O Reino que Não Era deste Mundo: Crônica de uma República Não Proclamada, Marcos Costa, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Valentina, 2015, 272 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Se o século XX foi o mais importante em mudanças políticas no mundo, o século anterior causou intensas mudanças na política brasileira, talvez por isso seja a época que mais desperta o interesse deste que vos escreve. Da chegada da família real portuguesa, no início do século, à proclamação da república, mais de oito décadas depois, muitas situações ditaram o rumo do país. E nos bastidores… Ah, os bastidores!

O Reino que Não Era deste Mundo: Crônica de uma República Não Proclamada, do historiador Marcos Costa, é mais uma obra de não-ficção que faz o leitor se sentir parte de uma época não vivida e com muitas nuances bem características da história brasileira. Através de capítulos com uma linguagem simples, como se fossem verdadeiras crônicas ou reportagens, o autor consegue dar uma excepcional aula de história, sobre temas conhecidos e fatos desconhecidos, para não dizer inimagináveis.

Tudo isso se baseia em uma máxima muito conhecida por todos nós: “existem coisas que só acontecem no Brasil”, um reino que não é deste mundo. É bem verdade que a intenção de Marcos vai muito além de apenas revelar relatos, baseados em uma bibliografia riquíssima, mas também mostrar que, por mais que a república tenha sido proclamada, o modo de se governar o Brasil não mudou muita coisa.

Mas o principal destaque é de longe a inteligência de Dom Pedro II, que desde muito cedo precisou se preocupar em preparar a Princesa Isabel para o que poderia ser o terceiro reinado do Brasil. Os obstáculos, no entanto, o obrigaram a entrar em um legítimo jogo de xadrez, visto que era preciso agir sem colocar a monarquia em risco e sem abalar sua própria imagem. Os bastidores desse jogo conduzem a obra.

O grande problema eram as mudanças políticas e sociais que abalavam todo o mundo, incluindo revoluções e mudanças de conceitos. Para o leitor, existe a necessidade de realizar a leitura pensando como um enxadrista, ou seja, pensando nas próximas jogadas do Imperador, da Princesa Isabel e seu marido, Conde d’Eu, além de todos os aliados e inimigos políticos, dentro e fora do território brasileiro. Tudo acontece por um interesse e compreendê-los é fundamental para entender o motivo de a república não ter sido simplesmente proclamada.

A visão apresentada por Marcos Costa sobre o período imperial é capaz de surpreender os leigos, em especial ao revelar atitudes e ideologias dos protagonistas da monarquia brasileira. São essas ideologias que definiram todas as etapas da transição de poder, da abolição da escravatura e da intensa disputa entre republicanos e monarquistas. A importância de se conhecer os bastidores é o que torna O Reino que Não Era deste Mundo uma obra obrigatória para compreender o passado e, quem sabe assim, o próprio presente. Uma obra que deveria ser usada em todas as escolas do país.

“A proclamação da República no Brasil foi um fato único na história, pois a revolução não se deu contra um regime conservador que estivesse em franca contradição com a sociedade (…) Pela primeira vez na história, ocorreu uma revolução conservadora, urdida não para mudar, mas para manter todas as coisas exatamente como estavam, com medo do novo” (pág. 264).

5 Comentários

  1. kkkkkkk Eu ri quando li "Existem coisas que só acontecem no BRasil" Pura verdade... kkkkkkkk Eu não sabia que esse era um livro de crônicas. Parece ser bem diferente e de cunho didático. Quero ler..
    Beijos,
    Monólogo de Julieta

    ResponderExcluir
  2. Oi, Ricardo!
    Esse livro parece ser bem rico em informações interessantes sobre o Brasil. Não o conhecia, mas fiquei curioso. Adoro obras não-ficcionais como esta e acredito que seja boa mesmo.
    Parabéns pela resenha!
    Abraço!

    "Palavras ao Vento..."
    www.leandro-de-lira.com

    ResponderExcluir
  3. Oi Ricardo, adorei a resenha! Acho que deu pra entende melhor a proposta do livro (que é muito boa), acho que pelo tema histórico e pela capa mais séria ele passa a impressão de ser mais didático.

    Beeijo, Paola
    uma-leitora.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  4. Olá Ricardo,

    Esse livro está na minha lista de desejados, gosto demais do gênero e gosto de saber mais sobre o meu país, ótima resenha e dica...abraço.


    devoradordeletras.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  5. Um bom livro para lançar novos olhares sobre a nossa história. Parabéns pela resenha muito bem explicadinha.

    ResponderExcluir