Morte na Mesopotâmia, Agatha Christie, tradução de Milton Persson, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Record, 1987, 220 páginas.
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A paciente da enfermeira Amy Leatheran é uma mulher muito peculiar e constantemente se sente atormentada por fantasias macabras. Estava claro para todos que ela sentia muito medo, porém ninguém desconfiava do que poderia ser e isso causava uma tensão incomum. Até um misterioso assassinato acontecer e o detetive belga Hercule Poirot ser o único capaz de encontrar o culpado.

“Em matéria de doença, como já tive oportunidade de constatar, os maridos são uma raça de crédulos. No entanto, mesmo assim, não encaixava lá muito bem com o que ouvira dizer. Não combinava, por exemplo, com aquela expressão mais segura” (pág. 18).
Entre outras características, o que mais costuma surpreender em uma obra de Agatha Christie é o estilo narrativo inconfundível da autora. Ela, como poucos, escreve sob diversos ângulos com a mesma capacidade e ainda reserva surpresas, como em Morte na Mesopotâmia.

Não foi a primeira, tampouco a última vez em que Christie escreveu sob a perspectiva de uma personagem que tecnicamente não tem nada a oferecer. A enfermeira Amy Leatheran dificilmente se aproximaria da genialidade de outros narradores, assim como não se imagina uma personalidade complexa para ela, o que não impediu que a autora a explorasse ao máximo, ainda que a própria personagem declare sua falta de talento em escrever.

Se esse comentário foi apenas para dar um charme a mais, o que dá para dizer é que funcionou e muito bem. Amy conquista o leitor e, mais do que isso, dá um verdadeiro show, como narradora e também ao demonstrar pouco a pouco a sua personalidade, não deixando nada a desejar.

Em muitos romances policiais, ao menos os mais clássicos, o fator determinante para a solução do caso é encontrar, antes de tudo, o motivo que causou o crime. Em Morte na Mesopotâmia acontece o inverso. O leitor, ao lado das personagens, precisa explorar o passado e a personalidade da vítima para chegar a algum lugar. Ainda assim, por se tratar de um livro da Dama do Crime, pode não ser suficiente.

Para um enredo complexo, apenas a complexidade de Hercule Poirot para ser capaz de encontrar o impossível. A cada nova leitura, Poirot prova o motivo de considerá-lo a melhor personagem da literatura policial, e isso acontece simplesmente por casos como esse: em que o culpado e o modus operandi nunca se passam pela cabeça do leitor.

Em suma, a obra que tem como cenário uma expedição arqueológica entra definitivamente para a lista dos melhores da autora. Lista encabeçada por Assassinato no Expresso do Oriente, brevemente citado no último capítulo.

“Longe de mim supor que fosse exclusivamente culpa sua, no entanto era inegável que nem a bondosa, porém feia Miss Johnson, nem aquela pequena fera vulgar, Mrs. Mercado, podiam comparar-se com ela em matéria de beleza ou atração. E, afinal de contas, os homens continuam sendo os mesmos em qualquer parte do mundo. Numa profissão como a minha a gente não tarda a perceber isso” (pág. 35).

Um Comentário

  1. Já tentei ler um livro da autora, mais a leitura não fluiu quem sabe dou outra chance para ler um livro dela parece ser um livro interessante, gosto desses gêneros mais nem sou Fã da Agatha. Boa resenha.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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