Texto: Ronaldo Ciambroni
Baseado: -
Direção: Eduardo Martins
Duração: 60 minutos
Gênero: Comédia
Apresentação: 15 de março de 2015
A comédia é desenvolvida por três personagens: Júlio (Eduardo Martins), Marina (Gabriela Sanches) e Pardal (Daylon Martineli). Júlio e Marina são sequestrados por Pardal logo após o casamento, no caminho da festa de recepção aos convidados. Marina é órfã e milionária, mimada, irritante e egocêntrica. Júlio, ex-funcionário de Marina, casou-se com ela por pleno interesse. A história se passa no cativeiro e é embasada todo tempo em armações do casal contra o sequestrador Pardal para conseguirem se libertar e armações do sequestrador em cima do casal para satisfazer seus desejos psicopáticos. Pardal por sua vez é um sequestrador diferente, apresenta muitas mudanças de humor e problemas em sua autoestima. Com muita comédia, os três desenvolvem um diálogo engraçado e chegam ao extremo do ridículo para exercerem suas vontades sobre o outro. No final da peça, algumas revelações são feitas, os valores se invertem e o desfecho é tão inusitado quanto todo o contexto.
Essa não é a primeira e muito provavelmente não será a última vez que a Cia. Viva Arte surpreende com uma apresentação teatral. Após três anos acompanhando o trabalho do grupo, e assistindo de perto a evolução de todos que fazem parte do mesmo, fica cada vez mais claro que as surpresas estão apenas começando, o que pode ser considerado motivo de muita alegria.

A primeira peça do grupo em 2015 é também a mais singular ao longo de todos esses anos. Além de não se tratar de um roteiro clássico, ainda que seja de autoria de um dos grandes nomes do teatro nacional, Onde Come Um, Comem Dois! nos mostra um lado diferente da companhia e, mais do que isso, revela todos os caminhos que ainda podem ser percorridos, visto que exige muito mais de seus atores.
Foto: Reprodução/Facebook
Quando as cortinas se abrem, revelando um cenário pouco poético, nem de longe é possível antecipar a ideia excepcional por trás do roteiro de Ronaldo Ciambroni. As personagens de Gabriela Sanches e Eduardo Martins acabam de se casar, mas ao invés de comemorar a realização de um casamento por interesse de ambas as partes, o casal se encontra em um cativeiro sem ter condições de fugir. O que não imaginam é que o sequestro não é nada convencional, tampouco violento.

Pardal, personagem de Daylon Martinelli, pode até ter seus motivos para arquitetar um sequestro, no entanto no fundo não passa de um homem solitário em busca de atenção. Justamente por esse drama vivido por Pardal que a peça ganha o lado cômico que faz total diferença, transformando uma situação dramática em uma ótima opção de gargalhadas e, mais do que isso, em motivo para reflexão sobre comportamentos e o que existe dentro de cada um de nós, explorando as verdadeiras pessoas por trás de cada personagem.

Por diversos motivos, a química existente entre o trio mais uma vez se sobressai, principalmente quando existe a possibilidade de improvisar, no entanto as atuações chamam atenção de um modo muito particular, em especial no caso de Daylon. O ator voltou a interpretar uma personagem muito caricata e até estereotipada, porém, diferente do último ano, dessa vez sua atuação não aparentou ser artificial, o que apenas ressalta o talento tão elogiado quando ele interpretou Chicó em O Auto da Compadecida (2013).
Foto: Reprodução/Facebook
A única ressalva pode ser mais em relação ao texto do que propriamente à peça. Desde o primeiro momento o roteiro caminha de um modo muito satisfatório, mesmo quando há algum tipo de interação com o público, no entanto as reviravoltas deixadas para as cenas finais acontecem de um modo muito apressado e, quando menos se espera, a peça chega ao seu fim. Pela forma como a história é conduzida, algumas coisas renderiam mais alguns minutos de espetáculo, o que felizmente não tira o brilho de tudo que foi apresentado anteriormente.

Como citado, Onde Come Um, Comem Dois! apresenta um lado muito profissional de um grupo de teatro que sempre valorizou e conseguiu tal profissionalismo. O elenco reduzido deixa claro que independente do gênero, o diretor Eduardo Martins — sempre conquistando também por suas atuações — tem um grupo fechado que pode confiar ao explorar as diversas facetas do teatro, sem nunca deixar de lado o bom humor tão característico de sua própria personalidade.

2 Comentários

  1. Olá Ricardo!

    Desfecho inusitado com toque de humor, com certeza fez da peça algo muito especial.

    Adorei o texto, e tenho que dizer novamente, que esse trabalho que você faz, trazendo informações como essa para os leitores é simplesmente maravilhoso.

    Beijos

    http://entreresenhas.blogspot.com.br

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  2. Olá Ricardo,

    Não conhecia a peça, mas pela a sua resenha vejo que vale muito assistir, ótima dica....abraço.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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