Queda de Gigantes, Ken Follett, tradução de Fernanda Abreu, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2010, 912 páginas.
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Cinco famílias de diferentes países e classes sociais têm suas vidas interligadas com os acontecimentos que deram origem ao que ficaria conhecido como a Primeira Guerra Mundial. Além dos fatos que contribuíram para o início da guerra, mulheres lutam por direitos iguais, enquanto trabalhadores buscam melhores condições de trabalho e a valorização por parte da alta sociedade.

Pessoas comuns que lutam nas trincheiras, ou simplesmente por seus direitos, são essenciais para o desenvolvimento de tudo que entraria aos livros de história, como as mais importantes e inesquecíveis batalhas e até mesmo a chamada Revolução Russa. São acontecimentos marcantes que dividem espaço com o amor e a amizade, com as dificuldades e as disputas de interesse. São acontecimentos que mudariam a história do mundo para todo o sempre.

“Nos Estados Unidos seria diferente. Tudo lá seria diferente. Os latifundiários norte-americanos não podiam enforcar seus trabalhadores. A polícia norte-americana era obrigada a julgar as pessoas antes de puni-las. O governo não podia sequer prender socialistas. Não havia nobres: todos lá eram iguais, até mesmo os judeus” (pág. 164).
Quando a primeira experiência com um autor é através de um livro de pouco mais de novecentas páginas e ele precisa de apenas algumas dezenas para conquistar a admiração, a única certeza que se tem é que esse autor pode ser considerado um gênio — ainda mais quando utiliza com maestria personagens como Jorge V, Kaiser Guilherme, Woodrow Wilson , Winston Schurchill, Leon Trótski e Lênin.

Em sua trilogia O Século, Ken Follett aborda os principais acontecimentos do século que resultou nas mais impactantes mudanças da história mundial, sendo que o foco de Queda de Gigantes é a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Apenas isso torna a essência muito especial e, consequentemente, atraente, no entanto conforme o leitor se depara com o lado político e social de um período de importância gigantesca, a apreciação se torna equivalente ao tamanho da guerra.

Entre os motivos que levam a essa apreciação está a união perfeita de ficção e realidade, a ponto de criar o sentimento de dúvida do que é real ou não. A força de cada uma das personagens é outra aliada, visto que acompanhamos pessoas reais, com seus acertos e erros, vivendo e lidando com as consequências de uma guerra brutal. Sem contar as próprias relações pessoais de personagens históricos e ficcionais.

Além disso, ser um livro longo não prejudica em nada a experiência de leitura. São tantos acontecimentos, narrados com uma eficiência quase incomum, que no fundo se torna uma leitura dinâmica e totalmente envolvente. Isso tudo a ponto de não querer que o livro chegue ao fim, mesmo quando o enredo não está nem mesmo em sua metade.

Os acontecimentos se relacionam com cada pequeno detalhe do enredo. Ao mostrar famílias de diferentes classes e ideologias, sem valorizar ou desvalorizar nenhuma delas, Queda de Gigantes acaba servindo como uma excepcional e inesquecível aula de história. Em suma, uma forma de compreender diferentes pontos de vistas e acompanhar de perto cada nuance de um período histórico que influenciou a consolidação do mundo como o conhecemos.

Ainda não estava na centésima página quando pensei pela primeira vez que Ken Follett é um escritor incrível. Após o último ponto final isso apenas se confirmou, garantindo que a primeira leitura concluída no ano entrasse aos favoritos. Apesar de faltar palavras para descrever a genialidade da obra e de seu autor, não dá para evitar a indicação a absolutamente todos.

As famílias socialistas e aristocratas, de políticos e mineradores, representam países que no século passado foram aliados ou inimigos e que lutaram por diferentes interesses. A questão é que tudo isso é apenas um excelente e pequeno detalhe de uma obra que vai muito além do que uma resenha é capaz de transmitir.

“Um assassinato ocorrera na Bósnia e, um mês depois, a Rússia entrava em guerra contra a Alemanha! Milhares de trabalhadores e camponeses iriam morrer de ambos os lados — e ninguém ganharia nada com isso. Para Grigori, assim como para todas as pessoas que ele conhecia, isso provava que a nobreza russa era burra demais para governar” (pág. 308).

6 Comentários

  1. É um dos melhores livros que já li, e que despertou em mim o amor por romances históricos, principalmente os que tem como pano de fundo guerras e etc. É incrível como Follett teceu a trama, e respeitando fatos históricos e reais, e ao mesmo tempo, adicionando personagens fictícios no enredo. Um trabalho em tanto!

    Como li há bastante tempo, já me esqueci de alguns detalhes do livro haha, mas não hesitaria em reler. E acho que até será preciso pra prosseguir com a trilogia.

    Abraços!

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    1. Joshua, estava muito interessado por esse livro desde que li sua resenha e toda a expectativa teve um resultado incrível. Pra falar a verdade já esperava me surpreender, mas nada como de fato aconteceu. Já estou com saudade das famílias e da escrita, por isso realmente espero conseguir a continuação o quanto antes. :D

      Abraços!

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  2. Oi, Ricardo!
    Quero MUITO ler esse livro. Agora ainda mais após ler sua resenha.
    Acredito que o Follett seja um autor incrível mesmo. Escrever um livro tão extenso e com bastante conteúdo, no mínimo, é algo notável.
    Espero me surpreender e adorar assim como você, o autor.
    Parabéns pela resenha!
    Abraço!

    "Palavras ao Vento..."
    www.leandro-de-lira.com

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  3. Ainda não li nada do autora, mas quero muito! Muitas pessoas falam demais dos livros e de como ele realmente é um cara incrível para escrever.
    Beijos,
    Monólogo de Julieta

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  4. Olá Ricardo,

    Estava ansiosa para ler sua resenha, como você havia me falado, o livro é imenso e mesmo assim continuou interessante e envolvente do início ao fim. O autor, pelo que li na resenha, é um gênio e consegue manter os leitores presos na narrativa mesmo sendo uma obra enorme.

    Adorei a resenha, apesar de não ser minha linha de leituras favoritas, eu gostaria de ler esse livro que me pareceu ser fascinante. :)

    Beijos

    http://entreresenhas.blogspot.com.br

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  5. Olá Ricardo!
    Gosto de histórias que misturam ficção com realidade. Deve ser por isso que me interesso tanto pela história do Assassin's Creed. haha
    E foi uma boa leitura para fechar 2014 e abrir 2015, ainda mais sendo da 1º GM, que aconteceu tem 100 anos.
    Fiquei fascinada com os seus elogios a obra e me interessei bastante. Gosto mesmo de história.
    Beijos!

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