Simplesmente Acontece, Cecelia Ahern, tradução de Amanda Moura e Ivar Panazzolo Júnior, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2014, 448 páginas.
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Rosie e Alex sempre foram muito próximos, mas os acasos da vida acabaram os separando. Morando em continentes diferentes, a chance de a amizade persistir poderia ser mínima, mas sempre houve algo mágico entre eles e isso jamais se perderia.

Não apenas a distância acabou atrapalhando o relacionamento entre eles. As escolhas pensadas ou inesperadas contribuíram para ficarem distantes, mas uma hora Rosie e Alex percebem o verdadeiro sentimento que existe em seus corações. Eles só precisam descobrir se isso é suficiente para apostar todas as fichas e correr o risco de transformar a amizade em um amor para toda a vida.

“Fiquei com o coração despedaçado quando vi a mulher que amo se virando, se afastando de mim para subir ao altar com outro homem, aquele com quem ela escolheu passar a vida inteira. Foi como se eu tivesse recebido a sentença de prisão — os anos se passando diante de mim sem que eu fosse capaz de dizer a você como eu me sinto, nem abraçá-la da forma como eu queria” (pág. 143).
Entre as certezas que tinha antes da leitura de Simplesmente Acontece é que haveria uma grande diferença na escrita de Cecelia Ahern. O simples fato de se tratar de um romance epistolar torna a obra muito diferente de O Presente — com seu tom poético inesquecível —, mas não deixa de ser uma história especial.

A protagonista Rosie está completando sete anos na primeira página do livro e, a partir de então, acompanhamos todas as mudanças de sua vida nas várias décadas seguintes. Apesar de um modo diferente do convencional, o enredo consegue transmitir com veracidade as dificuldades, os encontros e desencontros das personagens, possibilitando inclusive uma aproximação do leitor — algo que nem todos os escritores conseguem, mesmo quando utilizam de estilos que facilitam esse trabalho.

Também pelo estilo com que a história é apresentada, é natural que essa aproximação possibilite também se deparar com um lado mais profundo das personagens, o que curiosamente vai de encontro com uma característica própria da autora. Ahern tem a incrível capacidade de levar o leitor da gargalhada ao sentimento de angústia em questão de palavras, e tudo isso devido a complexidade das personagens.

Entre outras coisas, essa complexidade mostra suas evoluções, especialmente em Rosie, uma mulher que amadurece com o tempo e aprende a escrever capítulos diferentes para sua própria história. A relação de Rosie com Alex dispensa comentários, ainda que os desencontros sejam mais recorrentes que o normal, enquanto Ruby é quem deixa tudo mais divertido e por isso se torna tão próxima do leitor.

Usando nada além do que cartas, e-mails, cartões e troca de mensagens, a autora narra uma história que poderia acontecer com todos nós e, felizmente, tem como principal trunfo sua estrutura. Nem mesmo a ausência de uma narrativa compromete o desenvolvimento da história e todas as possíveis perguntas são respondidas com naturalidade. Um ponto mais do que positivo.

Apesar de toda a veracidade e a identificação, Simplesmente Acontece pode ser visto como um livro comum. Não tem a magia que supostamente existe em todos os livros da autora, no entanto tem uma encantadora história de amor e, acima de tudo, de uma amizade que todos nós esperamos um dia encontrar. Como o desfecho é óbvio só pela capa e título, nada me impede de dizer que a essência é mostrar que, quando verdadeiro, o amor acontece. Simples assim.

“Não paro de pensar que o meu Romeu está lá embaixo, na calçada, me chamando e jogando pedriscos para que eu desperte do meu sono. E é aí que eu lembro que é sábado, uma hora da manhã, o pub acabou de fechar, os bêbados estão gritando seus pedidos por cima do balcão e os pedriscos que batem na minha janela, na verdade, são apenas os pingos da chuva. Mas uma garota sempre pode sonhar” (pág. 337).

6 Comentários

  1. eu li esse livro e gostei bastante, estranhei demais no começo, mas depois me adaptei e me encantei por esta forma de narrar
    o filme não entrou em cartaz por aqui ainda, eu queria muito ver a adaptação tbm
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. Quando peguei o livro para ler pensei que ia deixar a desejar devido a esse estilo de narrativ, mas realmente transmitiu tudo certinho e não ficou faltando nada, deu pra compreender tudo e se envolver na história.
    Realmente é um livro comum, mas gostei bastante da história. Só achei que levou tempo demais para simplesmente acontecer =D Estou curiosa pelo filme, já que eu vi que ele acompanha só 12 anos da vida deles. Provavelmente vai ficar mais superficial, mas pretendo ver.
    Bjo

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    1. Glaucea, concordo com você quando diz que levou tempo demais para acontecer o que estava claro que aconteceria. Se não na narrativa em si, no tempo que se passou, afinal ele foi muito longo.
      Em relação ao filme, estou curioso mesmo já sabendo que a essência será exatamente oposta. Só espero gostar do resultado final. :)

      Beijos!

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  3. Hum... Sem a magia sempre presente nas obras da autora? Ai que triste... Gosto tanto desse toque mágico da Cecelia...
    Apesar de você ter falado que o livro é bom, só de saber que não tem essa magia inexplicável, já desanimei um pouco. :(
    Mas ainda quero ler pq é da Cecelia e ela é diva. :P

    Bjs, Yara.
    http://www.ilusoesescritas.com/

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    1. Yara, a magia dos contos de fadas realmente não existe em "Simplesmente Acontece", mas existe a magia do amor. Se isso bastar tenho certeza que vai aproveitar do mesmo modo.

      Beijos!

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  4. Oie Ricardo!!
    Estou super afim de ler esse livro, já vi algumas resenhas bem positivas sobre ele, mas ainda assim resolvi esperar o filme e fazer como fiz com Se Eu Ficar vejo o filme e só então leio o livro!!

    Xo
    Alisson
    Re.View

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