Cordeluna, Élia Barceló, tradução de Catarina Meloni, 1ª edição, São Paulo-SP:
Biruta, 2011, 310 páginas.
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Em uma época em que a atual Espanha estava dividida em vários reinos de cristãos e mouros, o jovem cavalheiro Sancho está acompanhando dom Rodrigo de Vivar, conhecido como El Cid, quando acaba conhecendo a bela Guiomar. A paixão proibida entre eles afeta pessoas próximas e uma delas se aproveita de uma maldição para interromper a felicidade do casal.

Quase mil anos depois, alguns atores de teatro partem a um retiro para vivenciar experiências semelhantes as das personagens que irão interpretar em uma peça baseada nas aventuras de El Cid. Como se por uma força do destino, Glória e Sérgio se aproximam, sem imaginar que podem ser os responsáveis por quebrar uma antiga maldição.

“Quando estendeu a mão para pegar a espada, que o pai lhe oferecia, Sancho sentiu que todos os seus músculos tremiam, como se tivesse feito um grande esforço. Quase teve de obrigar-se a brandir aquela arma, como se temesse que ela se movimentasse por vontade própria, mas, então, olhou para a pedra-da-lua e foi como olhar para um céu de verão sulcado por delicadas nuvens dançando muito altas” (pág. 18).
O nobre guerreiro Rodrigo de Vivar, conhecido como El Cid, se tornou uma lenda e sua história ultrapassou a barreira do tempo, se tornando uma figura importante para toda a Península Ibérica. Embora não o conhecesse até então, a autora espanhola Élia Barceló conseguiu, com apenas uma obra, despertar a curiosidade em relação a El Cid e todo o período histórico em que esse viveu, visto que é o pano de fundo para Cordeluna, ganhador do Premio Edebé de Literatura Juvenil

Considerar essa leitura como uma grande surpresa ainda seria insuficiente para descrever a obra publicada originalmente em 2007. Conhecida como a Dama Negra da literatura espanhola, Barceló narra uma inesquecível história de amor, bem como intrigas e magias que tornam tênue a linha que separa o passado do presente ou a ficção da realidade. Algo completamente oposto ao imaginado na primeira vez em que a obra chamou a atenção.

Para contar essa história, a autora se utiliza de dois cenários e tempos bem distintos entre si, mas que a cada página se unem através de uma perfeição quase mágica. Muito disso se deve ao simples fato de a autora ter como aliado o estilo de narrativa capaz de, ao intercalar os capítulos, ter duas características próprias. Ou seja, ao narrar a história de Sancho, sua escrita é mais formal, deixando os diálogos o mais próximo da realidade do século XI, enquanto que a história de Glória e Sérgio, que se passa quase mil anos depois, tem uma escrita muito atual — o que nem por isso deixa de ser incrível.

Mas essa não é a única diferença entre os dois períodos e a mais significativa é sem dúvida o envolvimento que temos com o enredo e as personagens. Isso porque, ainda que todas conquistem de alguma forma, as personagens medievais têm algo mais verdadeiro em suas atitudes, o que pode ser explicado pelo maior desenvolvimento das personalidades e de tudo que as cercam. São personagens emblemáticas, protagonistas de uma bela história, que acabam unindo as próprias personagens do presente.

Diferente do que imaginava, Cordeluna não é uma simples fantasia medieval, ainda que possua elementos mágicos. Para os apaixonados pelo assunto, o teor histórico é o elemento mais contagiante, mas no fundo não dá para negar que se trata de uma ótima história que se aproveita do teatro e do tempo para deixar claro, de uma vez por todas, que tudo é possível quando se trata de dois corações apaixonados.

“A pedra-da-lua lhe dava forças para esperar e, quando chegasse a primavera, se encontraria com seu amor no mosteiro, e o padre Juan os casaria. O que viesse depois não tinha importância. Quando ela e Sancho se unissem ante Deus, para sempre, nada mais teria qualquer importância” (pág. 150).

6 Comentários

  1. Hey, Ricardo!
    Cara, primeiramente parabéns! Eu me interessei pelo livro e daí vim procurando resenhas sobre ele, mas não achava de jeito nenhum, você acaba de me salvar kkkkkkk. A resenha foi o ponto que faltava pra eu comprar o livro!

    Abração, Miguel.
    Parágrafos & Capítulos || @PrCapitulos

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    1. Muito bom saber que a resenha o motivou a comprar o livro. :) Espero que você aproveite tanto quanto eu aproveitei, porque a história realmente merece essa atenção.

      Abraços!

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  2. Oi
    Nao conhecia esse livro, fiquei curiosa por essa leitura, pois parece uma boa história mais nem sei se compraria pois tenho outras prioridades e que bom que você gostou da leitura.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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  3. Olá Ricardo,

    Como é bom vir aqui, pois ficamos conhecendo muita coisa boa, esse livro me deixou super curioso, como gosto do estilo já vai para a minha lista....abraço e parabéns pela resenha.


    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  4. Que resenha linda!
    Também sou parceira da Editora Biruta e fiquei em dúvida várias vezes pra solicitá-lo mas, no final, sempre optei por outro. Acho que agora essa vai ser a minha escolha!
    Parece um livro gostoso de ler e, ao mesmo tempo, diferente.

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    1. Fêh, apesar de ter me interessado pela história desde o início, também demorei a solicitar o exemplar, mas valeu a pena. Vou torcer para achar o mesmo quando enfim tiver a oportunidade de ler. :D

      Beijos!

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