pena que não tenha todos os livros traduzidos - e deve se tornar ainda mais difícil, visto que aparentemente a Arqueiro não deve adquirir os novos livros do autor. :(

      Abraços,

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