Estudo Independente, Joelle Charbonneau, tradução de Elisa Nazarian, 1ª edição, São Paulo-SP:
Única Editora, 2014, 320 páginas.
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Apesar de agora ser uma caloura da Universidade em Tosu City, a jovem Cia ainda não se esqueceu de tudo o que enfrentou durante o Teste, ainda que o governo quisesse apagar sua memória. Sabendo que precisa fazer alguma coisa para mostrar ao mundo que o Teste não é como todos imaginam, ela busca compreender os objetivos de seus possíveis amigos e principalmente sobreviver, ainda que também enfrente uma batalha entre a razão e a emoção.

“— Valeu a pena? Sim, vidas foram salvas, mas e as vidas que foram tiradas? A história diz que o progresso muitas vezes exige sacrifícios, mas que tipo de progresso podemos afirmar, quando é construído sobre a vida dos cidadãos que ele deveria ajudar?” (pág. 37).
O segundo volume de uma série/trilogia tem a difícil missão de mostrar a verdadeira essência do enredo e, quando o ponto de partida se destacou, a responsabilidade é ainda maior. No caso de O Teste, que se mostrou uma distopia para surpreender a todos, a missão de sua continuação foi cumprida em grande estilo.

Se o primeiro volume demora a pegar um ritmo consistente, o mesmo não acontece com Estudo Independente. Já familiarizado com o cenário distópico, o leitor se depara com um início frenético e isso se mantém durante todos os capítulos, que mostram a protagonista Cia enfrentando algo muito maior que ela própria poderia imaginar. São aventuras que não dependem apenas de seu intelecto e isso se deve a já citada essência do trabalho de Joelle Charbonneau.

Além da escrita envolvente e da ótima caracterização das personagens, Charbonneau acertou em cheio no desenvolvimento de seu enredo. Já no segundo livro ela prova que a trilogia O Teste vai muito além de uma simples leitura para entretenimento, não deixando inclusive de fazer críticas ao estilo de sociedade que contribuiu para o chamado Sete Estágios da Guerra.

Esse pode não ser o grande foco da autora, diferente das clássicas e tão importantes distopias, no entanto isso não significa que o lado político é deixado de lado. Existem muitas questões humanas, políticas e sociais, além da disputa de interesses fundamentais do princípio ao fim. Essa união continua testando Cia e exigindo que a inteligência da personagem, já destacada anteriormente, fique ainda mais em evidência, em especial pela necessidade de tomar decisões e definir em quem confiar.

Algumas das mais intrigantes perguntas formuladas no livro anterior são enfim respondidas, porém ainda não é possível compreender tudo e todos que cercam esse cenário. É justamente por não saber o que ainda pode acontecer que a expectativa pelo desfecho se tornou ainda maior. As cartas estão na mesa, os objetivos definidos e a sobrevivência em jogo. A verdade é que tudo ainda é possível.

“Por mais que sempre quisesse acreditar no meu pai, quando ele dizia que sou capaz de fazer qualquer coisa, sei que não sou. Não posso deliberadamente fazer uma escolha que poderia acabar com a minha vida.
Não sou líder. Sou covarde” (pág. 268).

9 Comentários

  1. Oi.
    Ainda não li nenhum livro dessa trilogia e pra falar a verdade é a primeira resenha de um livro dela.
    Não sabia muito bem do que se tratava, mas fiquei bem curiosa e interessada em ler. Gosto de distopias, mas faz um tempo que não leio nenhuma. Acho que seria bacana ler essa série.
    Bjo

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  2. Oie
    Faz tempo que não leio distopias, e esses livros me chamam muita atenção, parece boa a premissa.
    Gostei da resenha!!
    Beijinhos

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  3. Eu amo distopia, logo iria amar esse livro. Acho muito interessante suas observações sobre o primeiro e esse livro. Ansiosa para mais resenhas.
    Beijos,
    Monólogo de Julieta

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  4. Oi
    Estou lendo muitos comentários positivos sobre essa trilogia e parecer muito legal, e acho a capa bonita. A sua resenha só me deixou curiosa para ler o primeiro para entender o que voce falou desse e para saber o que aconteceu com a garota.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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  5. Oi Rica,
    Sua resenha está incrível! Eu ouço falar sobre a série há algum tempo, mas nunca me senti diretamente atraída para a leitura. Na verdade, um amigo me disse que o terceiro livro é muito fraco. Eu gosto bastante de distopias, na minha opinião, elas são a arma mais poderosa para mudar o mundo.Poder prever o que vem pela frente, mesmo que apenas na ficção nos mostra o caminho de destruição que o mundo está tomando. Pretendo ler em breve, espero gostar assim como você.

    Beijo,
    Mari Siqueira
    http://loveloversblog.blogspot.com

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    1. Olá, Mari.
      Também vi alguns comentários negativos em relação ao último livro, mas mesmo assim estou na expectativa. Espero não me arrepender. :x Aliás, assim como você disse, também acredito que as distopias são a arma mais poderosa para essa necessária mudança, em especial quando possuem um lado político. Justamente por isso quero ler os grandes clássicos do gênero. ;)

      Beijos!

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  6. Oi, Ricardo!
    Adorei a resenha. Na verdade, adoro ler suas opiniões porque sempre são bem argumentadas.
    Sobre o livro, não tenho pretensão de ler a trilogia, infelizmente. Gosto do gênero, mas a premissa da trilogia não me atrai e acredito que não me agradaria.
    Mas foi ótimo saber sua opinião.
    Abraço!

    "Palavras ao Vento..."
    www.leandro-de-lira.com

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  7. Então Ricardo, eu já conheço essa série, mas ainda não li. Não que eu não tenha interesse, mas é que a minha lista de leitura está grande demais para ficar comprando novos livros. Estou concorrendo a um sorteio desses livros, quem sabe eu não ganho? Haha.
    Adorei a sua resenha, bem clara e objetiva, parabéns!
    Abraços e que a força esteja com você!
    http://www.paradageek.com/

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    1. Mateus, que bom saber que gostou da resenha. :) Espero que você seja o ganhador desse sorteio que está participando e principalmente que aproveite a leitura, claro. haha

      Abraços!

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