A Corte Infiltrada, Andrea Nunes, 1ª edição, Recife-PE:
Carpe Diem, 2014, 222 páginas.
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O Supremo Tribunal Federal está prestes a instalar um moderno sistema de comunicação, capaz de facilitar e tornar mais seguro as funções dos ministros e dos jornalistas. Enquanto isso, um laboratório de pesquisas em neurociências trabalha em um experimento científico que pode mudar a atual concepção sobre a mente humana.

O Mestre budista Nobu Kentaro sabe das consequências desse experimento, mas antes que tivesse tempo de revelar a verdade, ele acaba sendo assassinado. Através da única pista encontrada, o jornalista Edgar Trigueiro e a noviça Taís Fonseca se unem para desvendar os mistérios escondidos entre os segredos milenares do Oriente, as novidades científicas e as estruturas do poder.

“Ela precisava dar continuidade a tudo o que fosse importante para mestre Nobu. Devia isso a ele e a si mesma. Pois bem, ela veria com os próprios olhos do que se tratava o misterioso projeto de telecomunicações a ser implantado no Supremo Tribunal Federal. Faria o que estivesse ao seu alcance para descobrir a verdade” (pág. 81).
Se desde o princípio a premissa de A Corte Infiltrada se mostrou muito interessante e original, existiu também a curiosidade sobre como a autora Andrea Nunes uniria em uma única obra elementos tão distintos. Mas ela não apenas conseguiu fazer isso com maestria, como também escreveu um dos grandes thrillers da nossa atual literatura.

Para chegar a esse resultado, o fator fundamental é de longe a maneira como o enredo é apresentado. Ainda que não escreva sob um único ponto de vista em cada capítulo, ou seja, o foco nem sempre é uma única personagem, Andrea consegue prender a atenção através de um suspense intrigante e, como citado anteriormente, muito original.

Essa originalidade pode ser a responsável por uma conspiração que, apesar de tudo, vai muito além do que uma simples ficção. Ao explorar interesses pessoais e políticos, na teoria tão distantes da realidade, a obra retrata verdades sobres os bastidores do poder que no fundo todos nós sabemos que existem. Mas a cada revelação, encontrada por Edgar e Taís, tudo se torna mais surpreendente e até certo ponto inacreditável.

O grande diferencial, no entanto, está justamente nos elementos tão distintos que em outrora deram a impressão de que não se casariam perfeitamente. Ao contrário do imaginado, todos eles contribuem e muito para o desenvolvimento do enredo. Isso porque, ainda que todos tenham sua devida importância, a surpresa final vem de onde menos se espera e do modo que menos se espera, o que não significa necessariamente que fique sem sentido ou sem explicação.

Mas existem situações desnecessárias em relação as personalidades e ao relacionamento entre as personagens. Por mais que Andrea trabalhe essas ideias para não serem simplesmente jogadas na obra, são situações inimagináveis em um primeiro momento e que no resultado final não fazem uma grande diferença — senão apenas para as próprias personagens.

Ao unir a ciência, o jogo de poder e o crime organizado em uma mesma conspiração, Andrea Nunes está na verdade escrevendo sobre pessoas e situações que influenciam as nossas vidas diariamente e que podem continuar fazendo isso cada vez em maior escala. Em contrapartida, o budismo é o elemento necessário para tentar evitar que os males se tornem mais prejudiciais. Esses e outros elementos fazem de A Corte Infiltrada um thriller de suspense com uma excelente pegada de ficção científica, tudo na medida certa para nenhum fã do gênero colocar defeito.

“Ela estava chegando ao seu limite de apneia mais rapidamente do que previra. Começou a sentir a arritmia cardíaca que antecede a morte, por falta de ar. Desejou jamais ter feito Medicina, pois não conheceria tão bem aqueles sintomas. Seus pulmões queimavam e apenas uma rígida disciplina e anos de treinamento a condicionaram a continuar seu trabalho, sem respirar” (pág. 185).

6 Comentários

  1. Esse livro parece ser bem interessante, e pelas sitações parece que tem uma boa narrativa.
    Adorei sua resenha!

    Metamorfose Literária

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  2. eu quero muito ler esse livro...
    Eu gosto muito da autora tbm!!!
    http://infinitoparticulardoslivros.blogspot.com/

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  3. Uau!
    Que interessante esse livro.
    Essa mistura toda de política, neurociência, budismo, mistério, segredos, tem todos os ingredientes que eu gosto num livro, no melhor estilo Dan Brown.
    Já quero!
    Não conheço a autora ainda, mas pela sua resenha, já quero conhecer.

    Seguindo o blog!
    :D

    Beijoooos

    www.casosacasoselivros.com

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    Respostas
    1. Olá, Teca.
      Apesar de não ter comparado com Dan Brown, posso dizer que o livro da Andrea conquistou tanto quanto todos dele, que é o meu autor favorito. Se tiver a oportunidade de ler, espero que você goste. :D
      Muito obrigado por seguir o blog.

      Beijos!

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  4. Oi
    Que bom que aproveitou essa leitura, não conhecia o livro e é bom saber que mescla elementos diferentes mais que funcionam. Quem sabe eu leia ele. Gosto das suas resenhas.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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  5. A primeira vez que li sobre esse livro foi aqui no Over Shock. É o estilo literário que mais admiro. Fiquei muitíssimo interessado pela obra.

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