Mesmo após sessenta anos de sua morte, o escritor britânico George Orwell continua sendo um autor atual, em especial pelo teor de duas de suas principais obras, que estão entre as mais vendidas do século XX. Além de importante nome da literatura britânica, Orwell tem um espaço reservado entre os maiores do mundo e justamente o tempo é a maior prova de sua importância.

George Orwell é o pseudônimo de Eric Arthur Blair, nascido em Motihari, Índia Britânica, em 25 de junho de 1903. Membro de uma família de aristocratas, Blair era filho de um funcionário do governo britânico e sua mãe tinha origem francesa. Foi com a mãe, com quem se mudou para a Inglaterra no primeiro ano de vida, que o pequeno garoto desenvolveu sua relação com a arte.

Com a intenção de desenvolver a capacidade intelectual do filho, a mãe de Eric pediu que fosse encontrada uma escola de qualidade, ainda que a família não tivesse condições financeiras para mantê-lo. Após alguns contatos, foi possível conquistar uma bolsa de estudo e ele iniciou sua educação em uma das mais tradicionais instituições de ensino da Inglaterra.

Apesar de não gostar do local, durante o seu período de estudo o futuro escritor escreveu dois poemas que seriam publicados e extremamente elogiados. Mas antes de se dedicar a sua vida de escritor, Eric Blair serviu a polícia imperial britânica na Índia e essa experiência, além de inspirar algumas de suas criações literárias, contribuiu também para a sua luta fervorosa contra o imperialismo e a opressão da metrópole em relação as suas colônias.

Apenas cinco anos depois, quando voltou à Inglaterra, Blair adotou o pseudônimo George Orwell. Decidido a se dedicar à literatura, abandonou toda a sua condição financeira para adquirir experiência ao conviver com a pobreza e a desigualdade social. Na época, chegou a trabalhar como operário e prestando serviços domésticos, o que também seria notado em suas obras.

Quando inicia sua carreira como escritor, George Orwell publica seus primeiros artigos e, demonstrando seu talento de imediato, rapidamente publica seu primeiro ensaio, “The Spike” (1931), e pouco mais tarde o romance “Dias na Birmânia” (1934), escrito com base em suas experiências na polícia imperial.

Com seus ideais cada vez mais reforçados, o escritor passa a ter atitudes em favor das classes menos favorecidas e, justamente por isso, resolveu participar da Guerra Civil Espanhola, em 1936. Mais tarde, ao lado dos anarquistas do Partido Operário de Unificação Marxista (POUM), lutou contra o fascismo e acabou se ferindo na frente de batalha.

Ainda que seguisse ideais comunistas, a ligação dos partidos comunistas com a política russa não foi bem recebida por Orwell e por isso ele adquiriu um forte anti-stalinismo, resultado de contradições e disputas de interesses, em especial durante a Segunda Guerra Mundial. Foi escrevendo sobre o totalitarismo da Rússia que surgiu “A Revolução dos Bichos” (1945), uma sátira ao governo de Stálin que é considerada uma das mais importantes obras do autor.

Por fim, já nos últimos anos de sua vida, se dedicou ao romance “1984” (1949), uma distopia em que o autor retrata um regime totalitário e repressivo em que as pessoas eram totalmente vigiadas. Essa obra, se não a melhor do ponto de vista literário, ainda hoje é a mais importante de toda a trajetória profissional de George Orwell.

Considerado um dos mais influentes escritores de seu tempo, George Orwell faleceu, em 21 de janeiro de 1950, vítima de tuberculose. Ao todo, publicou seis romances, diversos ensaios e artigos, além de livros sobre suas diversas experiências ao longo da vida. Todas elas, de alguma forma, contribuíram para que Orwell se tornasse, além de lido e adorado em todo o mundo, um verdadeiro Imortal da Literatura.

O meu ponto de partida é sempre um sentimento de partilha, uma noção de injustiça. Quando me sento para escrever um livro, não digo para mim, ‘vou produzir uma obra de arte’. Escrevo porque existe alguma mentira para ser denunciada, algum fato para o qual quero chamar a atenção, e penso sempre que vou encontrar quem me ouça. Mas não seria capaz de escrever um livro, ou um longo artigo de revista, se não existisse também aí uma experiência estética” — George Orwell em “Por que escrevo”.
George Orwell - ☆ 25/06/1903 - ✞ 21/01/1950

4 Comentários

  1. Que bacana. Ainda não li nada do autor e também não sabia muito da vida dele.
    Achei muito interesse esse fato dele se envolver de verdade nas causas de defendia.
    Agora só falta tomar vergonha na cara e ler logo um livro dele, que sempre falo que vou ler e acabo deixando =/
    Bjo

    ResponderExcluir
  2. Oie
    Nossa, adorei a postagem! Nunca li nada do autor, mas sempre tive curiosidade e espero em breve ler algo dele.
    Bela postagem!


    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

    Beijinhos

    ResponderExcluir
  3. Olá Ricardo!
    Conhecia este autor só de nome mesmo e até bem vagamente.
    Nunca li nada dela, mas devem ser obras excelentes porque ele conseguiu se imortalizar. =D
    Adorei o "Por que escrevo" dele.
    Beijos!

    ResponderExcluir
  4. Olá Ricardo,

    Não li nada do autor ainda, mas está na minha lista de desejados, muito legal o post, parabéns....abraço.


    devoradordeletras.blogspot.com.br

    ResponderExcluir