O Grande Ivan, Katherine Applegate, tradução de Maurício Tamboni, ilustrações de Patrícia Castelao, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito (#Irado), 2014, 288 páginas.
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O gorila Ivan mora dentro de um shopping há muitos anos, mas apesar das dificuldades de sua rotina, ele nunca pensou em voltar para a natureza. Ali ele tem alguns amigos e pode se dedicar aos seus desenhos, que o fazem se sentir completo em meio a tudo o que enfrenta. Como um grande artista, é através dos desenhos e de sua amizade com Ruby, um filhote de elefante, que ele tenta escrever novos capítulos de sua história.

Na teoria, O Grande Ivan é um livro dedicado especialmente ao público infantil. Além de ser reconhecido como o melhor livro do gênero de 2013, a publicação no Brasil aconteceu por um selo para obras infantis e a própria história não tem nenhuma pretensão. Mas na prática essa realidade é bem diferente.

A obra de Katherine Applegate é baseada em fatos reais e, talvez por isso, nem mesmo a licença poética é capaz de afastar a sensação esquisita de imaginar quantos Ivans estão espalhados pelo mundo. Apesar de a amizade ser muito ressaltada, o que mais chama a atenção é a mensagem sobre animais que enfrentam situações semelhantes as das personagens. Algo feito para se pensar.

Ivan, assim como o gorila que inspirou sua criação, permaneceu longos anos morando em um shopping, servindo como atração para os visitantes. Se isso já não fosse um problema suficientemente grande, as condições de vida não são as melhores, por isso chega a incomodar a certeza de que isso não está presente apenas na ficção.

No entanto, por ser narrado por Ivan em capítulo curtíssimos, a simplicidade tem um papel muito mais especial. Ela torna mais fácil lidar com as dificuldades e perceber rapidamente que é possível sempre encontrar uma saída — nesse caso, através das ilustrações de Ivan e a união entre os amigos. A narrativa apresenta ainda a ingenuidade dos animais perante as suas dificuldades e aos próprios humanos, tornando a experiência de leitura divertida e extremamente agradável.

O Grande Ivan pode ser lido em uma única tarde e, como citado anteriormente, não é exatamente uma obra para o público infantil. Todos devem ler! A bela e charmosa edição, em capa dura e com ótimas ilustrações, é um atrativo a mais, porém a essência é muito mais profunda e essa sim deve ser levada em consideração. No geral, é uma obra para quem precisa sorrir. Simplesmente sorrir.

“Não lembro o que eu estava tentando pintar. Muito provavelmente uma banana. Acho que eu sabia que aquilo me traria problemas.
Mas, naquele momento, simplesmente não me preocupei. Eu queria fazer alguma coisa, qualquer coisa, que eu costumava fazer.
Queria ser um artista outra vez” (pág. 133).

3 Comentários

  1. Esse livro parece ser bem diferente e interessante.

    metamorfose-literaria.blogspot.com

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  2. Ahh, parece ser um livro bem legal, e no momento, leria com certeza, até porque, faz tempo que não leio alguma história infanto-juvenil, e "O Grande Ivan" parece ser destinado a esse público, mas que agrada leitores de qualquer idade. Até agora não li nenhum livro do selo #Irado, quem sabe eu comece por esse?

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  3. Olá Ricardo,

    Li esse livro e gostei demais, não só pela história em si, mas da maneira que a autora escreveu, com muita sutileza, muito bom, realmente um livro para todas as idades...abraço.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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