Corra, Alex Cross, James Patterson, tradução de Ana Resende, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2014, 224 páginas.
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Três mortes misteriosas colocam o detetive Alex Cross em ação, sem que ele imagine que sua vida se tornará um inferno. A primeira pessoa encontrada morta é uma mulher que foi esfaqueada e trancada no porta-malas de seu carro, com seus cabelos louros espalhados pelo corpo.

No mesmo dia, Cross é chamado para uma nova cena de crime, onde uma jovem mulher foi encontrada enforcada do lado de fora do sexto andar de um prédio. No entanto, a legista descarta a possibilidade de suicídio e ainda afirma que a vítima acabou de dar à luz. Além de um assassinato, Cross está lidando também com um sequestro.

Por fim, um rapaz é encontrado baleado e com perfurações na região genital. Além disso, novas mortes acontecem e a possibilidade de três serial killers acaba tornando a responsabilidade de Cross ainda maior. Ele só não pode deixar isso prejudicar sua investigação, colocando assim sua família em risco.

“O primeiro assassinato fora suficientemente bem, o que significava que não havia motivação para parar. Muito pelo contrário. O período de descanso entre Darcy Vickers e essa jovem fora estatisticamente muito curto. Se ele já não estivesse pensando no que queria fazer em seguida, o estaria fazendo em breve” (pág. 68).
Ao conhecer a personagem Alex Cross no livro O Dia da Caça, até agora o melhor romance policial de James Patterson, existia algo na escrita que chamava a atenção. A fórmula do sucesso do autor parecia não ter furos, tanto na construção das personagens como também no suspense criado para o enredo. Isso, no entanto, aos poucos deixou de existir.

Assim como outros autores que se utilizam sempre de uma mesma fórmula, Patterson aparentemente não pode mais surpreender, ao menos não com a série Alex Cross. Após mais de vinte livros, sendo cinco deles lidos e resenhados, a fórmula passou a irritar mais do que causar euforia por um enredo bem estruturado e envolvente. Em Corra, Alex Cross, 20º da série, a última característica até continua existindo, mas não mais como anteriormente.

O principal motivo de isso acontecer se deve ao próprio enredo, que no fundo tem a mesma essência de livros anteriores. Entre as semelhanças estão os vários casos de serial killers, um maníaco perseguindo o detetive Alex Cross e uma motivação familiar que faz o protagonista se envolver ainda mais. Isso tudo poderia funcionar caso o leitor não acompanhasse de perto todos os antagonistas, conhecendo seus motivos e suas formas de atuação.

Essa característica é usada por muitos autores, inclusive James Patterson em toda a sua série, porém nesse caso específico, quando três personagens interessantes dividem o posto de rival de Cross, acaba impossibilitando as surpresas. Não existe nem mesmo a dúvida natural em uma obra policial. Como as personagens são completamente reveladas desde o início, o leitor sempre tem certeza de tudo.

Se dizem que o detetive nunca pode saber mais que o leitor, o mesmo vale para o contrário. O que pode ter feito a diferença é a execução da obra, por isso que, no geral, apesar de todos os detalhes supracitados, Corra, Alex Cross acaba sendo agradável. Até mesmo melhor que outros livros, afinal James Patterson continua sendo um grande escritor.

Com três casos em um único livro, Alex Cross tem novos desafios capazes de lhe tirar o sono. Mesmo que o leitor saiba exatamente onde ele deve procurar, e queira assim avisá-lo como proceder em sua investigação ou como lidar com os obstáculos, a expectativa pelas consequências da demora acaba sendo a motivação. No fim, tudo não passa de um novo capítulo que terá importância fundamental na construção da personalidade de Cross como um todo.

“Este era o caso que mais me preocupava. Considerando a aparente relação entre o Assassino do Rio e esse cara, não dava para não sentir como se nosso Assassino de Barbies tivesse que acompanhá-lo. Nos termos mais simples possíveis, era como se ele estivesse devendo outra loura morta” (pág. 110).

Um Comentário

  1. Oi Ricardo, adoro esta série do autor, aliás, é neste quesito eu o autor me agrada.
    Bjs, Rose

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