Texto: Trupeçar (Adaptação)
Baseado: Conto russo-judaico do século XIX
Direção: Véto Nicolau
Duração: 80 minutos
Gênero: Comédia Musical
Apresentação: 08 de fevereiro de 2015
Em um vilarejo europeu do século XIX vive Victor Van Dorst (Véto Nicolau), um jovem que está prestes a se casar com Victoria Everglot (Karu Tonietti). Porém acidentalmente Victor se casa com a Noiva-Cadáver (Letícia Chaparim), que o leva para conhecer a Terra dos Mortos. Desejando desfazer o ocorrido para poder enfim se casar com Victoria, aos poucos Victor percebe que a Terra dos Mortos é bem mais animada do que o meio vitoriano em que nasceu e cresceu.
A responsabilidade de produzir uma peça baseada em um filme de muito sucesso era grande, assim como de uma ousadia enorme. Não que duvidasse de um resultado positivo por parte do grupo Trupeçar, mas sabia que deixar a peça com sua própria cara poderia ser quase impossível. Por sorte, estava redondamente enganado e deixei o teatro com a certeza de ter assistido um ótimo espetáculo para um grupo amador.

A primeira certeza que se tem com Noiva Cadáver, tão logo as cortinas se abrem e os atores entram em cena, é que o grupo evoluiu muito desde a produção de O Segredo das Bruxas (2013). O cenário, melhor elaborado e de uma qualidade necessária em um bom espetáculo, convida o público para uma visita ao século XIX e ao mundo dos mortos. O mesmo vale para o figurino e as próprias atuações.
De um modo geral, parte dos atores se entrega às personagens sem deixar a dúvida da veracidade de suas atuações. Isso pode ser resultado de evoluções pessoais e do conjunto, mas fica clara a química que existe entre todos eles. Como exemplo dá para citar Véto Nicolau, o atual diretor do grupo, e sua atuação ao lado de Letícia Chaparim, que em seu papel de protagonista se destaca como ninguém cada vez que entra em cena.

Além disso, atores que não estavam presentes anteriormente passam a exercer a importante missão de dar corpo a todas as cenas e aos mais diversos núcleos, como Manuel Figueiredo e Jac Giacon, que atuam como os pais de Victor Van Dort, e Eric Neubauer — talvez o mais experiente  em seus dois importantes papéis (Velho Gutknecht e Bonejangles). Os três, por mais que representem apenas personagens secundários, são os responsáveis pelas melhores e mais divertidas cenas de Noiva Cadáver.
O que pode ser visto como um fator negativo é a excessiva troca de cenas, que em dado momento se torna cansativa. Isso porque algumas cenas, por mais que conquistem o público, são tão curtas que mal começam e já terminam, causando uma má impressão e correndo o risco de serem consideradas descartáveis — algumas de fato o são, não representando nada ao enredo. O que fica nesses casos é o humor, que nos remete à Tim Burton mesmo com as sutis e originais adaptações necessárias.

O grupo Trupeçar consegue de certa maneira criar uma característica própria à produção da peça, mas é inegável o fato de que acompanhar a história da Noiva Cadáver sem se lembrar da animação de Burton é quase impossível. Os trejeitos das personagens são semelhantes, embora alguns forçados, o humor quase o mesmo e o clima sombrio, imprescindível para o enredo, também não é deixado de lado. Em contrapartida, o grupo usar a mesma trilha sonora do filme apenas tornou tudo mais agradável e envolvente.

2 Comentários

  1. Oi Ricardo,

    Deve ter sido muito bacana o teatro, como havia te falado assisti a uma animação da Noiva Cadáver em DVD e adorei, a história é muito fofa.

    Beijos

    http://entreresenhas.blogspot.com.br

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  2. Olá Ricardo,

    Não conhecia, mas pela sua resenha parece muito bom, ótima dica...abraço.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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